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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Michel F.M. - Poemas 2026 - Parte 4


Michel F.M. - Criações 2026 - Parte 4

🍄 2026 🍄



Virtuoso (Projetado do Avesso)

era ele um exemplo 
do Não-Ser.
até que não seria 
tão ruim, 
se não fosse
tão péssimo. 

um acabamento 
mal feito de verdade,
um manifesto 
reverso da ostentação. 

nada menos que 
o cúmulo da ausência 
total de presteza. 

no acúmulo da
inabilidade que possuía, 
o indivíduo tornar-se-ia
neste ritmo em que vinha,

nulo. o próprio gênio invertido,
projetado do avesso, 
na contramão da maestria.

conquistado 
a duros deslizes,
o personalizado direito 
à inaptidão.

fosse esta veemente 
incompetência, 
adquirida 
ou congênita,

nos tropeços 
da hereditariedade,
moldar-se-iam 
teus dotes,
geração pior que geração.

como alguém 
pode possuir 
uma falta de noção 
tão grande
e desproporcional [??]

um enigma 
impenetrável 
diante da vista estupefata. 

na contemplação 
vacilante e desnorteada 
do observador, 

podia-se constatar 
o nível alarmante, 
de incredulidade 
e atordoamento. 

a transmissão em
larga escala da magnitude 
do desastre,
o nobre erro hiperbólico. 

uma performance
antológica, impossível 
de prever ou ignorar,
a excelência do descaso.

uma ópera orquestrada
ao vivo, pelo despreparo
da inépcia absoluta.

a saga brilhante 
da mediocridade
elevada ao cubo.

mas o relaxo extremo,
não é um campo de amadores.

como qualquer outra técnica, 
exige intencionalidade 
e precisão no desleixo.

que só pode ser alcançada, 
na reincidência obstinada
da repetição [com todas as
redundâncias], levando 

por conseguinte, ao 
aperfeiçoamento
de teu virtuosismo.

03/05/26
 






Desperta(dor)

após três bipes

Bip

Bip

Bip

os analgésicos 
começavam 
a perder seu
efeito

03/05/26






Torcicolo 

nem mesmo o rochedo 
mais sólido, apresentaria em teus
melhores dias,
tamanha concretude
estrutural.

um arcabouço 
geológico único,
fixado na base 
do crânio.

chamado pelos compêndios
anatômicos, 
em tuas intermináveis 
22 letras, de 
esternocleidomastóideo.

irradiava tua 
petrificação
também ao trapézio. 

mais rígido agora, que
as moléculas de grafeno
jamais foram.

Tra-va-daço.

para onde virasse,
era apenas
Clack,
        Clack
                e volta e meia, um Clock.

03/05/26







Desfibriladora 

tua descarga 
elétrica 
controlada, 

me trazia de volta
o sopro 
da vida.

em meio
àquele oceano
cinza 

e a fumaça 
rasante 
da esquadrilha.

nenhuma 
parada 
cardiorrespiratória 
súbita,

era pário 
para a
massagem cardíaca, 

que você 
representava.

03/05/26








Migração das Metáforas 

quando uma forma
incontrolável 
de concentração 
de energia, 

colide e desloca
sua força 
para o solo,

incendiando 
uma floresta 
inteira, 

a partir de 
uma faísca,
chamamos 
este evento 
de catástrofe 
natural.

quando uma forma 
incontrolável 
de concentração 
de energia, 

colide e desloca
sua força 
para o papel,

incendiando 
uma tradição 
inteira, 

a partir de 
uma faísca,
chamamos 
este evento 
de poema em 
versos libertos.

e a poesia de 
combate, 
uma vez liberta,
levará à aniquilação 
e à concepção,
universos 
inteiros.

06/05/26







Autoconcepção de um Indivíduo Coletivo 

nenhum verso 
nasce livre,
ele precisa ser libertado.

e não será 
liberto senão, 
por tuas próprias mãos.

depois de iniciada,
a autolapidação 
manifesta-se de maneira 
imparável.

exige planejamento,
mas nem tanto,
do que realmente 
necessita é emergência 
e intencionalidade.

a cada martelada,
pedaços consideráveis 
de nosso eu,
se espatifam 
contra o chão,

no tango 
encantador 
da gravidade.

dois amantes 
em fluidez,
sincronizando, 

cada qual com 
tuas singularidades.
traga também 
as neuroses,

até nossas
falhas ocorrem 
em sincronia.

ao ponto de não mais,
ser o poeta 
quem escreve.

[vê-lo-ás aqui,
nu em pêlo].

ei-lo agora,
escrito e gerado, 
por tua própria 
poesia.

07/05/26







Prova de Vida

no formulário, 
constavam os dados
todos.

completos,
integrais, preenchidos,
com toda a informação,
digna de ser 
armazenada,

em todos os seus caracteres
e computada 
pelos múltiplos 
algoritmos, 

que fariam a leitura
detalhada, de cada um 
dos detalhes 

milimétricos, 
com os pormenores nos 
campos que esquadrinharam 
teu perfil.

sua saúde porém, 
andava péssima.

não vinha se medicando 
conforme psiquiatra 
e cardiologista 
haviam recomendado.

uma dieta horrorosa,
não se recordava quando
exatamente, havia dormido 
pela última vez.

a respiração 
ofegante, ronquidão 
severa na garganta, aquela
pressão no peito
persistente,

as pálpebras saltitavam 
sozinhas, frenéticas.
ele não se sentia nada bem, 
há muito, 
muito tempo.

