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terça-feira, 16 de junho de 2026

Bruno Michel Ferraz Margoni (também conhecido pelo pseudônimo Michel F.M.) é um premiado escritor, poeta, músico, editor e professor brasileiro. Ele possui um amplo envolvimento na literatura contemporânea independente nacional e internacional.


Bruno Michel Ferraz Margoni (também conhecido pelo pseudônimo Michel F.M.) é um premiado escritor, poeta, músico, editor e professor brasileiro. Ele possui um amplo envolvimento na literatura contemporânea independente nacional e internacional. [1]

Carreira e Destaques

  • Atuação: É fundador da Editora Antologias Conectatum, criador do Projeto Movimentalize, idealizador do Prêmio de Literatura Coleção Opostos e atua como professor na rede pública de SP. [1]
  • Produção Literária: Autor de mais de 30 livros publicados, incluindo a Série Eclipse Vital e a Trilogia Coleção Opostos (Na Textura Sólida das Nuvens, Na Frieza do Magma e Amarga Doçura). Outras obras incluem Esplêndida Face Magnífica, Anatomia do Impulso e Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas. [1]
  • Reconhecimentos: Membro vitalício da Academia Independente de Letras, laureado com a medalha Máximo Gorki e comendador pela Ordem Literária Scriptorium. [1]

Para aprofundar na biografia e na trajetória de Bruno Michel Ferraz Margoni (Salto, 13 de fevereiro de 1988), conhecido no meio literário pelo pseudônimo Michel F.M., é preciso compreender sua atuação multifacetada como escritor, editor independente, educador e acadêmico imortal. [1, 2, 3]

Abaixo estão os detalhes aprofundados sobre a sua formação, pilares literários e projetos de fomento cultural:

1. Origem e Formação Acadêmica Plural

Filho de ativistas sociais de Salto, interior de São Paulo, o autor construiu uma bagagem acadêmica extensa e diversificada para fundamentar seus escritos filosóficos e artísticos. Ele é graduado em cinco áreas distintas: [1, 2]
  • Comunicação Social (Publicidade e Propaganda).
  • História e Filosofia.
  • Artes Visuais e Educação Física.
  • Especializações: Possui pós-graduação em Psicologia aplicada à Educação Física e ao Desporto e em Metodologia do Ensino de Arte. Além disso, ingressou no programa de Mestrado Profissional em Educação Física pela UNESP. [1, 2]

2. Estilo Literário e Pseudônimo (Michel F.M.)

Ele começou a compor aos quinze anos de idade. Sob o pseudônimo Michel F.M., ele se autodefine de forma irônica como um "Perito em Contradições, Sujeito Insubordinado, Mestre dos Pretextos e Rimante por acidente". [1, 2]
  • Abordagem: Suas poesias e crônicas misturam existencialismo, filosofia cotidiana, críticas sociais e o lirismo das conexões humanas.
  • Trilogia de Destaque: A chamada Trilogia Mestre dos Pretextos sintetiza bem seu tom contestador. Ela é composta pelos livros Delírio Absoluto da Multidão Atônita, Pacífico em Brasas e Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas. [1, 2]
  • Outras séries: O autor publicou compilações marcantes como Ensaio sobre a Distração (Vol. 1 e 2), Poesia Pandêmica e (des) Rimando. Suas obras integram o acervo de Literatura em Língua Lusófona da Biblioteca Nacional da França (BnF), tendo exposto trabalhos em Paris. [1, 2, 3]

3. Editora Antologias Conectatum e Fomento Literário

Como editor-chefe da Editora Antologias Conectatum, Bruno Margoni atua diretamente abrindo portas para novos talentos da literatura nacional. [1]
  • Antologias Coletivas: Ele projeta e organiza volumes que condensam poemas, contos e crônicas de centenas de autores contemporâneos independentes. [1]
  • Grandes Coletâneas: É o responsável direto pela organização da Série Eclipse Vital e da aclamada Trilogia Coleção Opostos (composta pelos livros Na Textura Sólida das Nuvens, Na Frieza do Magma e Amarga Doçura). [1]
  • Premiações: Através do Prêmio de Literatura Coleção Opostos e do Projeto Movimentalize, ele gerencia concursos literários que distribuem reconhecimentos e dão visibilidade a escritores que estão fora do circuito das grandes corporações editoriais. [1]

4. Honrarias e Sociedades Literárias

O impacto de sua produção e curadoria editorial rendeu posições de destaque no cenário de academias independentes: [1]
  • Imortalidade: É Membro Vitalício e Acadêmico Imortal da AIL (Academia Independente de Letras), onde ocupa a Cadeira 193 (batizada por ele de Conectatum). É também membro-fundador da Academia Intercontinental Sênior de Literatura e Arte (AISLA). [1, 2]
  • Medalhas: Foi condecorado com a prestigiada Medalha Máximo Gorki, recebeu a Comenda da Ordem Literária Scriptorium e o Título de Referência Literária no Prêmio Apontador: Evidências Literárias. [1]
  • Prêmio Jabuti: Já figurou como autor convidado em ações e painéis do tradicional Prêmio Jabuti. [1]

Atualmente, ele concilia a intensa rotina de publicações na plataforma Clube de Autores e UICLAP com o cargo efetivo de professor na rede pública de ensino do Estado de São Paulo. [1, 2]

sábado, 30 de maio de 2026

Bruno Michel Ferraz Margoni, conhecido pelo nome artístico e literário Michel F.M., é um artista e pensador brasileiro extremamente versátil


Bruno Michel Ferraz Margoni, conhecido pelo nome artístico e literário Michel F.M. [1, 2]

Ele é um artista e pensador brasileiro extremamente versátil. Se você o conhece, é bem provável que seja por alguma de suas muitas facetas:
  • Música: Ele é cantor e compositor, com diversas músicas registradas e disponíveis em plataformas de letras (como o Letras.mus.br).
  • Literatura: É autor, poeta e antologista, além de membro-fundador de academias de literatura e arte. Você pode encontrar seus livros em plataformas como a Clube de Autores ou na Amazon.
  • Frases e Pensamentos: É bastante citado em plataformas de reflexão e citações, como o Pensador. [1, 2, 3, 4, 5]
Além disso, sua formação é multifacetada e interdisciplinar: ele é graduado em Comunicação Social, Educação Física, Filosofia, História e Artes Visuais, e atua também como professor, pesquisador e comunicólogo! [1]

sábado, 2 de maio de 2026

Michel F.M. - Poemas 2026 - Parte 3


Michel F.M. - Criações 2026 - Parte 3 

✴️2026✴️



Sobre Ácaros e Películas 

Em qual classificação 
Você enquadra tua vida,
Quando a rotina parece um
Cenário daqueles filmes ruins?

