Mostrando postagens com marcador Reflexões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reflexões. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Michel F.M. - Poemas 2026 - Parte 4


Michel F.M. - Criações 2026 - Parte 4

🍄 2026 🍄



Virtuoso (Projetado do Avesso)

era ele um exemplo 
do Não-Ser.
até que não seria 
tão ruim, 
se não fosse
tão péssimo. 

um acabamento 
mal feito de verdade,
um manifesto 
reverso da ostentação. 

nada menos que 
o cúmulo da ausência 
total de presteza. 

no acúmulo da
inabilidade que possuía, 
o indivíduo tornar-se-ia
neste ritmo em que vinha,

nulo. o próprio gênio invertido,
projetado do avesso, 
na contramão da maestria.

conquistado 
a duros deslizes,
o personalizado direito 
à inaptidão.

fosse esta veemente 
incompetência, 
adquirida 
ou congênita,

nos tropeços 
da hereditariedade,
moldar-se-iam 
teus dotes,
geração pior que geração.

como alguém 
pode possuir 
uma falta de noção 
tão grande
e desproporcional [??]

um enigma 
impenetrável 
diante da vista estupefata. 

na contemplação 
vacilante e desnorteada 
do observador, 

podia-se constatar 
o nível alarmante, 
de incredulidade 
e atordoamento. 

a transmissão em
larga escala da magnitude 
do desastre,
o nobre erro hiperbólico. 

uma performance
antológica, impossível 
de prever ou ignorar,
a excelência do descaso.

uma ópera orquestrada
ao vivo, pelo despreparo
da inépcia absoluta.

a saga brilhante 
da mediocridade
elevada ao cubo.

mas o relaxo extremo,
não é um campo de amadores.

como qualquer outra técnica, 
exige intencionalidade 
e precisão no desleixo.

que só pode ser alcançada, 
na reincidência obstinada
da repetição [com todas as
redundâncias], levando 

por conseguinte, ao 
aperfeiçoamento
de teu virtuosismo.

03/05/26
 






Desperta(dor)

após três bipes

Bip

Bip

Bip

os analgésicos 
começavam 
a perder seu
efeito

03/05/26






Torcicolo 

nem mesmo o rochedo 
mais sólido, apresentaria em teus
melhores dias,
tamanha concretude
estrutural.

um arcabouço 
geológico único,
fixado na base 
do crânio.

chamado pelos compêndios
anatômicos, 
em tuas intermináveis 
22 letras, de 
esternocleidomastóideo.

irradiava tua 
petrificação
também ao trapézio. 

mais rígido agora, que
as moléculas de grafeno
jamais foram.

Tra-va-daço.

para onde virasse,
era apenas
Clack,
        Clack
                e volta e meia, um Clock.

03/05/26







Desfibriladora 

tua descarga 
elétrica 
controlada, 

me trazia de volta
o sopro 
da vida.

em meio
àquele oceano
cinza 

e a fumaça 
rasante 
da esquadrilha.

nenhuma 
parada 
cardiorrespiratória 
súbita,

era pário 
para a
massagem cardíaca, 

que você 
representava.

03/05/26








Migração das Metáforas 

quando uma forma
incontrolável 
de concentração 
de energia, 

colide e desloca
sua força 
para o solo,

incendiando 
uma floresta 
inteira, 

a partir de 
uma faísca,
chamamos 
este evento 
de catástrofe 
natural.

quando uma forma 
incontrolável 
de concentração 
de energia, 

colide e desloca
sua força 
para o papel,

incendiando 
uma tradição 
inteira, 

a partir de 
uma faísca,
chamamos 
este evento 
de poema em 
versos libertos.

e a poesia de 
combate, 
uma vez liberta,
levará à aniquilação 
e à concepção,
universos 
inteiros.

06/05/26







Autoconcepção de um Indivíduo Coletivo 

nenhum verso 
nasce livre,
ele precisa ser libertado.

e não será 
liberto senão, 
por tuas próprias mãos.

depois de iniciada,
a autolapidação 
manifesta-se de maneira 
imparável.

exige planejamento,
mas nem tanto,
do que realmente 
necessita é emergência 
e intencionalidade.

a cada martelada,
pedaços consideráveis 
de nosso eu,
se espatifam 
contra o chão,

no tango 
encantador 
da gravidade.

dois amantes 
em fluidez,
sincronizando, 

cada qual com 
tuas singularidades.
traga também 
as neuroses,

até nossas
falhas ocorrem 
em sincronia.

ao ponto de não mais,
ser o poeta 
quem escreve.