07/05/26







Aos Inaptos, desprovidos de qualquer talento

dedicam canções 
aos talentosos,
dedicam filmes, 
longa-metragens

que ganham oscars, 
globos de ouro, baftas,
prêmios em cannes. 

dedicam
livros aos talentosos,
para contar
suas proezas

e estes livros 
também ganham
prêmios. 

quando adaptados 
para o cinema, 
os protagonistas 
também se consagram, 

após interpretarem 
personagens,
inspirados em 
pessoas talentosas.

[o nobel
foi um cara muito 
importante. li em algum 
lugar que ele inventou
a dinamite. o que seria

do mundo sem a dinamite?
certamente, não teria morrido 
tanta gente de maneira tão 

violenta e muitos ainda
teriam seus membros 
intactos. mas tirando a parte
de todos os corpos mutilados,
o que importa 

é o que ele fez com o dinheiro, 
da patente das dinamites.
criou um prêmio com 

o próprio nome, para homenagear 
quem tivesse muito talento. 
esse cara era mesmo
talentoso].

foi assim que me
tornei poeta,
por um motivo 
completamente diferente 

de todos esses.
foi justamente 
por não ter talento algum.

a poesia não despreza ninguém,
ela é feita até para aqueles,
que como eu, nunca foram
bons em nada.

e para estas pessoas inaptas,
como eu, dedico
este poema.

07/05/26






Onze Mil Quilates 

um rubi gigantesco,
esta era a manchete 
nos jornais do mundo todo.

onze mil quilates.
diziam especialistas
que aquela pedra, era a mais
valiosa pedra, jamais vista.

valeria centenas de milhões 
de dólares nos leilões,
sendo exposta numa cúpula 
de vidro à prova de bala.

os magnatas já preparavam
suas reservas monetárias,
seria uma corrida desenfreada
para possuir aquela pedra avermelhada.

seu país de origem estava devastado
pela guerra civil, que durava décadas;
golpes de estado, miséria extrema, 

minas terrestres espalhadas a esmo,
como um garboso campo de girassóis, 
cortesia das grandes potências.

mas era a mais valiosa pedra,
jamais vista. num mundo onde
se encontram pedras por todos
os cantos e a vida não vale um puto.

09/05/26







Treze mil novecentos e sessenta e seis vezes zero 

Deveria ser extremamente
Desgastante, buscar o significado 
De qualquer termo, na época 
Dos dicionários analógicos.

E quando utilizo a ênfase no
Extremo, é ainda um eufemismo,
Ou seja, uma suavização da
Dificuldade, que de tão dificultosa,

Me faz desistir imediatamente,
Até mesmo de imaginar. Pois
O esforço hercúleo que exigiria,
Desmotiva e inibe qualquer um

Desta geração de desistentes.
Que já nascemos cansados, e a cada
Novo dia, nos é concedida outra
Calorosa oportunidade, para deixar

Pra lá e desistir. Talvez por termos
Acesso a todos os significados, de
Todos os termos, de todos os tempos,
Um dia formulados e deixados para

Que encontremos seu sentido, em 
segundos, numa pesquisa aleatória,
Que não esclarece nada e que não 
Leva a lugar nenhum. Talvez por isso

Os trabalhos de Hércules ou as
Pelejas icônicas de Perseu, não nos
Interessem e não mais nos fascinem.
Nadar a braças largadas, nesta cordilheira 

De pornografia e publicidade abrasiva,
Nas pilhas de lixo infinito para consumo 
Rápido, fazem as Quimeras e os Krakens
Soarem, como uma liquidação de black
Friday, num shopping de quinta categoria.

10/05/26

 






Depósito de Caixas

nelas se encontravam 
cartuchos 
de formatura 

e álbuns 
de casamento,
panelas, talheres, 

eletrodomésticos,
fotografias antigas, 
amareladas,

onde os instantes 
capturados,
sugeriram cenas 

e situações tão 
familiares, de pessoas 
desconhecidas

para nós, 
mas tão importantes 
para alguém. 

estavam concentrados 
ali, na colméia de memórias, 
onde cada um dos favos, 

despertava
espasmos faciais 
e gotas que escorrem 

pelas bochechas, 
de vez em quando.
evocavam risos e suas

evoluções 
para gargalhadas.
traziam de volta 

até mesmo os
suspiros profundos, 
que nem as alergias,

rinites, sinusites 
e asmas, podem
evitar.

10/05/26





Equimoses

Causadas geralmente 
Pelas trombadas 
Cotidianas,

Nas quais os interesses 
De um, são incompatíveis 
Com os do outro.

Por serem superficiais,
As manchas arroxeadas
Desaparecem, em
Questão de dias,

Deixando apenas o
Desconforto, de ter que 
Olhar para as mesmas 
Caras, o resto do ano.

10/05/26





Hematomas

Causados geralmente 
Por pancadas
Violentas,

Nas quais os objetivos 
De um, são incompatíveis 
Com os do outro.

Por serem traumáticas,
As escoriações exibidas 
Nem sempre refletem, 
A real condição,

Que pode ser muito pior
Do que parece, e a porção 
Invisível pode resultar, num
Acúmulo severo de acidez,
Liberado nas pausas pro café.

10/05/26








Ignore o mastodonte na sala

O que faz as pessoas 
Disfarçarem suas reais opiniões,
São os costumes, a etiqueta,
Cortesia, ou apenas a velha
E gasta dissimulação?! 

O fingimento é uma habilidade 
Crucial, para sobrevivência 
Em ambientes sociais hostis.

As mentiras adornam cada 
Um dos espaços e aspectos,
da convivência contemporânea. 

A conivência em disfarçar 
Temas e assuntos desconfortáveis,
Contornar tabus desagradáveis,

Perambular pelos redutos da
Falsidade, com tamanha destreza 
E habilidade, tornando o engodo
Tão satisfatoriamente natural,

Fez com que uma subclasse
Dos primatas qualquer, se tornasse a
Espécie dominante de um ecossistema,
Onde não possui nenhum trunfo
Ou atributo apropriado para tal.