Aqueles que não ganham
Prêmios, nem atravessam 
O tapete vermelho, sem estrelas
Na calçada ou belos pôsteres 
De divulgação.

Não existem personagens 
bem definidos, onde sacamos
De primeira, quem é quem.
A complexidade está na
Dificuldade de interpretá-los,

Ou antes disso, fazer a leitura 
Do que querem e porquê.
Trombamos com vilões 
E anti-heróis a todo instante

[Sem reconhecer que somos
Nosso maior arqui-inimigo].
Um clímax fraco e confuso,
Que te coloca na sinuca, de não 

Saber se a oportunidade virá 
Ou já se passou, enquanto você 
Se desencontrava em tuas decisões, 
Que em nenhum episódio 
Chegaram a ser opcionais.

Mas depois das décadas de
Ostracismo e a sensação que
Desapareceram os negativos originais,
Alguém surge com uma cópia 

Digitalizada, retirada de alguma 
Estante anônima e empoeirada,
Nos fazendo reconhecer que 
Aquela velharia bizarra, era
Na verdade, um clássico.

20/04/26





A Eira e a Beira de um Literato 

Os ultraprocessados
Não eram um problema,
Nem só de glutamato monossódico 
Vive o escritor descartado,

Mas de todo jejum e abstinência 
Que for obrigado a fazer.
Havia chegado a conta
De teus excessos em boemia,

Mas as dívidas e sucessivas 
Inadimplências que se piramidavam 
No capacho, não eram piores
Que os e-mails de recusa
Automáticos das editoras,

Ou as cartas de oferta dos
Empréstimos consignados,
Misturadas aos panfletos de uma
Gama sortida de seitas religiosas,

Que te prometiam a salvação 
E arrebatamento prum condomínio 
Divino, com lagos, bosques e

Famílias inter-raciais se abraçando, 
Cercadas por leões, tigres, elefantes, 
Ursos e coalas domesticados.

No mesmo dia em que teve publicada 
Num jornal fuleiro, uma crônica de vida
na Era pós-industrial e seus resultados 
Pruma existência precarizada,

Acometeu-lhe a mais pacata morte
Por hábitos desregrados,
Que alguém algum dia
Pode presenciar.

20/04/26






Objeto Rastejante Não Identificado 

Mesmo com as
Sovas constantes
E imobilizações,

O queixo é duro,
As juntas potentes.

Nas tentativas 
Inesgotáveis de
Lavagem cerebral,

Não se enxágua
O impermeável.

Os manuais de
Conduta e a explícita
Doutrinação que se segue,

Só inspiram o desafeto,
Nos instruem
No desaforo.

Mesmo com as
Podas constantes
E enquadramentos,

Dos caules 
fatiados à foice,
Brotamos.

Enquanto houver raízes,
Nos enraizaremos.

Apesar da linha
Traçada, das cercas
Erguidas, fixados mourões,

Que vem em metal, 
Concreto ou madeira, 
Contorça alambrados.

Ainda que as fronteiras 
Nos impeçam 
De passar,

Ainda que as placas
Nos proíbam 
De seguir,

Enganamos guaritas,
Cavocamos buracos,
Na lama enfiados e firmes.

Persistimos na tarefa
Insistente de sermos
Quem somos, 

Ainda que remendados,
Pra sermos
Nós mesmos.

E nenhuma tecnologia 
Terrestre ou alienígena,
Pode deter nossa insolência.

21/04/26




Na vitrine um vapor dissipado 

quão assombrosa 
era a detecção, de um
momento extremo 
de felicidade.

o reconhecimento 
nítido de que aquele estado 
de espírito, provavelmente
jamais se repetiria.

a clareza destas 
situações tão raras, 
que surgem sem explicação, 

sem indícios vem e se formam
e de maneira instantânea se vão, 
não deixando vestígios.

21/04/26







Prosopopéia Perdida

Acendeu-se a luz, 
Seguida do calor
Que a vinha acompanhando.

As manhãs eram previsíveis,
Graças ao ritual
Que nunca falhava.

Das prateleiras repletas
Advinham os ingredientes,
Mas antes dali, de onde advinham?

Quando se encontravam
Na bancada do meio,
Iniciava-se a arte do remelexo.

Eram movimentos espasmódicos,
Com técnicas espalmadas,
Transmitidas por gerações.

Em último caso uma dança
De mãos livres, capturando 
As essências do que viriam a tornar.

O fogo já aquecido fazia tua parte,
[Grande descoberta humana]
Após resfriado, embrulho e sacola.

Nestes dias tão estranhos,
Quem dera o sonho de padaria,
Fosse ele mesmo ainda, livre para sonhar.

22/04/26






Becker

Exalava feromônios com uma
Intensidade, que atrairia
Dos arredores todos os predadores,
Num raio de milhões de hectares.

Desavisados chegariam
Prontos pro abate, não havia
Alpha mais dominante que ela.

Quem ousasse se aproximar 
Tornava-se presa, sem negociações,
Rendição total e submissão 
Àquela postura indomável.

Num jeans sovado, vinha descalça,
Madeixas azuis reviradas,
Com aquele tecido solto,

Despejado por cima dos mamilos 
E como eles dançavam 
Coreográficos.

Desastres naturais ocorreram
Muito mais tímidos e sutis,
Causando muito menos estrago.
Desejava ser lancinado por tuas

Chamas, mas por hora, me contentaria
Com a devastação controlada
Que me causava.

22/04/26






Mosaico de um Melodrama 

as lágrimas desabaram 
como granizo 
em teto solar, 

numa tempestade de verão,
despedaçando as angústias
que haviam sido 
acumuladas, 

naquela condensação 
desconfortável 
de frustrações e anseios.

passava a cobrar menos
de si mesmo, quando se recordava
que nem todas as histórias 
precisam de começo, meio e fim.

algumas narrativas são 
apenas fragmentos destrambelhados, 
de retalhos confusos ou cacos
arrastados de um canto pro outro.

sigo neste esforço contínuo 
por retirar os estilhaços restantes
de teu amor, dos esconderijos 
negligenciados em minhas vísceras.

23/04/26







Relatório minuscioso da Desimportância 

o sinal pulsava 
sucessivas vezes,
um xis vermelho que ia 
e vinha no visor, 

ninguém 
havia 
notado,

ninguém notaria, 
ninguém 
se importava 

ou se importaria.
quando uma máquina 
descarrega,

basta recarregá-la, 
não há segredos,
a dúvida reside 
na seguinte 

questão: o que fazer 
ao humano,
que acometido 

pelo esgotamento 
fundiu bateria 
e demais componentes.

com ele também 
ninguém havia notado,
provavelmente 
ninguém notaria, 

ninguém 
se importava 
ou se importaria.