[vê-lo-ás aqui,
nu em pêlo].

ei-lo agora,
escrito e gerado, 
por tua própria 
poesia.

07/05/26







Prova de Vida

no formulário, 
constavam os dados
todos.

completos,
integrais, preenchidos,
com toda a informação,
digna de ser 
armazenada,

em todos os seus caracteres
e computada 
pelos múltiplos 
algoritmos, 

que fariam a leitura
detalhada, de cada um 
dos detalhes 

milimétricos, 
com os pormenores nos 
campos que esquadrinharam 
teu perfil.

sua saúde porém, 
andava péssima.

não vinha se medicando 
conforme psiquiatra 
e cardiologista 
haviam recomendado.

uma dieta horrorosa,
não se recordava quando
exatamente, havia dormido 
pela última vez.

a respiração 
ofegante, ronquidão 
severa na garganta, aquela
pressão no peito
persistente,

as pálpebras saltitavam 
sozinhas, frenéticas.
ele não se sentia nada bem, 
há muito, 
muito tempo.

07/05/26







Aos Inaptos, desprovidos de qualquer talento

dedicam canções 
aos talentosos,
dedicam filmes, 
longa-metragens

que ganham oscars, 
globos de ouro, baftas,
prêmios em cannes. 

dedicam
livros aos talentosos,
para contar
suas proezas

e estes livros 
também ganham
prêmios. 

quando adaptados 
para o cinema, 
os protagonistas 
também se consagram, 

após interpretarem 
personagens,
inspirados em 
pessoas talentosas.

[o nobel
foi um cara muito 
importante. li em algum 
lugar que ele inventou
a dinamite. o que seria

do mundo sem a dinamite?
certamente, não teria morrido 
tanta gente de maneira tão 

violenta e muitos ainda
teriam seus membros 
intactos. mas tirando a parte
de todos os corpos mutilados,
o que importa 

é o que ele fez com o dinheiro, 
da patente das dinamites.
criou um prêmio com 

o próprio nome, para homenagear 
quem tivesse muito talento. 
esse cara era mesmo
talentoso].

foi assim que me
tornei poeta,
por um motivo 
completamente diferente 

de todos esses.
foi justamente 
por não ter talento algum.

a poesia não despreza ninguém,
ela é feita até para aqueles,
que como eu, nunca foram
bons em nada.

e para estas pessoas inaptas,
como eu, dedico
este poema.

07/05/26






Onze Mil Quilates 

um rubi gigantesco,
esta era a manchete 
nos jornais do mundo todo.

onze mil quilates.
diziam especialistas
que aquela pedra, era a mais
valiosa pedra, jamais vista.

valeria centenas de milhões 
de dólares nos leilões,
sendo exposta numa cúpula 
de vidro à prova de bala.

os magnatas já preparavam
suas reservas monetárias,
seria uma corrida desenfreada
para possuir aquela pedra avermelhada.

seu país de origem estava devastado
pela guerra civil, que durava décadas;
golpes de estado, miséria extrema, 

minas terrestres espalhadas a esmo,
como um garboso campo de girassóis, 
cortesia das grandes potências.

mas era a mais valiosa pedra,
jamais vista. num mundo onde
se encontram pedras por todos
os cantos e a vida não vale um puto.

09/05/26







Treze mil novecentos e sessenta e seis vezes zero 

Deveria ser extremamente
Desgastante, buscar o significado 
De qualquer termo, na época 
Dos dicionários analógicos.

E quando utilizo a ênfase no
Extremo, é ainda um eufemismo,
Ou seja, uma suavização da
Dificuldade, que de tão dificultosa,

Me faz desistir imediatamente,
Até mesmo de imaginar. Pois
O esforço hercúleo que exigiria,
Desmotiva e inibe qualquer um

Desta geração de desistentes.
Que já nascemos cansados, e a cada
Novo dia, nos é concedida outra
Calorosa oportunidade, para deixar

Pra lá e desistir. Talvez por termos
Acesso a todos os significados, de
Todos os termos, de todos os tempos,
Um dia formulados e deixados para

Que encontremos seu sentido, em 
segundos, numa pesquisa aleatória,
Que não esclarece nada e que não 
Leva a lugar nenhum. Talvez por isso

Os trabalhos de Hércules ou as
Pelejas icônicas de Perseu, não nos
Interessem e não mais nos fascinem.
Nadar a braças largadas, nesta cordilheira 

De pornografia e publicidade abrasiva,
Nas pilhas de lixo infinito para consumo 
Rápido, fazem as Quimeras e os Krakens
Soarem, como uma liquidação de black
Friday, num shopping de quinta categoria.