10/05/26





Bloqueio Criativo 

Ele achava que era um poeta,
Pois havia escrito 
Muitos poemas.

Nem sempre com boas rimas
É verdade, muitas vezes 
Sem rima nenhuma.

Teus poemas também 
Não possuíam métrica, não 
Fazia nenhum sentido para ele

Contar sílabas, já que a forma
Nunca lhe chamou atenção.
Era o conteúdo que o atraia 
E deslumbrava teus pensamentos.

Por vezes eram musicais
Teus poemas, com ritmo e
Melodia. Eram levadas de dois
Acordes, três no máximo,

Com uma sonoridade acústica e
Melancólica, mas alguma coisa
Nos versos dispunha de vigor,
Numa pegada crua e visceral.

Ele realmente achava 
Que era um poeta.
Até conhecê-la e ficar,
Completamente sem palavras.

[Talvez tenha sido o silêncio,
Sua melhor composição].

10/05/26






Estrutura de um Poema Indestrutível 

----------------------------M----------------------------
|                                                                |
----------------------------A----------------------------
|                                                                |
----------------------------T-----------------------------
|                                                                |
----------------------------C----------------------------
|                                                                |
----------------------------H----------------------------
|                                                                |
----------------------------E----------------------------
|                                                                |
----------------------------N----------------------------
|                                                                |
----------------------------K----------------------------
|                                                                |
---------------------------- I ----------------------------
|                                                                |
----------------------------N----------------------------
|                                                                |
----------------------------H----------------------------
|                                                                |
----------------------------A----------------------------

10/05/26








Sobre a ver ou existir 

Já tinha passado.
E era lá no passado,
Que ele a encontrava.

Quando se esforçava, 
Também no futuro
Detalhes surgiam.

Mas no caso de
Imaginação, nada se 
Pode fazer, senão 

Imaginar. Então o
Presente sempre tão 
Consistente, era página

Oca, árida, deficitária de
Letras e mensagem,
Sem estampa ou acento.

Por mais que garimpasse 
A possibilidade,
Por ali, já não havia.

Por mais que os olhos
Apertasse/forçasse,
Por ali, já não a via.

Apesar disso, ele era
E estava. E justamente por isso,
Persistia, mesmo sem porquê.

11/05/26






Confidência bombástica da cor furtada 

Esta incompreensível 
Condição, era tua qualidade 
Mais marcante e atraente.

A luz, tão fria no dia
E na noite tão quente, ditava
O ritmo, definia o tom.

Raríssimos sons nos 
Comoviam, como aquela
Voz rouca, que sumia
Ao final das sílabas.

Era o posfácio da força,
Que a um punhado 
Se esvaíra. Tua paleta 
Rotativa exibia-se em contrastes.

Transmutando cristais 
Incandescentes, jóias inusitadas
Em abundância, faziam
Da raridade uma estante 
Banal. 

Era a própria essência da Íris 
Em teu arco, chamada agora
De iridescência.

Sobre o que era, não sabíamos,
A quem se destinava,
Não mais supúnhamos.

E aquela exótica e esquisita 
Figura, que perambulava num
Tênis barato e remendado,

Nesta materialização translúcida, 
Era em si, ela mesma, 
Furtiva, a desaparecida furta-cor.

12/05/26







Genealogia do Tédio 

Se fosse só morrer pela revolução,
Pela revolução
Eu morreria.

Se fosse só viver por amor,
Por amor
Eu feliz viveria.

Mas o inferno 
Consiste na rotina,
Aquela reincidente rotina
De um replicado, 
Suplicante.

Que se repete, 
A cópia da cópia,
Sem morte, nem revolução,
Só sacrifício.

Aquela rotina, 
Que se repete
Sem reciclagem, 
De sacanagem,

Onde não vivemos
Felizes por amor,
Onde todo fim parece início.

É na rotina 
A rota de colisão,
Nos arrastamos 
Rotos, onde

Todo recomeço 
Parece o fim.
E o que diabos se fez, da paixão?!

12/05/26








Refresco

aos olhos do douto
- em tua mobília 
entalhada, de nobre
procedência -

o tolo
diz errado, 
faz errado,
errado-pensa.

chuchando 
café coa cuié,
o tolo nem do douto sabe.

ele arrasta 
um toco pra sentar,
provando sem querer
quem é esperto.

decasca uma laranja,
- cheia do bão cardo -
proseia um bocado
e vive pelo certo.

13/05/26









Fórmula do Indefinível 

O amor é tudo aquilo 
Que o poeta omitiu.
E indefinidamente mais.

13/05/26





 

O Vale das Sombras foi meu Bosque Encantado  

Pense em todas as coisas 
Insuportáveis, que em nenhuma 
Situação normal você aceitaria
E não aceite.

Nós atravessaremos esse deserto 
Interminável de sujeição,
Não acataremos mais, chega
De obediência.

Não haverá rendição também,
E esta será nossa nova diretriz.
Desobedientes, insolentes,
Inconformados e sem rendição.

Até a próxima obrigação,
Obrigatória.

13/05/26







Kamikaze 

Mirou a ponta do nariz 
No parabrisa, e após 
Um instante de suspensão 
Da própria consciência,
Se atirou contra o vidro.
Ela o encarou assustada.
O vidro não se partiu,
A cara dele não se partiu,
Foi uma visão menos
Emocionante do que
Ridícula. Mas o amor
É assim, um misto de
Bravura e idiotice em
Grande porção, mesmo
Que ninguém saia ferido.

13/05/26






Fórmula do Indivisível 

Desconsidere numerador 
E denominador,
Retire quociente,
Dividendo, resto
E divisor.