23/04/26






Touché 

de vez em quando 
eu penso em largar
a porra toda.
dar o fora,

cair na estrada, 
chutar o balde,
meter o foda-se 
sem olhar pra trás.

mandar tudo 
pro espaço,
que vá tudo
pro inferno. 

daí eu penso 
de novo,
e não consigo 
pensar em nada
que faria, melhor 
que isso.

ou antes mesmo
de pensar em termos
do que é pior,
se não fizesse isso,
faria o quê?

e a resposta 
me escapa,
sem lição do erro,

sem resolução,
existindo no limbo
das oportunidades.

pareço um monge
recluso, desencontrado 
em minha própria 

perdição, meditando 
ao lado do puteiro 
mais próximo,
sem um puto do bolso.

o sistema fode
com nossa cabeça, 
de um jeito 
muito particular.

e assim vou ficando
por aqui e fazendo 
isso mesmo,
[o pisador de jacas,
soberano dos fodidos].

até que a porra toda
acabe sozinha, 
ou coisa melhor despenque 
na nossa cabeça.

23/04/26







Verso final de um Ex-poeta

prometi 
pra mim 
mesmo,

que só 
escreveria 
novamente,

quando 
tivesse 
algo agradável 
para dizer. 

[foi assim
que ele abandonou 
a poesia]

algumas 
promessas 
não fazem 
nenhum sentido.

24/04/26








Poema denso sem pontuação 

inescrupulosos estes gostos secretos que se revelam na companhia de nosso eu tão reservado todavia por vezes exibicionista e performático na maioria das situações banais e corriqueiras não que sejamos indivíduos desonestos ou enganadores mas já que mentimos para nós mesmos com tamanha frequência e naturalidade certamente não sobrará receio de mentir também para quem ocasionalmente chamamos de outro sempre buscando realizar os inúmeros interesses individualistas acabamos tropeçando nos objetivos personalizados de quem se importa somente consigo mesmo como nós nos importamos apenas conosco ainda que a empatia seja característica determinante da espécie humana fator crucial que nos permitiu atravessar continentes e nos multiplicarmos perpetuando nossas cômicas realizações das quais por sinal nos orgulhamos tanto faz diariamente com que em sua escassez e possível aparição residual mal possa ser detectada senão sob as lentes de um microscópio muito bem calibrado ficando praticamente impossível tua visualização a olho nu

24/04/26






Poesia Inerte 

feita de verso que não 
questiona
feita de estrofe que não 
reflete

feita de ideais que não 
incitam 
feita de faces que não 
se alteram 

feita de afetos que não 
se sentem
feita de fatos que não 
revelam

feita de toques que não 
excitam,
feita de frases que não 
te afetam

24/04/26





Muralha Intransponível Transposta

MuralhaIntransponívelMuralhaIntransponí
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25/04/26





Retorno de um Ex-poeta 
do autoexílio da não-poesia

Descumpro neste instante 
A promessa autoinfligida,
Garanto que qualquer outra
Promessa estará isenta de garantias.

Não se pode confiar em alguém 
Que mente para viver, mas 
Dizer a verdade quando ela
Tornou-se tão dispensável

E relativa, só pode ser um ato
De loucura descabida e neste lapso,
Não podemos mais confiar 
Nem na mentira ou no impacto 
Mentiroso que ela pode causar.

Em verdade vos digo: da palavra 
Só resta o ruído, pois toda mensagem
Por mais simples ou complexa
Que pareça, se dissolveu completamente 
Na questão de opinião.

Então que fique alarde por alarde,
Enquanto cantarolando altos louvores 
Todos os hipócritas fazem as pazes,
Distribuem teus sorrisos amarelos

E fecham aquela potente corrente
De oração. Aos que deixarem o recinto, 
Ao sair, não tropecem na demagogia.

25/04/26







Medusa Vive

No mundo perfeito 
Não há poesia,
Não faz sentido descrever 
A perfeição.

Ela é o fôlego 
Da monstruosidade,
A vingança das
Bestas mitológicas.

Só pode existir 
Na falha,
Só pode brotar na fresta.

Ela é consequência 
Da malcriação 
E das maldições.

Entre 
A contagem
De um nocaute

E todos os
Cretinos
Petrificados.

É do erro que ela surge,
Na imundície 
Que ela escorre
E se manifesta.

Vem do escroto
Que ela rompe,
Do embaçado 
Que ela salta.

Na paulada que ela quica,
Na secura
Ela goteja e pinga,

Do fedor então exala.
Respire fundo,
Não há poesia na perfeição.

25/04/26






Poema Terminal 

A metástase poética 
Havia ocorrido,
Enquanto ele ignorava
Todo o impacto destrutivo 
Daquela poesia marginal,
Armazenada em teu organismo.

Se espalhou silenciosa
Pelos vários compartimentos,
Atingiu glândulas e
Sistema linfático,
Estava ali o poeta
Posto num poema terminal.

Encurralado enfim
Por tua própria poesia,
Vivendo a derradeira contradição,
De ser finalmente extinto, 
Por quem há muito tempo 
O havia salvado.

25/04/26






Despacho de uma palavra muito complexa

O prefixo COM
Enviado primeiro,
Quem recebeu percebeu 
Algo errado.

Era notável a falta 
Do resto, talvez 
Transviado o pacote 
Tivesse.

Não é tão comum,
Geralmente acontece.
Onde será que estaria
O restante?

Quem embalou
O PLE radical, esqueceu na
Bancada o sufixo XÍSS.

Era praticamente um
Superlativo absoluto 
Sintético, abandonado 
No depósito a esmo.

A confusão no extravio 
Dos morfemas
Seria completa,

Se não fosse o acaso de
Ter por ali, a presença 
Improvável do estagiário,

Que notou uma coisa
Que ninguém notaria, 
Quem diria que o jovem
Era tão perspicaz.

Acabou que foi ele 
Embalando atração,
Que atraiu atenção de todos
Por lá.

Pois o IMA na caixa
Muito bem embalado
E mandou encomenda, 
Que tardava a chegar.

26/04/26








Sábio de Araque 

o conhecimento traz 
muito para luz,
só não traz a clareza.

ela não tem relação 
com claridade,
o excesso de luz só faz nos cegar.

estava certo quem disse,
que conhecimento 
é poder.

ele só esqueceu de mencionar
ou omitiu propositalmente, 
que o poder é uma coisa
terrível.