10/05/26

 






Depósito de Caixas

nelas se encontravam 
cartuchos 
de formatura 

e álbuns 
de casamento,
panelas, talheres, 

eletrodomésticos,
fotografias antigas, 
amareladas,

onde os instantes 
capturados,
sugeriram cenas 

e situações tão 
familiares, de pessoas 
desconhecidas

para nós, 
mas tão importantes 
para alguém. 

estavam concentrados 
ali, na colméia de memórias, 
onde cada um dos favos, 

despertava
espasmos faciais 
e gotas que escorrem 

pelas bochechas, 
de vez em quando.
evocavam risos e suas

evoluções 
para gargalhadas.
traziam de volta 

até mesmo os
suspiros profundos, 
que nem as alergias,

rinites, sinusites 
e asmas, podem
evitar.

10/05/26





Equimoses

Causadas geralmente 
Pelas trombadas 
Cotidianas,

Nas quais os interesses 
De um, são incompatíveis 
Com os do outro.

Por serem superficiais,
As manchas arroxeadas
Desaparecem, em
Questão de dias,

Deixando apenas o
Desconforto, de ter que 
Olhar para as mesmas 
Caras, o resto do ano.

10/05/26





Hematomas

Causados geralmente 
Por pancadas
Violentas,

Nas quais os objetivos 
De um, são incompatíveis 
Com os do outro.

Por serem traumáticas,
As escoriações exibidas 
Nem sempre refletem, 
A real condição,

Que pode ser muito pior
Do que parece, e a porção 
Invisível pode resultar, num
Acúmulo severo de acidez,
Liberado nas pausas pro café.

10/05/26








Ignore o mastodonte na sala

O que faz as pessoas 
Disfarçarem suas reais opiniões,
São os costumes, a etiqueta,
Cortesia, ou apenas a velha
E gasta dissimulação?! 

O fingimento é uma habilidade 
Crucial, para sobrevivência 
Em ambientes sociais hostis.

As mentiras adornam cada 
Um dos espaços e aspectos,
da convivência contemporânea. 

A conivência em disfarçar 
Temas e assuntos desconfortáveis,
Contornar tabus desagradáveis,

Perambular pelos redutos da
Falsidade, com tamanha destreza 
E habilidade, tornando o engodo
Tão satisfatoriamente natural,

Fez com que uma subclasse
Dos primatas qualquer, se tornasse a
Espécie dominante de um ecossistema,
Onde não possui nenhum trunfo
Ou atributo apropriado para tal.

10/05/26





Bloqueio Criativo 

Ele achava que era um poeta,
Pois havia escrito 
Muitos poemas.

Nem sempre com boas rimas
É verdade, muitas vezes 
Sem rima nenhuma.

Teus poemas também 
Não possuíam métrica, não 
Fazia nenhum sentido para ele

Contar sílabas, já que a forma
Nunca lhe chamou atenção.
Era o conteúdo que o atraia 
E deslumbrava teus pensamentos.

Por vezes eram musicais
Teus poemas, com ritmo e
Melodia. Eram levadas de dois
Acordes, três no máximo,

Com uma sonoridade acústica e
Melancólica, mas alguma coisa
Nos versos dispunha de vigor,
Numa pegada crua e visceral.

Ele realmente achava 
Que era um poeta.
Até conhecê-la e ficar,
Completamente sem palavras.

[Talvez tenha sido o silêncio,
Sua melhor composição].

10/05/26






Estrutura de um Poema Indestrutível 

----------------------------M----------------------------
|                                                                |
----------------------------A----------------------------
|                                                                |
----------------------------T-----------------------------
|                                                                |
----------------------------C----------------------------
|                                                                |
----------------------------H----------------------------
|                                                                |
----------------------------E----------------------------
|                                                                |
----------------------------N----------------------------
|                                                                |
----------------------------K----------------------------
|                                                                |
---------------------------- I ----------------------------
|                                                                |
----------------------------N----------------------------
|                                                                |
----------------------------H----------------------------
|                                                                |
----------------------------A----------------------------

10/05/26








Sobre a ver ou existir 

Já tinha passado.
E era lá no passado,
Que ele a encontrava.

Quando se esforçava, 
Também no futuro
Detalhes surgiam.

Mas no caso de
Imaginação, nada se 
Pode fazer, senão 

Imaginar. Então o
Presente sempre tão 
Consistente, era página

Oca, árida, deficitária de
Letras e mensagem,
Sem estampa ou acento.