Daquele entrelaçamento 
Em diante, 
Só ficará o todo.
E nada além, para
Fracionar.

14/05/26







No meio do caos havíamos nós 

Toda minha vida 
Eu evitei o conflito,
Em todas as situações 
Profissionais, pessoais,
Amorosas.

Fiz sempre o possível,
Para me manter longe
Do conflito.

Trilhando pacificamente, 
A doutrina apaziguada
De um singelo pacifista.

Mas esse desgraçado
Persistente,
Insiste em me encontrar.

E quando topamos
Nos becos escuros do acaso,
Ele rosnando, 

Eu me aquecendo,
Nenhum de nós sabe, 
Como vai acabar.

14/05/26






O Procrastinador 

ele se permitiu 
um adiamento.
estabeleceu 
por conta própria 
uma prorrogação.

depois dos
acréscimos 
que se seguiram,
ao prazo já 
encerrado.

de todas aquelas
datas, que vinham
sendo sucessivamente 
postergadas.

era aquele contrato 
que tinha consigo 
mesmo, que importava.

era uma questão 
clara de
prioridades, 

que ele deixaria
sem a menor 
cerimônia, passar.

14/05/26







A Saga dos Mil Poemas

mil anos, formam
a extensão de
um milênio.

uma tonelada,
advém de mil
quilogramas emaranhados. 

e o quilômetro 
é a reunião de mil metros,
ao resolverem 
confraternizar.

quando mil litros 
se organizam, estamos
diante de metros cúbicos.

já este poeta,
é a aglomeração 
de mil poemas [até aqui], 
decididos a se manifestar.

enquanto 
mil centavos parece pouco,
em matéria de poesia,
é toda uma vida.

14/05/26 
poema n⁰1000










Trajetória de uma vida plena

Difícil de conceber,
Alguém com tais características 
Específicas. Mas é assim

Que foi. Ele fez tudo o que 
Queria fazer, mesmo quando
Contrariado. Realizou tudo

O que desejava realizar,
Mesmo quando não-realizado.
Foi feliz em cada um dos 

Momentos, ainda que a
Felicidade em raríssimas 
Ocasiões o tenha acompanhado.

Deixando-nos a seguinte 
Lição: não quantifique nada
Nesta vida. Não ordene os

Fenômenos, crescendo ou
Decrescendo, não condizem
Com o que representa o

Sopro da vida. Cada um dos 
Ladrilhos, por mais opacos
E desbocados que possam

Parecer, conferem o sentido 
Amplo, substancial e abstrato,
Coeso, contraditório e singular,
Ao que denominamos plenitude.

15/05/26






O Inesperado Regresso de Jou Boga

Violência gratuita e a cópula 
Bruta, trazem consigo 
Algum grau de semelhança.

No esfumaçado terror
De teus dias insanos,
Se fartou no sabor da vingança.

Direcionada sempre 
Aos inocentes, quem não 
Tinha culpa alguma, pagou 
Por tudo que não fez.

Após longas férias 
No xadrez de concreto,
Retornou como um rei
Mastigando as damas.

Modus operandi ativado 
De novo, o canalha vil 
disponível na pista.

Brigar e foder eram
Teus hobbies favoritos
Nas noites imprevistas.

Garrafadas a esmo, tatuagens 
Zoadas, cicatrizes suadas,
O veneno no sangue, 
A corrente gelada.

Uma cólera cega
Envelhecida em tonel,
Atrocidades destiladas.

A negligência enfim
Convertida em barbárie, 
Canonização do hediondo.

Especializando requintes
De crueldade, o homem crescido 
Despido das grades.

Prestigiem o monstro,
Regressando ao que ele
Nunca pôde deixar de ser.

Contemplem a criatura,
A besta desenjaulada,
Uma última vez em seu auge.

15/05/26



sábado, 7 de março de 2026

Para o autor Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni), o Movimentalismo é um conceito central que define sua visão sobre a vida e a criação artística como um estado de fluxo incessante.


Para o autor Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni), o Movimentalismo é um conceito central que define sua visão sobre a vida e a criação artística como um estado de fluxo incessante. 

O que é o Movimentalismo?

O Movimentalismo não é apenas um estilo literário, mas uma postura existencial fundamentada nos seguintes pilares:

A Vida como Fluxo: A ideia de que "viver é movimento". O autor defende que a estagnação é o oposto da existência, e que o ser humano deve se reconhecer como um "itinerante" em uma trilha imprevista.

Experiência e Ação: O conceito propõe que a teoria deve se submeter à prática. Em seus escritos, o movimentalismo aparece como a urgência de "abandonar os ensaios" e se colocar em "pleno corpo" diante da realidade.

Hibridismo Corporal e Intelectual: Refletindo sua formação em Educação Física e Artes, o autor utiliza o termo para unir a biologia (o movimento do corpo, músculos e ossos) à filosofia (o movimento do pensamento e da alma). 

Aplicação na Obra

Muitas de suas frases e poemas no portal Pensador carregam a tag ou o título de "Movimentalismo", servindo como pílulas de sabedoria sobre a impermanência e a necessidade de evolução constante. 

Michel F.M. é o pseudônimo literário de Bruno Michel Ferraz Margoni, um prolífico escritor, poeta, compositor e filósofo brasileiro contemporâneo.


Michel F.M. é o pseudônimo literário de Bruno Michel Ferraz Margoni, um prolífico escritor, poeta, compositor e filósofo brasileiro contemporâneo.

Sua produção é marcada por uma abordagem interdisciplinar, fundindo conceitos de áreas como biologia, história e artes visuais com reflexões existenciais profundas. 

Perfil e Trajetória

Formação: Graduado em História, Artes Visuais e Filosofia, possui especializações em Neuroeducação, Saúde Pública e Paradesporto.