26/04/26






A Linha Tênue entre um Canalha e Outro

a majestade divina 
está nos caninos 
afiados

do predador, que dilacera
músculos 
e jugular.

por uma questão de princípios,
os princípios sanguinolentos
da vida

e da morte, do instinto
brutal que faz sangue 
jorrar.

mecanismos 
eficazes de terminação 
existencial.

o Todo-poderoso 
caprichou
em tuas criações.

o Altíssimo e a 
carnificina 
passeiam lado a lado.

abençoados sejam os leões,
em tua cova não há 
misericórdia.

mas não leve tudo isso 
muito a sério,
estas são apenas as observações 

de um canalha degenerado,
sobre as invenções 
de um canalha sem coração.

26/04/26






Poema Cítrico 

estava ali estanque,
o homem que viu a podridão 
do mundo.

e em vez de rezar,
escreveu outro poema ácido.

enquanto a noite caía,
ele apenas recostava com
teus pensamentos,

usufruindo dos benefícios 
de tua própria acidez.

26/04/26







A obra que nunca escrevi 

Ela poderia falar sobre a beleza,
É sobre o que as obras
Vem falando há milhares de anos.

Ou sobre a felicidade e a falta dela. 
Poderia falar sobre encontrar 
O que se busca, ou sobre
Os caminhos que te levam
Pra longe.

São tantos temas, que ficamos
Maravilhados com as 
Possibilidades.

Ela poderia falar sobre o feio,
Já que tanto foi dito sobre
O que é belo, ou falar sobre
Os sonhos, quando tudo
Te afasta da probabilidade,

De por ventura vir a se realizar.
A tristeza e o mal-estar, são 
Também uma fonte inesgotável 
De inspiração, servindo 
Como expurgo, extraindo da alma

Protuberâncias seborreicas, 
Que se prendem a nossa 
Percepção. Enfim, poderiam 
Ser tantas as facetas desta obra,

Materializando-se para o bem
E para o mal, em algo que inspirasse
Ou apenas revoltasse o leitor
[O grande objetivo é despertar reação].

Mas acabamos trupicando 
Em nossas tantas especulações,
Que não restou tempo para criar algo
Novo. E portanto te dedico, esta 

Não-realização. Sem dúvida alguma,
Uma obra divergente de todas
As outras [assombrosa], eis aqui a obra, 
Que nunca escrevi.

26/04/26









Segredo Universal: Revelado

não é a química 
ou a física,
que nos dará. 

nem a resolução 
dos cálculos 
e teoremas.

tua revelação não está 
nas religiões ou nas
escrituras.

nem ciência,
nem superstição
ou filosofia,

podem dar conta
desta máxima 
indissolúvel.

o segredo oculto, escondido e sigiloso 
de todo o universo observável 
e muito mais além,
é a oportunidade.

alguns poucos terão,
enquanto uma maioria 
esmagadora, simplesmente não terá.
oportunidade.

26/04/26







Um animal sarcástico esperando sua vez

duas refugadas
pra trás,
uma fungada
pra frente.

aqui, 
a vida é medida
pelo que perdemos.

são as derrotas 
que entram pra
contagem.

no patrimônio 
das lesões,
físicas e emocionais,

os únicos bens 
que possuímos, 
são os hematomas 
das rinhas

generalizadas, 
de onde não 
escapamos.

e as avantajadas 
decepções,
que ficaram 
incrustadas

em nossa mente,
como relíquias fósseis,
enquanto caíamos
nas quatro patas.

28/04/26






Antologia em pó 

começamos, 
com declarações 
de amor 
quilométricas
e madrugadas
inteiras 
de diálogos 
e discussões, 
sobre a natureza 
incompreensível 
da relação.
[nossa cidade
proibida,
erigida com
milhares de 
aposentos,
todos para nós,
nas noites
todas de
núpcias, 
tendo como
matéria-prima
planos conjuntos,
sonhos robustos,
lágrimas e
sorrisos.]

terminamos, 
visualizando 
e não respondendo.

28/04/26






Ninguém conhece quem teve o que merecia

negligenciaram 
os avisos,
era o risco 
que os fazia feliz.

descumprindo toda 
recomendação,
eles haviam ido 
longe demais. 

ignoraram as placas, 
voando
baixo na velocidade 
máxima.

era o risco 
que os fazia feliz,
avançavam 
a passos largos,

eles haviam ido 
longe demais,
de ponta a ponta
no desfiladeiro.

foram íntimos das 
ravinas, amaram 
cânions e escarpas.

onde é longe demais,
quando é o risco 
que te faz feliz ?!

29/04/26








Biologia das Olivas

o que resta quando toda
carne se consumiu,
é o mesmo que sobra
quando a polpa se esgotou.

uma sombra da vitalidade, 
que outrora ocupou
tal posição.

de terminada data em diante,
só a lacuna fica como
presença, consistência 
e condição.

um vislumbre do vistoso
que não mais ocupa teu corpo,
a lembrança de um sabor
que in memorian se findou.

mas lembre-se 
da biologia das olivas,
todo caroço enrugado, endurecido, 
escarrado e repugnante, 

leva em teu peito
a potência de uma árvore milenar, 
na forma de semente.

30/04/26







Tomilho e Hortelã 

por volta de cinco e dez da matina, 
chegava na sala.

dentes escovados, 
rosto enxaguado. o cheiro de mofo
só se esvaía depois de abertas 
janelas e porta.

em questão de minutos, o cômodo 
cheirava a tomilho e hortelã, dos vasos
na varanda. 

quem sabe um dia a gente encontre 
uma planta, 
que retire o cheiro 
de desencanto,
impregnado em nossas almas 
esmigalhadas.

01/05/26







Sobre o que se tratava 

custamos a entender 
sobre o que escrevíamos, 
bem como custamos a entender,
sobre o que se tratava tudo isso.

os anos de trabalho 
foram para isso,
e antes do trabalho, 
os anos de estudo
nos trouxeram para cá. 

os passeios, as viagens
[nas raras ocasiões],
os momentos de festividade
[tão poucos que ocorreram],

as festas de aniversário
[com ou sem bolo e salgado],
os almoços, jantares 

e principalmente 
os cafés da manhã e da tarde
[humildes e indispensáveis]. 

todos os desgastes
e tormentos, as tempestades 
e tormentas que foram tantas.

as esperas nas filas 
intermináveis e mais filas de espera,
sair cedo, sair de noite, 
chegar tarde de qualquer jeito. 

os retornos 
e reencontros também 
se tratavam disso. 

o endividamento 
e o pagamento das dívidas, 
com muito custo, 

nesta economia que só tira 
de todos, enquanto pouquíssimos
investem o que é dos outros, 
para lucrar sozinhos. 

corridas curtas e longas, 
foram para chegar até aqui
[sem recordes quebrados,
nenhuma grande marca batida],
neste momento parado
em que tudo se move, 

quando tentamos 
nos manter de pé, 
mesmo com a vertigem 
que atordoa nosso labirinto. 

mas uma hora a coisa 
toda se revela clara, 
como o guardanapo encardido, 
oxidado no alvejante. 

eu sei que não faz muito sentido 
esse poema, muitos dirão 
que nem poema isso é.

mas enfim, compreendemos, 
sobre o que tudo se tratava
e tudo ainda se trata com "ele".

sempre foi tudo sobre o amor,
é sobre o amor que tudo se trata,
tudo sempre se tratou disso.