Por mais que garimpasse 
A possibilidade,
Por ali, já não havia.

Por mais que os olhos
Apertasse/forçasse,
Por ali, já não a via.

Apesar disso, ele era
E estava. E justamente por isso,
Persistia, mesmo sem porquê.

11/05/26






Confidência bombástica da cor furtada 

Esta incompreensível 
Condição, era tua qualidade 
Mais marcante e atraente.

A luz, tão fria no dia
E na noite tão quente, ditava
O ritmo, definia o tom.

Raríssimos sons nos 
Comoviam, como aquela
Voz rouca, que sumia
Ao final das sílabas.

Era o posfácio da força,
Que a um punhado 
Se esvaíra. Tua paleta 
Rotativa exibia-se em contrastes.

Transmutando cristais 
Incandescentes, jóias inusitadas
Em abundância, faziam
Da raridade uma estante 
Banal. 

Era a própria essência da Íris 
Em teu arco, chamada agora
De iridescência.

Sobre o que era, não sabíamos,
A quem se destinava,
Não mais supúnhamos.

E aquela exótica e esquisita 
Figura, que perambulava num
Tênis barato e remendado,

Nesta materialização translúcida, 
Era em si, ela mesma, 
Furtiva, a desaparecida furta-cor.

12/05/26







Genealogia do Tédio 

Se fosse só morrer pela revolução,
Pela revolução
Eu morreria.

Se fosse só viver por amor,
Por amor
Eu feliz viveria.

Mas o inferno 
Consiste na rotina,
Aquela reincidente rotina
De um replicado, 
Suplicante.

Que se repete, 
A cópia da cópia,
Sem morte, nem revolução,
Só sacrifício.

Aquela rotina, 
Que se repete
Sem reciclagem, 
De sacanagem,

Onde não vivemos
Felizes por amor,
Onde todo fim parece início.

É na rotina 
A rota de colisão,
Nos arrastamos 
Rotos, onde

Todo recomeço 
Parece o fim.
E o que diabos se fez, da paixão?!

12/05/26








Refresco

aos olhos do douto
- em tua mobília 
entalhada, de nobre
procedência -

o tolo
diz errado, 
faz errado,
errado-pensa.

chuchando 
café coa cuié,
o tolo nem do douto sabe.

ele arrasta 
um toco pra sentar,
provando sem querer
quem é esperto.

decasca uma laranja,
- cheia do bão cardo -
proseia um bocado
e vive pelo certo.

13/05/26









Fórmula do Indefinível 

O amor é tudo aquilo 
Que o poeta omitiu.
E indefinidamente mais.

13/05/26





 

O Vale das Sombras foi meu Bosque Encantado  

Pense em todas as coisas 
Insuportáveis, que em nenhuma 
Situação normal você aceitaria
E não aceite.

Nós atravessaremos esse deserto 
Interminável de sujeição,
Não acataremos mais, chega
De obediência.

Não haverá rendição também,
E esta será nossa nova diretriz.
Desobedientes, insolentes,
Inconformados e sem rendição.

Até a próxima obrigação,
Obrigatória.

13/05/26







Kamikaze 

Mirou a ponta do nariz 
No parabrisa, e após 
Um instante de suspensão 
Da própria consciência,
Se atirou contra o vidro.
Ela o encarou assustada.
O vidro não se partiu,
A cara dele não se partiu,
Foi uma visão menos
Emocionante do que
Ridícula. Mas o amor
É assim, um misto de
Bravura e idiotice em
Grande porção, mesmo
Que ninguém saia ferido.

13/05/26






Fórmula do Indivisível 

Desconsidere numerador 
E denominador,
Retire quociente,
Dividendo, resto
E divisor.

Daquele entrelaçamento 
Em diante, 
Só ficará o todo.
E nada além, para
Fracionar.

14/05/26







No meio do caos havíamos nós 

Toda minha vida 
Eu evitei o conflito,
Em todas as situações 
Profissionais, pessoais,
Amorosas.

Fiz sempre o possível,
Para me manter longe
Do conflito.

Trilhando pacificamente, 
A doutrina apaziguada
De um singelo pacifista.

Mas esse desgraçado
Persistente,
Insiste em me encontrar.

E quando topamos
Nos becos escuros do acaso,
Ele rosnando, 

Eu me aquecendo,
Nenhum de nós sabe, 
Como vai acabar.