Produtividade: Ultrapassa a marca de 900 composições, incluindo canções, poemas e reflexões filosóficas.

Reconhecimento: Membro do acervo de Literatura Lusófona da Biblioteca Nacional da França (BNF). 

Principais Obras e Projetos

Michel F.M. organiza sua vasta produção em diversas trilogias e volumes temáticos, incluindo títulos focados na materialização de ideias, poesia e reflexões existenciais.

Estilo Literário

Com escrita visceral e analítica, o autor utiliza metáforas biológicas para abordar temas como tempo e finitude, consolidando o conceito de Movimentalismo — a ideia de que a vida se realiza no movimento prático e substancial.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Análise de "As Ameixas", poema de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni), presente na obra Áspera Seda (2011). O poema é um mosaico da feminilidade, construído através de 14 retratos de mulheres distintas, culminando em uma reflexão metafórica no capítulo final.



Análise de "As Ameixas", poema de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni), presente na obra Áspera Seda (2011). O poema é um mosaico da feminilidade, construído através de 14 retratos de mulheres distintas, culminando em uma reflexão metafórica no capítulo final.

1. Estrutura e Estilo

Narrativa Episódica: O poema é dividido em capítulos, tratando cada mulher como uma história única, o que confere à obra um caráter de antologia poética.

Linguagem Variável: O autor alterna entre a singeleza (Camila e Larissa), o realismo cru (Danielle) e o épico social (Corina).

Ritmo: Utiliza rimas ricas e jogos de palavras (ex: "apartados pelo aperto da partida") para ditar a personalidade de cada homenageada.

2. Galeria de Arquétipos

O poema não descreve apenas nomes, mas essências:

Dualidade (Cap. I): Camila e Larissa representam o equilíbrio de opostos (clara/gema, fala/encena).

Resiliência Social (Cap. VI e XIV): Danielle personifica a luta contra o vício e a vida nas ruas, enquanto Corina é a síntese da sobrevivência feminina através das eras, resistindo a guerras, machismo e à invisibilidade do trabalho doméstico.

Complexidade Psicológica (Cap. IV e V): Jennifer e Suellen mostram mulheres que usam "couraças" ou comportamentos ambíguos (abraço/tapa) como mecanismo de defesa ou poder.

Perfeição e Idealização (Cap. X e XI): Ariele é a estética absoluta, enquanto Iara habita o campo dos sonhos e da insatisfação com a realidade.

3. O Simbolismo das "Ameixas" (Cap. XV)

O desfecho revela a metáfora central: as mulheres são as ameixas.

Maturação: Estão na "prateleira" do mundo, tentando amadurecer sob o olhar alheio.

Dualidade Sagrado/Profano: São descritas como "alimento do pecado puro", sugerindo tentação e pureza simultâneas.

Imortalidade: O encontro entre o observador e a "ameixa" (a mulher) gera um instante de eternidade, onde a beleza e a vivência superam a efemeridade do tempo.

Conclusão

O poema é uma celebração da diversidade feminina. Ele humaniza figuras que poderiam ser invisíveis (como a moradora de rua ou a dona de casa) e as eleva ao status de arte. É uma obra sobre a observação atenta do outro.

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O Capítulo XV – Ameixas funciona como a síntese filosófica e o fechamento metafórico de toda a obra. Após apresentar quatorze retratos individuais, o autor utiliza a fruta para universalizar a condição feminina sob a sua ótica.

Aqui estão os pontos centrais da análise:

1. A Metáfora da Prateleira (Vulnerabilidade e Exposição)

As "ameixas na prateleira" simbolizam as mulheres inseridas na sociedade, expostas ao julgamento e ao olhar do outro. Há uma tensão entre o esforço interno para "amadurecer" e a estática de estarem sendo observadas ("olhares atentos").

2. A Polpa Intacta e o Mistério

O verso "Sua polpa, intacta, não foi extraída" sugere uma preservação da essência. Apesar de estarem expostas, há algo de inviolável nelas. O autor reforça a ideia de que, embora ele tenha descrito várias mulheres nos capítulos anteriores, a intimidade profunda (a polpa) permanece protegida.

3. Dualidade: Sedução vs. Pecado

O poema flerta com o simbolismo bíblico:
"Alimentam o pecado puro": Uma contradição intencional (oxímoro). Sugere que o desejo despertado por essas mulheres é natural, quase sagrado, mas ainda assim visto como "pecado".
"Iludem arbustos e seduzem": Indica uma força ativa das mulheres, que não são meros objetos passivos, mas agentes que subvertem o ambiente ao redor.

4. O Contraste Geográfico e Social

"Maneira interiorana entre sete capitais" sugere uma simplicidade ou autenticidade que sobrevive mesmo em ambientes urbanos, caóticos ou sofisticados. É a preservação da raiz em meio à modernidade.

5. A Imortalidade do Instante (O Epílogo)

Os dois últimos versos são os mais poderosos do poema:

"Por um segundo, ambas foram imortais": Refere-se às mulheres (as ameixas).
"Por um segundo, ambos fomos imortais": Refere-se ao encontro entre o poeta (observador) e a mulher (observada).

O autor propõe que a arte e a conexão humana têm o poder de paralisar o tempo. O ato de observar e descrever aquelas mulheres as retirou da finitude cotidiana, tornando-as eternas através da poesia.

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As Ameixas
Michel F.M.
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Capítulo I - Claras e Gemas (Milas e Laris)

Camila é clara,
Larissa é gema,
Larissa fala,
Camila encena,

Camila rala,
Larissa Pena.
Larissa é novela,
Camila é cinema,

Camila é novena,
Larissa é rosário,
Larissa é peixes,
Camila aquário.