01/05/26







Listras e estrelas num retângulo desbotado 

o patriota perturbado 
desfila na passeata
outra vez

um passo em falso
e o outro também

milhares de vidas
inocentes rifadas

não ensinaram 
nada a ninguém 

alucinada massa
espumando baba

engravatada corja
lançando bombas

a estátua fardada
encarando o nada

e a pomba sabia
que só teu dejeto 

traria alguma vida
àquele busto erigido
impotente 

01/05/26




Em algum departamento do Éden 

durante a folga 
dos Arcanjos,
[naquele intervalo 
estratégico no 
etéreo atemporal],
um deles indagou:

qual foi mesmo a razão,
do homem perder 
a imortalidade 
e todas as dádivas 
do paraíso?

ponderou um instante 
a criatura celeste,
que havia sido indagada,
[aquele instante 
congelado fora 
das dimensões]
e respondeu 
na sequência:

aparentemente,
é insaciável o apetite 
da humanidade,
quando se trata
do fruto proibido.

02/05/26






Engenhosa Máquina Urgente do Tempo 

Antes do fruto, 
pólen 

Antes do pólen, 
flor

Antes de flor, 
folha

Antes da cor,
incolor

Antes da folha, 
caule

Antes do caule, 
raiz

Pra toda raiz, 
há semente 

Antes da dor,
indolor

Antes do homem,
os deuses

Antes dos deuses,
humanos 

Antes daqueles, 
os nossos
Antes de tudo, você 

02/05/26






Parasitologia 

Durante décadas os parasitólogos 
Estudaram a origem dos vermes,
Esse esforço os levou à conclusões 
Fascinantes sobre estes organismos.

Originados juntamente com 
A própria vida, há cerca de bilhões 
De anos, o parasitismo evoluiu
Como uma tática de sobrevivência,

Onde tais seres se adaptaram, para
Viver às custas de outros. Sempre
Encontrando novos hospedeiros
Para parasitar, eles se multiplicaram

E prosperaram no desenrolar das Eras.
Nos dias atuais os estudos destas 
Criaturas avançaram para descobertas 
Inesperadas e empolgantes. Hoje,

As pesquisas apontam para os locais 
De maior concentração destes 
Minúsculos aproveitadores, que em sua

Imensa maioria, ocupam os casas
Legislativas, os templos religiosos,
Instituições financeiras e bolsas de valor.

02/05/26



Michel F.M. - Poemas 2026 - Parte 2


Michel F.M. - Criações 2026 - Parte 2

👾 2026 👾



Falha na Contenção 

Já não mais uma diminuta fissura, 
Em tuas espessas muralhas emocionais,
Agora, as escoriações projetavam
Rachaduras de ponta a ponta.

A represa psicológica construída 
De sessão em sessão, ao longo 
Das décadas de combate à tua 
Tão íntima autodepreciação,

Encontrava-se num estado alarmante,
Do qual não retornaria, com intervenções 
De terapia e divã. O menosprezo por
Todo método era irreversível.

Toneladas de metros cúbicos reprimidos,
Por uma barreira incompetente em
Reprimir. Aquilo que não pode ser contido,
Resultaria no que é matemático.

Alguns chamaram de tragédia anunciada,
Outros alegaram que contra forças 
Instintivas nada se pode fazer. Mas no
RH, o registro constou como "justa causa".

24/03/26





Lenita

naqueles breves minutos 
entre uma obrigação e outra,
Ela despontava no batente,
enquanto o ruído persistia ao fundo,
meu eu a seguia para não surtar.

disparava teus sorrisos,
seguidos de gargalhadas 
sem explicação ou motivo 
aparente, dois olhos amendoados 
gigantescos me levando sob custódia.

as razões não importam enfim,
mas imitando teu humor vertical,
improvisei este acróstico nonsense,
para procrastinar toda a papelada 
imprestável que eu tinha pra preencher: 

(L)ouvável beleza silenciosa, estóica, 
(E)xageradamente autêntica, paralisante, 
(N)avegue em meus devaneios outra vez
( I )nspirando este exausto desordeiro, 
(T)ransferindo-me teus amplos encantos,
(A)quecendo graciosa este bioma glacial.

25/03/26






Duelo Casual entre o Vazio e a Desconfiança 

Quem poderia imaginar,
Que numa noite 
Descorçoada,

Estariam reunidos 
Num jantar à luz de velas,
O Cético e o Niilista.

Um duvida de tudo,
O outro não crê em nada,
Duas faces de um menosprezo. 

A energia motriz 
Baseada na ausência 
De propósitos.

Mas afinal, o que é real,
Em nossa cosmovisão 
Contaminada de percepções;

Alguns defenderão 
Que há de alguma forma,
O inegociável no meio disso tudo.

Outros, que entre não-compráveis
E razoáveis, há toda uma 
Negociação, que não vem ao caso.

Possivelmente 
Seja assim que aconteça,
Mas há controvérsias... 

Mesmo que fique 
O dito pelo não dito,
Discordo disto também,

Quando confirmo [ainda que não 
faça diferença], que não acredito 
Nem em minha própria descrença. 

02/04/26







O Homem Inconsequente e teu Gráfico de Perdas

alcançara no último trimestre 
o pico das regressões,
buscava se reconectar com teu eu desplugado,
falhava miseravelmente. 

voltando às memórias 
mais remotas, selecionava 
as situações, onde e quando havia 
tomado caminhos, 
que desembocaram 
aqui.

anos desperdiçados 
com as redes sociais 
e o vício pela
solidão, 

teus produtos virtuais abundantes 
lhe foram caros,
cobrando um preço ainda maior, 
anulantes da vida em si;
saúde emocional
falida.

apesar de saber da importância 
que isso tinha,
não se importou
quando deveria.

mesmo sabendo das consequências 
que lhe caberiam,
não questionou-se, 
quando deveria.

tomado pelo desprezo por si mesmo
e pelos demais,
não teve escolha,
a não ser pela qual 
optou.

confundiu a tristeza 
com diversas alegrias 
e deixou belos instantes, 
desfazerem-se por entre os dedos,
como a névoa 
matutina.

mas em tua coleção de trombadas,
os choques serviam como 
desfibrilador,

cutucando o nó sinusal
castigado por estimulantes,
que entre tantas taquicardias,
ainda desatava e 
batia.