14/05/26






O Procrastinador 

ele se permitiu 
um adiamento.
estabeleceu 
por conta própria 
uma prorrogação.

depois dos
acréscimos 
que se seguiram,
ao prazo já 
encerrado.

de todas aquelas
datas, que vinham
sendo sucessivamente 
postergadas.

era aquele contrato 
que tinha consigo 
mesmo, que importava.

era uma questão 
clara de
prioridades, 

que ele deixaria
sem a menor 
cerimônia, passar.

14/05/26







A Saga dos Mil Poemas

mil anos, formam
a extensão de
um milênio.

uma tonelada,
advém de mil
quilogramas emaranhados. 

e o quilômetro 
é a reunião de mil metros,
ao resolverem 
confraternizar.

quando mil litros 
se organizam, estamos
diante de metros cúbicos.

já este poeta,
é a aglomeração 
de mil poemas [até aqui], 
decididos a se manifestar.

enquanto 
mil centavos parece pouco,
em matéria de poesia,
é toda uma vida.

14/05/26 
poema n⁰1000










Trajetória de uma vida plena

Difícil de conceber,
Alguém com tais características 
Específicas. Mas é assim

Que foi. Ele fez tudo o que 
Queria fazer, mesmo quando
Contrariado. Realizou tudo

O que desejava realizar,
Mesmo quando não-realizado.
Foi feliz em cada um dos 

Momentos, ainda que a
Felicidade em raríssimas 
Ocasiões o tenha acompanhado.

Deixando-nos a seguinte 
Lição: não quantifique nada
Nesta vida. Não ordene os

Fenômenos, crescendo ou
Decrescendo, não condizem
Com o que representa o

Sopro da vida. Cada um dos 
Ladrilhos, por mais opacos
E desbocados que possam

Parecer, conferem o sentido 
Amplo, substancial e abstrato,
Coeso, contraditório e singular,
Ao que denominamos plenitude.

15/05/26






O Inesperado Regresso de Jou Boga

Violência gratuita e a cópula 
Bruta, trazem consigo 
Algum grau de semelhança.

No esfumaçado terror
De teus dias insanos,
Se fartou no sabor da vingança.

Direcionada sempre 
Aos inocentes, quem não 
Tinha culpa alguma, pagou 
Por tudo que não fez.

Após longas férias 
No xadrez de concreto,
Retornou como um rei
Mastigando as damas.

Modus operandi ativado 
De novo, o canalha vil 
disponível na pista.

Brigar e foder eram
Teus hobbies favoritos
Nas noites imprevistas.

Garrafadas a esmo, tatuagens 
Zoadas, cicatrizes suadas,
O veneno no sangue, 
A corrente gelada.

Uma cólera cega
Envelhecida em tonel,
Atrocidades destiladas.

A negligência enfim
Convertida em barbárie, 
Canonização do hediondo.

Especializando requintes
De crueldade, o homem crescido 
Despido das grades.

Prestigiem o monstro,
Regressando ao que ele
Nunca pôde deixar de ser.

Contemplem a criatura,
A besta desenjaulada,
Uma última vez em seu auge.

15/05/26



sábado, 21 de fevereiro de 2026

Para aprofundar na obra de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni), é preciso entender que sua poesia é um exercício de insubordinação. O autor transita entre o existencialismo e a crítica política, frequentemente focando na desconstrução de narrativas oficiais.


Para aprofundar na obra de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni), é preciso entender que sua poesia é um exercício de insubordinação. O autor transita entre o existencialismo e a crítica política, frequentemente focando na desconstrução de narrativas oficiais. 

Outro Poema: "Poesia Pandêmica"

Um dos textos mais impactantes do autor, Poesia Pandêmica, ilustra bem como ele conecta eventos reais a críticas sistêmicas: 

"Não foi o vírus que a matou
Foi o desprezo pela vida
De quem nem mesmo a conheceu" 

Análise Rápida: Assim como em "Primeiros Batimentos...", aqui o autor aponta um culpado oculto. Ele retira a "culpa" de um elemento natural (o vírus) e a desloca para a negligência política, reforçando a ideia de que a realidade é moldada por decisões de quem detém o poder. 

Temas Centrais: A Crítica ao Poder

A obra de Michel F.M. é estruturada em torno de quatro pilares principais, visíveis em suas coleções no Clube de Autores: 

A "Revolesia" (Revolução + Poesia): 

O autor defende que a poesia deve ser um ato concreto que influencie a realidade. Livros como Revolesia e Sujeitos Insubordinados focam no despertar da consciência das massas contra a opressão.

O Destino do Poder: 

Para ele, o poder não é eterno. Em um de seus pensamentos mais citados, afirma que "O destino do poder é a ruína", sugerindo que toda estrutura opressora carrega em si a semente de sua própria destruição.