Camila agita,
Larissa sacode,
Larissa grita,
Camila acode,

Camila é siga,
Larissa é pare,
Larissa é Mila,
Camila é Lari.


Capítulo II - Bianca

Resistência movida à paixão,
Paixão pelo que a faz contente,
Contentamento que a satisfaz.

Para ela aquele objeto oval,
Que uns chamam de bola,
Não é, nem será banal.

A prática traz precisão,
Deixa de ser esporte
Exercício ou distração,
Transmutando-se em
Colírio.


Capítulo III - Samila

Silêncio, identificação,
Sorriso, aproximação.

Intermináveis emoções
Podem residir dentro
De um simples: Oi !

Bastam três vogais
E Três consoantes,
Para seu nome.

Comportadíssima
Ao se incorporar a fila,
Incorporei-me a ela.
Samila !


Capítulo IV - Jennifer

Cinicamente certeira e sincera,
Simpaticamente severa e sádica.

O que aconselho ?
Não afronte, concorde.

Vem normalmente
Com um abraço e um tapa,
Ou um tapa, um abraço e um tapa.

É ou não é uma belezura ?

Quando parte
Deixa seus partidos apertados
E apartados pelo aperto da partida.

Mas, doa a quem doer,
Com sua palma,
Ela delicadamente doa
De bom grado mimos e hematomas.

Nada que seu charme não cure.


Capítulo V - Suellen

Furiosa comigo (seu interlocutor),
Estranho, como ela gosta.
Gosta repelindo,
Gosta afastando a causa de seu gosto.

A conseqüência é o encaramento,
Encara sem dó.
Encarnando uma couraça
Para se proteger,
Do desgosto que possam injetar nela.

Talvez esse afastamento,
Seja a maior prova irrefutável,
Vista, revista e certificada,
De que a distância é segura;
A margem ameniza.

E distanciada de seu inspirador,
Ela pode gostar.


Capítulo VI - Danielle

Seu hálito indicava 97%
De álcool no sangue,
Completamente embriagada,
Mas alegre,
Dançava gritando
E celebrando sua liberdade.

Tinha herdado dois terrenos
De seu falecido pai,
Morava na rua,
Não quis herdar ausência.

Desapreciava comida japonesa,
Preferia pinga,
Tinha largado a heroína,
Dois anos limpa,
As picadas ainda
Se salientavam no braço.

O que marcava expressivamente
Seus passos e sua honestidade,
Era o trago de cachaça
E o traço de amizade.


Capítulo VII - Rose

Tempestuosamente
Firme em sua calmaria,
Tranqüilidade aquecida.

Quem ousaria defender
A amabilidade
Como geração de energia ?
Ela ousa !

Defende e desfere
Suas particularidades.
Recita citações
Reinventando o que cita
E soa tão original.

Originalidade permanente.
Fizemos um trato,
Ofereço a carona
E ela sua companhia.


Capítulo VIII - Quézia

Maquiada.
Por baixo de seu gloss,
Blush, rímel e delineador,
Está a mais plena graça.

Permeada de múltiplas
Inconsistências,
Ela consegue consistir.

Tem conteúdo,
E o que contém nela
Me agrada demais.

Mas não se resume ao agrado,
É o excesso que conta.
O exagero em abundância,
A redundância.

Demasiadamente
Ela me entusiasma demais.
E sua demasia muito me anima.


Capítulo IX - Sara (Ao surgir tinha ido)

Rangeu o taco,
Trepidou o piso.
Fingi não ter ouvido,
Mas ela era e estava.

Atrás, nas minhas costas,
Quietinha.
Respiração semi-ofegante,
Ela se continha.

Aguardei-a,
Ela tinha seu próprio andamento.
É maravilhoso repassar,
A sensação de ter fingido.

Guardei-a comigo.

Naquele abreviado baque,
Assustou-me.
Deixei-me assustar
E ao surgir tinha ido.


Capítulo X - Ariele

Finalizada pelo aperfeiçoamento,
Preenchida com o necessário,
Superioridade declarada.

Níveis de porcentagem
Alcançando o máximo por cento.

Pós-perfeição,
Vitamina energética,
Sendo energizada.

Ela está terminada, completa.
Arrematada, aprontada,
concluída, findada.

Decorada com um brilho inegável,
Esculpida em perfeita pele,
Seis letras delimitam a ilimitável,
A R I E L E.


Capítulo XI - Iara

Queria muito
Ter partilhado
De seus sonhos.

Sonhos muitas vezes
São fortificantes,
Agitam nossas almas.
Por isso faço questão
De sonhar acordado.

Me desligar de uma realidade
Que não me satisfaz,
Mergulhando em desprendimentos
Que me trazem satisfação.

Às vezes me chamam de delirante,
Para alguns isso
Pode parecer insignificante,
Para mim isso parece essencial,
Definitivo e acertado.

Ainda não tive o prazer
De sonhar contigo dormindo,
Mas confesso,
Já sonhei contigo acordado.


Capítulo XII - Giovana

Criativa, compositora,
Elabora suas próprias canções.

Dialetos variados
Lhe servem de referência,
Não compreendo
Mas sou compreendido.

Caricatura de cerâmica
Sapatinhos ortopédicos
Perninhas delgadas
Vestimentas minúsculas.

Sua capacidade se destaca,
Sua meiguice se aflora,
Melodicamente equipada,
Pode equiparar-se
Às melhores entre as maiores.

Aprendeu francês vendo filmes,
Não compreende com clareza,
Mas sem intercâmbios,
Sua pronúncia é francesa.


Capítulo XIII - Andressa

Brincalhona em brincadeiras
Descoladas mesmo.
Brinca sem se preocupar
Com a modalidade
Ou técnica utilizada.