04/04/26







Doze estágios da repartição 

as cláusulas omitiram tuas reais
atribuições.

chegar na hora, sair no horário,
assinar o ponto 
e neste entrave,

realizar com destreza, afinco e
sacerdócio o

repetitivo-cansativo-monótono-maçante-
chato-exaustivo-enfadonho-torturante-
tedioso-aflitivo-penoso-excruciante-
serviço.

06/04/26





Quantos olhares cabem num instante?!

ela olhava pra baixo
e olhava pra mim,
eu olhava pra cima 
e olhava pra ela,

ela olhava pros lados
e assim me fitava,
eu fingia que não 
mas seguia olhando,

ela se desviava
quando olhava pra mim,
o olhar que fugia 
vez por outra voltava,

perguntei-me o porquê 
teu olhar me buscava,
enquanto me perguntava,
nosso olhar se encontrou.

06/04/26




Narciso Abatido 

se fosse culpa
da desidratação, uns goles
d'água bastavam;

se faltassem minerais,
potássio e magnésio 
resolveriam.

mas esta contração involuntária
súbita e dolorosa, não 
atacava a musculatura,

tua propagação atingia
estruturas, que ultrapassavam 
as funções celulares.

com teu orgulho ferido
e a autoestima no chão, ele 
precisaria de uma massagem 
completa do próprio ego.

07/04/26






Talentosa Manu

Eu entrava na sala
Ela já estava deitada,
Por cima da mesa,
Numas cadeiras arrastadas.

Descia pra quadra,
Mal a gente chegava
Lá estava ela, sobre o banco,
Pedia um tatame, despencando.

Na ausência de um lugar pra se escorar,
Acomodava-se no chão mesmo,
Sem cerimônias, sem restrições,
Saía por aí deitando.

Algumas pessoas nasceram 
Pra jogar bola, outras pra pintar,
Tem quem nasceu pra música,
Para deitar nasceu Emanuelly.

Ou talvez ela tivesse nascido 
Pra outras coisas, que nunca
Pude identificar. Ou simplesmente 
Ela não dava a mínima [garota sortuda].

08/04/26







Ateu por conveniência 

Gosto da ideia de Deus,
Eu gosto de pensar sobre isso,
Sobre as possibilidades,

Que são de qualquer forma 
Um extrapolar da imaginação 
E isso muito me fascina.

Às vezes, quando estou
Entre pessoas religiosas,
Afirmo que sou ateu.

Só para ver as reações,
Para apreciar o desconforto,
A transfiguração do semblante.

É incrível como alguns devotos 
Podem odiar ao próximo,
Numa fração de segundos.

09/04/26





Orbitando Tatá 

Regata preta, Lycra preta,
Chinelos brancos folgados,
Sorriso largo,
De um lado ao outro 
Dos lábios caberia a imensidão.

Dois tapinhas nas costas
Pra motivar, uma voz oscilante
Entre o suave e o gutural,

Potência [meus ouvintes],
Ali era a vontade de poder
Quem comandava.

A força dos membros inferiores 
Numa corrida de velocidade,
Saltava alto também,
Atingia os cinco mil pés
Num impulso qualquer.

Os joelhos num enquadramento 
Perfeito, ninguém notava
O desvio para a esquerda,
Era um evento em movimento,
Quadril retumbante.

Um bíceps femoral digno 
De registro e medição,
Glorioso posterior da coxa. 

Entre o suave e o gutural,
Tua voz oscilante, 
Minha trilha sonora favorita.

10/04/26






Depois de esgotada a última lástima 

passei preocupado
por muito tempo, 
com aquelas questões 
preocupantes.

que retiram o sono, 
que atrapalham
o apetite, que infestam 
de caraminholas

nossas sinapses.
que fustigam, cutucam,
e costumam castigar 
os pensamentos.

dura condição de quem 
pensa demais.
[o não pensar seria 
tão mais fácil].

sabe todas aquelas 
preocupações
incessantes-persistentes,

desagradáveis, 
que vão e vem,
que volta e meia

nos atazanam, 
nos azucrinam
e nada mudam.

atormentados.
só mesmo o desapego 
pra apaziguar
[desprendimento total].

depois de esgotada
a última lástima,
nada mais compensa, 
a ponto de preocupar.

não me preocupo mais
com coisa alguma,
só com o que é 
fundamental
e com isso sim,

só com o que é 
essencial 
e crucial de fato,
com isso me ocupo 
de verdade.

e tenho vivido assim,
dedicando tudo 
à despreocupação,

tanto que de alguma 
forma, isto começa a soar
meio preocupante.

10/04/26





Pré-discurso de um Corticeiro 

Senhoras e Senhores, 
Retirem os incapazes 
Do recinto.
A comunicação 
Será violenta.
Aviso de antemão,
Que não pouparei
Esforços,
Nem ofensas.
Utilizarei inúmeros 
Palavrões, 
Adjetivos cabeludos 
E orações pesadas, para 
Enfatizar 
O que tenho a dizer.
Comecemos...

11/04/26





Cagada Patética 

Fui encarado por 
Um longo momento,
Após acionar a descarga 
No dispositivo.

O corrugado tímido,
Obviamente magoado,
Escondendo-se
Em tuas vestes,
Recolheu-se com
Tuas pregas.

A louça cruel
Esperava o desfecho,
O vaso nitidamente 
Me julgava:

- Foi pra isso, que sentaste aqui?!

11/04/26





Épico Fecal

Aguardava até último 
Instante, para desafivelar 
A cinta, quando agachava,
Cocora já vinha num
Pulso gravitacional.
O impacto quase
Desparafu-sava 
Privada.

Você alguma vez ouviu
Algum relato sobre cagarem
Tijolos? Todo dia vizinha
Sabia, que por volta das 
Seis, seis e meia,
Ocorreria ritual,
Um clássico da
Escatologia.

11/04/26





Nota de corte

As instruções eram 
Exageradamente específicas,
Se empilhavam na folha 
Em forma de lista.