A Verdade como Versão:

O autor frequentemente explora a ideia de que "A verdade é apenas mais uma versão". Isso aparece em poemas onde ele desafia o leitor a questionar quem está contando a história e por quê.

A Biopolítica e a Existência: 

Formado em História e Artes Visuais, o autor utiliza conceitos acadêmicos para falar de temas como a "Manobra de Heimlich" social ou a "Anatomia do Impulso", tratando o corpo e a mente como campos de batalha política. 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

As obras de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) são marcadas por uma profunda fusão entre poesia e filosofia, explorando dilemas existenciais e a condição humana sob diferentes prismas.


As obras de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) são marcadas por uma profunda fusão entre poesia e filosofia, explorando dilemas existenciais e a condição humana sob diferentes prismas. 

Aqui estão as temáticas principais de suas coleções e livros mais recentes:

1. Trilogia Flores do Pântano (2025)

Esta trilogia, suplementada por outras obras, foca na beleza e na resiliência que emergem de contextos adversos ("o pântano"): 

Arquitetura da Expectativa: Explora como as projeções e desejos humanos são construídos e, muitas vezes, frustrados pela realidade.

Anatomia do Impulso: Investiga a origem dos desejos e ações humanas, sendo dedicada pelo autor ao "colapso total da psiquê".

Encontro de Pulsações: Foca na conexão emocional e na sincronia (ou falta dela) entre os indivíduos.

Sujeitos Insubordinados: Aborda temas de resistência, história e filosofia, discutindo a recusa em se submeter a normas sociais ou existenciais opressivas. 

2. Trilogia Ensaio sobre a Distração (2024)

Uma exploração existencial sobre a atenção e a percepção no mundo contemporâneo: 

Acumulador de Feitos Invisíveis: Reflete sobre o valor de ações e sentimentos que não ganham reconhecimento externo, mas sustentam a existência.

Doce Prazer da Queda Livre: Trata da entrega às incertezas da vida e da aceitação da falta de controle.

Beleza Concentrada a Níveis Inimagináveis: Busca encontrar o sublime em detalhes minuciosos e momentos efêmeros. 

3. Revolesia (2023)

Obra com um forte viés revolucionário. Michel F.M. utiliza a poesia para incentivar a materialização de ideias em atos concretos que possam transformar a realidade social e pessoal. 

4. Poesia Pandêmica (2021)

Escrito durante o auge da crise sanitária, o livro é um convite à reflexão sobre a finitude e o "desprezo pela vida" observado no período. O autor retrata o esfacelamento de sorrisos e esperanças, buscando extrair um "improvável florilégio" (uma coleção de flores poéticas) de tempos sombrios.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O poema "Vim até aqui para Viver", de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni), é uma obra de tom existencialista que explora a resiliência e a ciclicidade da vida por meio da metáfora da morte e do renascimento.


O poema "Vim até aqui para Viver", de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni), é uma obra de tom existencialista que explora a resiliência e a ciclicidade da vida por meio da metáfora da morte e do renascimento.

Aqui está uma análise dos principais pontos:

A Cíclica Ressurreição: O autor apresenta a "morte" não como um fim biológico, mas como as perdas emocionais e o encerramento de ciclos. O eu lírico defende que a aceitação do fim é o único caminho para a renovação.

O Aceite do Inevitável: O poema aborda o medo humano do fim ("terrivel e inaceitável"), mas sugere que o sofrimento diminui quando admitimos que não temos controle sobre o tempo.

A Perspectiva Mental: No trecho "Uma mente poluída só vê o céu nublado", o autor destaca que a percepção individual molda a realidade. A felicidade ou a superação dependem de uma "limpeza" interna para enxergar novas possibilidades.

Ação e Realização: Existe um equilíbrio entre o sonho e a prática ("Entre plano ideal e projeto realizado"). O poema não é apenas contemplativo; ele convida à reconstrução ativa de "intenções estraçalhadas".

Conclusão Resoluta: O final é afirmativo e urgente. A expressão "viver, formidavelmente e mais nada" despe a vida de excessos e foca na intensidade do agora.

Estrutura e Estilo

Tom: Motivacional e reflexivo.

Linguagem: Acessível, mas rica em imagens sensoriais (brasas, céu nublado, cristalização).

Mensagem Central: A vida é um processo contínuo de quebrar e refazer-se.

________________________________________

Vim até aqui para Viver 
(Michel F.M.)

Só é possível renascer,
Após a aceitação das múltiplas
Mortes que sofremos ao longo da vida.