De nenhuma maneira histérica,
Não detém a histeria
Como característica.

Sobre tudo agradável,
Carinhosa, cuidadosa, precavida.
Não alimenta afinidade com cálculos,
Proporções ou raciocínio-lógico.

Alimenta uma facilidade indiscutível
Para convivência,
Motiva com um efêmero toque
Que a tudo envolve.

Duvido que os prodígios
Da ciência matemática,
Resolveriam seus problemas,
Melhor do que ela os resolve.

Pois ela resolve !


Capítulo XIV - Corina

Bravura denominada,
Homônima a Corina.
Sobreviveu a dois duelos mundiais,
Sobreviveu às perseguições
Políticas, religiosas e culturais.
Sobreviveu à escassez,
Aos racionamentos.
Sobreviveu a quatro maridos,
Nove filhos e dezesseis netos.
Viveu na Europa, África,
Ásia, Oceania, América
E no Continente Polar.
Sobreviveu à bestialidade militar,
Sobreviveu à bestialidade estatal,
Sobreviveu à bestialidade popular.
À macheza dos machistas,
À opressão e à ameaça nuclear.
Sobreviveu ao mercado de laboro,
À jornada quíntupla,
Aos assédios morais
E à forçosa vulgaridade sexual.
Intitulada Dona dele,
Sobreviveu ao lar.
Às milhares de tarefas
Não-remuneradas
E à máquina de lavar.
Um Salve !
À Brava Corina.


Capítulo XV - Ameixas

As ameixas, na prateleira, reluzem.
Os olhares atentos fitam seu porte ?

Fazem o possível para amadurar,
Sua polpa, intacta, não foi extraída.

Ameixas que iludem arbustos e seduzem,
Ameixas que alimentam o pecado puro.

Maneira interiorana entre sete capitais.
Esperando, "distraídas", a sobremesa.

Por um segundo, ambas foram imortais.
Por um segundo, ambos fomos imortais.

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(Áspera Seda: Volume Único - 2011)

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Para aprofundar na obra de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni), é preciso entender que sua poesia é um exercício de insubordinação. O autor transita entre o existencialismo e a crítica política, frequentemente focando na desconstrução de narrativas oficiais.


Para aprofundar na obra de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni), é preciso entender que sua poesia é um exercício de insubordinação. O autor transita entre o existencialismo e a crítica política, frequentemente focando na desconstrução de narrativas oficiais

Outro Poema: "Poesia Pandêmica"

Um dos textos mais impactantes do autor, Poesia Pandêmica, ilustra bem como ele conecta eventos reais a críticas sistêmicas: 

"Não foi o vírus que a matou
Foi o desprezo pela vida
De quem nem mesmo a conheceu" 

Análise Rápida: Assim como em "Primeiros Batimentos...", aqui o autor aponta um culpado oculto. Ele retira a "culpa" de um elemento natural (o vírus) e a desloca para a negligência política, reforçando a ideia de que a realidade é moldada por decisões de quem detém o poder. 

Temas Centrais: A Crítica ao Poder

A obra de Michel F.M. é estruturada em torno de quatro pilares principais, visíveis em suas coleções no Clube de Autores: 

A "Revolesia" (Revolução + Poesia): 

O autor defende que a poesia deve ser um ato concreto que influencie a realidade. Livros como Revolesia e Sujeitos Insubordinados focam no despertar da consciência das massas contra a opressão.

O Destino do Poder: 

Para ele, o poder não é eterno. Em um de seus pensamentos mais citados, afirma que "O destino do poder é a ruína", sugerindo que toda estrutura opressora carrega em si a semente de sua própria destruição.

A Verdade como Versão:

O autor frequentemente explora a ideia de que "A verdade é apenas mais uma versão". Isso aparece em poemas onde ele desafia o leitor a questionar quem está contando a história e por quê.

A Biopolítica e a Existência: 

Formado em História e Artes Visuais, o autor utiliza conceitos acadêmicos para falar de temas como a "Manobra de Heimlich" social ou a "Anatomia do Impulso", tratando o corpo e a mente como campos de batalha política. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O poema "Vim até aqui para Viver", de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni), é uma obra de tom existencialista que explora a resiliência e a ciclicidade da vida por meio da metáfora da morte e do renascimento.


O poema "Vim até aqui para Viver", de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni), é uma obra de tom existencialista que explora a resiliência e a ciclicidade da vida por meio da metáfora da morte e do renascimento.

Aqui está uma análise dos principais pontos:

A Cíclica Ressurreição: O autor apresenta a "morte" não como um fim biológico, mas como as perdas emocionais e o encerramento de ciclos. O eu lírico defende que a aceitação do fim é o único caminho para a renovação.

O Aceite do Inevitável: O poema aborda o medo humano do fim ("terrivel e inaceitável"), mas sugere que o sofrimento diminui quando admitimos que não temos controle sobre o tempo.

A Perspectiva Mental: No trecho "Uma mente poluída só vê o céu nublado", o autor destaca que a percepção individual molda a realidade. A felicidade ou a superação dependem de uma "limpeza" interna para enxergar novas possibilidades.

Ação e Realização: Existe um equilíbrio entre o sonho e a prática ("Entre plano ideal e projeto realizado"). O poema não é apenas contemplativo; ele convida à reconstrução ativa de "intenções estraçalhadas".

Conclusão Resoluta: O final é afirmativo e urgente. A expressão "viver, formidavelmente e mais nada" despe a vida de excessos e foca na intensidade do agora.

Estrutura e Estilo

Tom: Motivacional e reflexivo.

Linguagem: Acessível, mas rica em imagens sensoriais (brasas, céu nublado, cristalização).

Mensagem Central: A vida é um processo contínuo de quebrar e refazer-se.