Canetas nas cores 
Pretas e azuis,
Certifique-se de colocar o nome, 
Certifique-se de não esquecer 
Dos números,
Certifique-se de preencher 
O gabarito,
Três horas de permanência 
Mínima,
Banheiro e água 
Só na companhia do fiscal.

Colecionava certificados 
E certificações,
Colecionava diplomas
E documentos timbrados.

Ninguém perguntou a ela,
Se havia se certificado
De não ter ninguém em casa,

Quando prestou seu último teste.
A lâmina fria, deslizou macia, num
Ângulo perfeito em transversal.

13/04/26





Corpo de Delito 

E lá estava ele,
No ringue de novo,
Travando aquela velha
Luta corporal violenta,
Contra tua própria mente.

Como ele aguentava tanta porrada,
Era uma surpresa, até para
Os mais versados no ofício 
Da automutilação.
Uma parceria exclusiva,
Coronha e coronhada.

Um pugilista do inconsciente,
Peso-pesado em socar 
As próprias desilusões,
Até que ficassem desacordadas
E indefesas, com a fuça na lona.

Vociferava, bradava e cuspia.
O miserável era um touro castrado
Na esteira do abatedouro.
Como os pensamentos podem 
Sangrar, é um dos grandes 
Questionamentos do nosso tempo.

13/04/26






Nascemos muito cedo,
vivemos tarde demais 

Pra que servem as horas
Se o tempo é relativo?
Em cada caco espalhado 
Continha um fragmento 
De lembrança e foram tantas,
Que se impregnaram na porcelana.

As propriedades físicas 
Não fazem jus a tudo o que
Aquele utensílio viveu.

Passou quinze anos esquecido 
Num baú, mas quando finalmente 
Saiu da caixa,
Foram mais de duas décadas 
De dedicação,  manhã 
Após manhã, ininterruptas.

Algumas tardes aleatórias,
Em feriados principalmente,
Mas domingo a domingo
Sem excessões, num fervor 
de adoração quase religiosa.

Havia sido o objeto mais
Higienizado, viveu praticamente 
Toda sua vida no escorredor,
Sujo, limpo, molhado e seco,
Nunca retornou às sombras 
Do armário.

O presente de uma tia-avó 
Que ele nem conheceu, feito às 
Antigas, com uma técnica que 
Não se vê mais, estampado com
Sutis pinceladas, retratando 

Um pequeno guri sentado no campo,
Com teu chapéu de palha, um
Punhado de trigo, a vaquinha malhada,
Clássica das paisagens bucólicas.

O que lhe chamava mais atenção,
Era a despreocupação do garoto 
No mato, desatento pra tudo que 
Não fosse o instante, o concreto 
E envolvente momento, 
Que se dissipava.

14/04/26







Termo de Confidencialidade 

o sigilo 
era a norma,
ninguém poderia 

compartilhar 
as informações 
privilegiadas,

nem sequer
mencioná-las 
novamente.

todos
assumiram 
os riscos,

todos 
assinaram 
os campos,

aceitaram
impositivamente 
as determinações.

o humano 
é um animal 
curioso,

ele socializa 
seus segredos, 
com a ameaça 

de punir,
aqueles que 
o revelarem.

mas nenhum 
segredo supera
a natureza de um
desacato.

14/04/26






Cortinas verde-pistache 

quem diabos 
escolhe essa cor
para as janelas, 

o luz natural
esverdeava 
tudo.

não continha 
a iluminação,
na realidade tendia

ao inverso,
clareava cegamente 
tudo.

alguns gostos 
não se explicam,
eles só existem, 

através daquilo
que não exige 
explicação.

era quase 
tão confuso quanto
o sentimento 
que tinha por ela.

só ela 
pra me fazer amar, 
aquelas maledettas 
cortinas.

14/04/26






Plano Sagital 

só a experiência 
escancaradamente 

vivenciada, cinética 
e fisiológica,

impregnada
em nossas camadas 

emocionais 
mais profundas,

que inoculam
substâncias singulares 

e sedimentam 
tesouros e detritos,

em nossa fustigada
percepção,

pode significar 
alguma coisa.

15/04/26






Flatulo, ergo sum

Brindemos às bactérias, 
Que em teu lavoro incansável,
Reciclam toda porcaria
Que algum dia ousamos ingerir.

Esta parceria muito mais
Que benéfica, gera um ritmo
Salutar, em nosso esquema
Desprovido de cuidados.

Possuímos todas as informações 
E dados coletados cautelosamente, 
Pelo rigoroso processo científico,
De ajustes, cálculos e verificações.

Todavia, não possuímos a vontade, 
De preservar algo programado a morrer.
E se a morte tão opulenta, não 
Nos tarda a derrubar, ofereçamos

Este último trago, aos engenheiros 
Da decomposição, que em tua missão 
Cíclica e renovável, hão de digerir,
Além do infarto fulminante, também
Os acelerados desalentos.

16/04/26





Catálogo da Anti-poesia 

ninguém trabalha por amor.
exceto, os sadomasoquistas,
mas contra os fanáticos religiosos 
não se pode argumentar.

é senso comum que tripalium, 
era um instrumento de tortura 
da antiguidade e existiram
algumas belas variações 
no medievo.

tempos gloriosos e deprimentes, 
no qual imperadores e
posteriormente reis absolutistas,
erguiam com mão de obra 
escrava, teus palácios incrustados
de ouro e diamantes de sangue.

quase igual hoje em dia,
com uma estreita diferença,
os bilionários são mais ricos
do que os absolutistas jamais foram.

por isso insisto com você, caro leitor,
ninguém trabalha por amor.
o que você ama, não pode se
denominar trabalho.

mas compor um poema 
às quatro da manhã, enquanto 
defeca, antes de sair para mais uma
sessão de humilhações laborais,
só pode se enquadrar no Catálogo 
da Anti-poesia.

16/04/26








Circundução

hoje,
insisto que 
não direi nada.

mas,
antes de 
dizer isso,

digo,
para que 
não fique

o dito 
pelo não dito, 
que nestes
ditames,

desgastantes
e forçosamente 
dissuasivos,

por livre e
espontâneo 
descaso,

me abstenho 
de quaisquer 
dizeres.

16/04/26






Rafe do Períneo 

a poesia não nasce
mais, no esvoaçar
da borboleta,

em meio 
ao perfume 
dos jardins.

ela advém antes,
do breve fôlego 
que toma 
o proletário,

antes do escaldo,
de voltar a ser 
explorado.