Já morri tantas vezes
Que nem me recordo mais,
Cristalizando de volta o que não se desfaz. 

Morrer é algo terrível e inaceitável,
Mas só se deixarmos de admitir 
Que não se pode impedir o inevitável.

Vim até aqui para viver 
E reviver com esperança renovada,
Reavivar motivações despedaçadas.

Uma mente poluída só vê o céu nublado,
Nós somos a necessária medida,
Entre plano ideal e projeto realizado.
Inflamar brasas enfraquecidas, apagadas.

Vim até aqui para viver 
E reconstruir intenções estraçalhadas,
Uma última vez viver, 
Formidavelmente e mais nada.

[16/01/23]

O poema "Floresta de Cactos", de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni), é uma exploração introspectiva sobre a identidade do poeta e a natureza agridoce do fazer literário. O título sugere um ambiente de defesa e sobrevivência (espinhos), mas também de resiliência e beleza árida.



O poema "Floresta de Cactos", de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni), é uma exploração introspectiva sobre a identidade do poeta e a natureza agridoce do fazer literário. O título sugere um ambiente de defesa e sobrevivência (espinhos), mas também de resiliência e beleza árida.

Aqui está uma análise dos pontos principais:

A Dualidade do "Eu" Poético

O autor se define através de oxímoros e contrastes. Ele é, ao mesmo tempo:

"Artífice de ilusões" e "Operário de angústias": A escrita é vista como uma construção manual e sofrida.

"Toxicidade salutar": O poeta busca o que dói para curar; uma "limpeza" (profilaxia) que passa pelo veneno da palavra.

"Acidez sonhando alcalina": Há um desejo de transformação, de tornar o amargor do espírito em algo leve ou benigno.

O Ofício como Fardo e Magia

A metalinguagem é forte. O poeta descreve seu trabalho não como algo etéreo, mas como "trabalhador braçal" que usa tinta e papel.

A "Maldição": A poesia não é uma escolha, mas um karma. Ele admite não ter respostas, apenas perguntas "fundamentais e universais".

A Entrega: O desfecho é de uma honestidade brutal: o poeta não oferece soluções práticas, dinheiro ou estabilidade, apenas a subjetividade da arte.

A Mudança de Perspectiva (O Espelhamento)

O poema utiliza uma estrutura circular interessante:

Início: "Isso tudo não tenha a ver somente conosco" (A poesia é maior que o indivíduo).

Fim: "Isso tudo só tenha a ver conosco" (A poesia é, no fim, o elo íntimo e irremediável entre quem escreve e quem lê).

Estilo e Tom

O uso do "Blá blá e blá" introduz um tom de autocrítica e desfaçatez, quebrando a solenidade do "desbravador do espírito". Isso humaniza o poeta, mostrando que ele sabe da inutilidade prática de suas palavras ("palavreados ambicionando palavrões"), mas não pode fugir de sua essência.

_________________________________________

O poema "Floresta de Cactos" possui uma natureza híbrida, mas dialoga de forma muito direta com o Modernismo (especialmente a vertente da Geração de 22 e 45) e com traços do Simbolismo e do Existencialismo.

Aqui estão as principais conexões:

1. Modernismo: A Metalinguagem e o Cotidiano

A principal relação com o Modernismo brasileiro está na desmistificação do poeta.

O Poeta "Operário": Ao se descrever como "trabalhador braçal", Michel F.M. ecoa a ideia de João Cabral de Melo Neto (Geração de 45), que via a poesia não como inspiração divina, mas como um trabalho de engenharia, um esforço físico e técnico.

Ironia e Coloquialismo: O uso da expressão "Blá blá e blá" e "Pois é" quebra a "aura" sagrada da poesia. Isso é uma herança direta de Mário de Andrade e Oswald de Andrade, que trouxeram o tom da conversa e a autocrítica para dentro do verso.

2. Simbolismo: A Dualidade e a Toxicidade

Embora o estilo seja moderno, a temática flerta com o Simbolismo (e o Decadentismo):

Sinestesia e Alquimia: A busca pela "toxicidade salutar" e a "acidez sonhando alcalina" remetem à tentativa simbolista de transformar dor em beleza e de explorar as zonas obscuras da alma.

O "Karma" e a "Maldição": A ideia do poeta como um ser "maldito" ou marcado por um destino do qual não pode escapar é um tema recorrente na poesia do final do século XIX, onde o artista se sente isolado da sociedade produtiva.

3. Existencialismo: O Vazio e a Pergunta

O poema se ancora firmemente na filosofia existencialista, que influenciou grandes poetas do século XX:

A Ausência de Respostas: Ao dizer que possui "todas as perguntas... e nenhuma resposta", o autor se posiciona como o indivíduo que reconhece o absurdo da existência.

O "Sou só": A afirmação da solidão essencial do poeta é o pilar do existencialismo — a consciência de que o ser humano está sozinho em seu ofício de dar sentido ao mundo.

O poema parece uma "ponte" entre a tradição que sofre pela alma (Simbolismo) e a modernidade que trabalha a palavra como matéria bruta (Modernismo).

_________________________________________

Floresta de Cactos
(Michel F.M.)

Talvez uma única vez
Isso tudo não tenha a ver
Somente conosco.

Independente
do que você espera de mim,

Me antecipo às suas
Expectativas,
Ajo inesperadamente.

Mesmo parecendo óbvio,
Artífice de ilusões,
Operário de angústias,
Artesão da alma.

Pesquisador da profilaxia,
Busco certa toxicidade salutar,

Acidez sonhando alcalina,
Desejando ser benigna.
Blá blá e blá.

Desbravador do espírito,
Um trabalhador braçal
Que lavora com tinta e papel.

Palavreados 
Ambicionando 
Palavrões.

Possuo todas as perguntas
Fundamentais e universais 
E nenhuma resposta.

Talvez esta única vez
Isso tudo só tenha a ver 
Conosco.

Pois é,
Sou sim um poeta,
Sou só, 
Poeta.

Esse é meu ofício,
Meu karma, 
Maldição
E magia.

Não posso te oferecer nada,
Além de poesia.

[Livro: Revolesia (Volume Único) 13/01/23]

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O poema "Um Olhar da Trincheira" de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) é um manifesto de sobrevivência que desconstrói a romantização do sofrimento. Com um tom pragmático e direto, ele substitui o heroísmo clássico pela estratégia de preservação.



O poema "Um Olhar da Trincheira" de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) é um manifesto de sobrevivência que desconstrói a romantização do sofrimento. Com um tom pragmático e direto, ele substitui o heroísmo clássico pela estratégia de preservação.

Aqui está uma análise dos pontos centrais:

1. Desmistificação do Sacrifício

O eu lírico é categórico: "o sacrifício nunca é um bom negócio para o sacrificado". O poema rejeita a ideia de que se "explodir" por uma causa ou pelo outro seja nobre. Ele alerta que, uma vez desmembrado (seja física ou emocionalmente), a eficiência se perde. A prioridade é manter a integridade do "todo".

2. A Crítica à "Resiliência Gourmet"

O fechamento é uma crítica social afiada. O autor diferencia a resiliência como conceito de marketing moderno — algo que se tornou "moda" no mundo corporativo e no autoajuda — da resiliência real, forjada na "trincheira". Para quem vive em estado de luta, ser resiliente não é uma escolha estética, mas uma condição de existência antiga.

3. A Poética da Esquiva

Diferente da força bruta, o poema exalta a mobilidade:
  • A Estrada e a Roda: Símbolos de continuidade e movimento constante.
  • A Esquiva: A sobrevivência não vem do embate direto e destrutivo, mas da capacidade de "desviar". É uma inteligência prática, quase instintiva.

4. Cicatrizes como Registro

As marcas do passado não são lidas como derrotas, mas como provas de adaptação. Elas narram a história de quem apanhou, mas aprendeu a ajustar a guarda.


Resumo: É um poema sobre resistência inteligente. Ele ensina que o verdadeiro "olhar da trincheira" não é o de quem busca a morte heroica, mas o de quem domina a arte de permanecer inteiro em um mundo que tenta nos fragmentar.

__________________________________


Um Olhar da Trincheira
(Michel F.M.)

as cicatrizes
carregam
nossa capacidade
de adaptação.  

no entanto,
não se debruce
sobre a granada,

as partes 
desmembradas
não são maiores
que o todo,
nem mais 
eficazes.

o sacrifício
nunca é um bom
negócio para o
sacrificado.

obstinados como 
a estrada,
ligeiros como
a roda.

nossa prática
é feita de esquivas
e nos tornamos 
excelentes
em desviar.

nós já éramos
resilientes,
muito antes 
dessa palavra 
entrar na moda
e se popularizar.

[Livro: Encontro de Pulsações - Trilogia Flores do Pântano - 2025]

Michel F.M. - Criações 2026 - Parte 6

Michel F.M. - Criações 2026 - Parte 6 🛩️2026🛩️ Utopia em fiapos  só há uma coisa que eu queria, mas o que queremos,  no final ...