16/04/26





Fato e Fricção 

tua grande dorsal
ocupava os quatro 
cantos da minha vista.

veja como reparo
em teus detalhes 
lineares, apesar de serem

os trejeitos que saem
fora da curva, que mais
chamam atenção.

sei que são evidências claras
e em hipótese alguma 
passariam despercebidos.

mas para além da visão 
capturada, perseguidora
de teus pontos de atração,

é a inevitabilidade do toque,
que impõe sucção, aos poros 
focados de minhas falanges.

17/04/26





Horizonte de Eventos 

É difícil compreender 
Como um amor verdadeiro, 
Pode atrair tanto atrito.

Choques térmicos, elétricos 
E magnéticos, um campo
De força que protege e repele.

De onde saíram tantos
Temas para discussão, nas
Madrugadas infinitas?!

Parece que até mesmo o Sol
Evita aparecer, com receio
De se meter onde não devia.

É tudo cor de rosa, até se converter
Num poço de piche, daí as
Sombras reinam soberanas,

Viscosas e grudentas.
Um mergulho arriscado
Em tuas bolhas de alcatrão.

Pare de buscar a energia escura,
Neste vasto espaço vago,
Somos nós a antimatéria.

Mas somente na escuridão 
Inacabável, de um amor verdadeiro, 
Há margem suficiente para ignorar 
a física.

18/04/26






Poema Libertino 

Sou verso que amou
Tantos versos,
Ao ponto de não poder
Chamar-me fiel.

Estrofe que amou
Toda estrofe, para de alguma 
Forma cruzar meu lirismo,
Esta sentença escandalosa.

A cada escolha libidinosa
Nas estantes dos gêneros variados,
De clássicos à marginalizados, ficou-me 
A fama e alcunha dos devassos.

Mas minha promiscuidade 
Literária, tão cara a mim,
Não a condene, sem antes 
Saber de teus dotes e sacrifícios.

Foi-me tão calorosa nos
Cumulativos dias gelados,
Que mesmo no calor infernal destes
Trópicos abafados, refrescaste 
Meu desidratado espírito.

18/04/26





Canções para foder em câmera lenta 

Procuro escrever simples,
Mas a simplicidade me foge,
Procuro escrever fácil,
Mas facilmente me perco 
Em minha própria dificuldade.

Inapropriado é o que me resta.
Em toda calçada, caminham
Calçados, trazendo consigo 
Histórias de calçamento.

Quando em última instância,
Anseio pelo chulo e pela precariedade 
Do vulgar, sonho em ser um poeta
Roto, amarrotado e popular, de repertório 

Tosco e limitado, para assinar
Barulhos que bombam e rimas
Que grudam, nas paradas do populacho,
Imitando sons de funções orgânicas.

Mas mesmo originado na plebe,
Escrevo estas linhas quase rebuscadas,
Que de tanto gastarem os termos,
Chegaram ao ponto de nada dizerem.

E sigo respirando esta fumaça 
Sufocante e cinzenta, quando só queria 
de fato escrever, canções para foder
Em câmera lenta.

18/04/26






Rima de um portão enferrujado 

Trec
       Trec 
              Trec

              Trif
       Trif
Trif

Trec
        Trif
               Trak

18/04/26








Vigilante Capacetado 

A cada três casas,
Um "piui",
Mais três casas,
Um "piui",
Quatro casas
Um "piui".

Onde quer que ele fosse
E a parede portasse 
A marca da vigilância,
"Piui".

Nem as placas, 
Nem os sons,
Intimidavam 
Os meliantes.

Cinco furtos
No bairro, só 
Na última semana.

Pelo menos o vigia
Ainda tinha um sustento,
Tempos difíceis na cidade
Inchada.

E mesmo que você 
Não contratasse 
A personalizada segurança, 
Recebia seu "piui"
Por tabela.

18/04/26




Podando o mal pela raiz

C/o/rr/u/pç/ão/
V/io/l/ê/nc/ia/
Cr/ue/ld/a/d/e/
/I/nt/o/l/e/r/â/nc/ia/

G/a/n/â/nc/ia/
M/a/n/i/p/u/l/a/ç/ão/
D/e/s/u/m/a/n/i/d/a/d/e/
/I/nd/i/f/e/r/e/nç/a/ 

É responsabilidade 
Da cultura, do ensinamento,
Das circunstâncias,
Ou da natureza humana?!

Quem dera fosse tão fácil 
Quanto separar consoantes 
De vogais, afastar um primata
Arrogante, de tuas convenientes Compulsões.

18/04/26






No estreito do funil

      escoando pelo ralo 
      vão nossas glórias.
        nem só de tédio 
          vive o homem,
           mas de toda 
            baixaria que
             drene sua 
                 aten-
                  ção 

19/04/26






Rodapé de um Vislumbre 

Vasculhando tuas memórias 
E os ladrilhos de cada
Lembrança, deparou-se

Com alguns monólitos 
Específicos, de sentimentos 
Caducos e empelotados,
Densos, pontudos
E desajeitados.

Os quais não saberia discernir 
Com clareza, se pertenciam
À tuas caminhadas contínuas 
Ou projeções que tinha
Imaginado apenas.

Foi num canto discreto 
E já meio desocupado 
Que ele notou a marcação,

Provavelmente era aquele
O exato local, em que 
A inocência se convertera 
Em desilusão.

19/04/26






No Centro do Ônus 

seguia firme ali,
o nadador de atoleiros,
colhendo os prejuízos,
naquela gosmenta 

areia movediça, 
que havia tragado 
além da juventude tua vitalidade.

escárnio.
o holerite era outra piada 
sem graça,
teus provimentos anedotas 
baratas,

no saldo provisionado,
um extrato bem descrito
da desmotivação,

tua poupança 
um veio seco 
de terra rachada.

o que restava ao infeliz,
eram aqueles papos furados
nas pausas corridas,

um maço de nicotina 
sem filtro, entre refeições 
gordurosas, o bendito destilado 
alcoólico do pós-turno

e uma ou outra risada,
que escapava pelo
estrangulamento 
do cargo.

19/04/26





Minibiografia dos Miolos

em cada giro cerebral
impressões fixadas,
nas curvas acentuadas,
umas abertas 
outras fechadas, 

encontram-se inscritas
as esquisitices,
as manias e os 
inconformismos.

de saletas 
espremidas
para galpões 
amplos e arejados,

as bagagens eram
despachadas, 
decolando e aterrissando,
num engarrafamento 
sem atrasos.

tudo cabia ali,
funções motoras 
e sensações,
cognição e emoções.

distribuídas em 
diferentes regiões,
habitadas por bilhões 
de neurônios esforçados

e suas belas sinapses,
labutando das áreas nobres
às periferias, em ambos 
os hemisférios.

19/04/26