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Vim até aqui para Viver 
(Michel F.M.)

Só é possível renascer,
Após a aceitação das múltiplas
Mortes que sofremos ao longo da vida.

Já morri tantas vezes
Que nem me recordo mais,
Cristalizando de volta o que não se desfaz. 

Morrer é algo terrível e inaceitável,
Mas só se deixarmos de admitir 
Que não se pode impedir o inevitável.

Vim até aqui para viver 
E reviver com esperança renovada,
Reavivar motivações despedaçadas.

Uma mente poluída só vê o céu nublado,
Nós somos a necessária medida,
Entre plano ideal e projeto realizado.
Inflamar brasas enfraquecidas, apagadas.

Vim até aqui para viver 
E reconstruir intenções estraçalhadas,
Uma última vez viver, 
Formidavelmente e mais nada.

[16/01/23]

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

O poema "Brilho Fraterno para Caminhos Tortuosos", de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni), é uma obra que explora a identidade através da dualidade entre o físico e o ideológico, utilizando a metáfora do "canhoto" para construir uma narrativa de resistência.


O poema "Brilho Fraterno para Caminhos Tortuosos", de Michel F.M., é uma obra que explora a identidade através da dualidade entre o físico e o ideológico, utilizando a metáfora do "canhoto" para construir uma narrativa de resistência.

Abaixo, uma análise detalhada dos principais pontos:

Análise Temática e Estrutural
  • A Identidade do "Sinistro": O termo "sinistro" (do latim sinister, que significa esquerda) é ressignificado. Historicamente associado ao "mal" ou ao "errado", aqui ele representa a singularidade e a habilidade de quem opera de forma diferente da maioria ("Escreve e chuta / Com a esquerda").
  • Dualidade Cromática e Biológica: A cor vermelha ("Coração e sangue / Vermelhos") cumpre papel duplo: simboliza a vida e o vigor biológico, mas também carrega uma forte carga semântica de ideologia política e paixão.
  • Ritmo e Resiliência: A terceira estrofe utiliza adjetivos como "Pulsante", "Ritmado" e "Constante" para evocar a batida de um coração que não desiste, estabelecendo a coragem como uma característica intrínseca, quase mecânica e vital.
  • O Ideal Revolucionário: O desfecho revela que a natureza do eu lírico é o conflito transformador. A "revolução" não é apenas um evento político, mas o "grande amor" que dá sentido à existência e ao brilho mencionado no título.

Elementos Estilísticos
  • Linguagem Direta: O autor utiliza versos curtos e vocabulário acessível, o que confere ao poema um tom de manifesto ou grito de guerra.
  • Paralelismo: A estrutura reforça a ideia de uma progressão: do corpo (mão/pé) para o sentimento (coração) e, finalmente, para a ação social (enfrentamento/revolução).
  • Título Simbólico: O "Brilho Fraterno" sugere solidariedade entre os que lutam, enquanto os "Caminhos Tortuosos" representam as dificuldades de se opor ao sistema ou à norma.
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Brilho Fraterno para Caminhos Tortuosos 
(Michel F.M.)

Ser canhoto,
Sinistro,
Escreve e chuta
Com a esquerda.

Persistente,
Inconformado,
Coração e sangue
Vermelhos.

Pulsante,
Ritmado,
Constante,
Valente.

Sua paixão
É o enfrentamento,
Seu grande amor,
A revolução.

Livro: Revolesia (Volume Único)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O poema "Um Olhar da Trincheira" de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) é um manifesto de sobrevivência que desconstrói a romantização do sofrimento. Com um tom pragmático e direto, ele substitui o heroísmo clássico pela estratégia de preservação.



O poema "Um Olhar da Trincheira" de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) é um manifesto de sobrevivência que desconstrói a romantização do sofrimento. Com um tom pragmático e direto, ele substitui o heroísmo clássico pela estratégia de preservação.

Aqui está uma análise dos pontos centrais:

1. Desmistificação do Sacrifício

O eu lírico é categórico: "o sacrifício nunca é um bom negócio para o sacrificado". O poema rejeita a ideia de que se "explodir" por uma causa ou pelo outro seja nobre. Ele alerta que, uma vez desmembrado (seja física ou emocionalmente), a eficiência se perde. A prioridade é manter a integridade do "todo".

2. A Crítica à "Resiliência Gourmet"

O fechamento é uma crítica social afiada. O autor diferencia a resiliência como conceito de marketing moderno — algo que se tornou "moda" no mundo corporativo e no autoajuda — da resiliência real, forjada na "trincheira". Para quem vive em estado de luta, ser resiliente não é uma escolha estética, mas uma condição de existência antiga.

3. A Poética da Esquiva

Diferente da força bruta, o poema exalta a mobilidade:
  • A Estrada e a Roda: Símbolos de continuidade e movimento constante.
  • A Esquiva: A sobrevivência não vem do embate direto e destrutivo, mas da capacidade de "desviar". É uma inteligência prática, quase instintiva.

4. Cicatrizes como Registro

As marcas do passado não são lidas como derrotas, mas como provas de adaptação. Elas narram a história de quem apanhou, mas aprendeu a ajustar a guarda.


Resumo: É um poema sobre resistência inteligente. Ele ensina que o verdadeiro "olhar da trincheira" não é o de quem busca a morte heroica, mas o de quem domina a arte de permanecer inteiro em um mundo que tenta nos fragmentar.

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Um Olhar da Trincheira
(Michel F.M.)

as cicatrizes
carregam
nossa capacidade
de adaptação.  

no entanto,
não se debruce
sobre a granada,

as partes 
desmembradas
não são maiores
que o todo,
nem mais 
eficazes.

o sacrifício
nunca é um bom
negócio para o
sacrificado.

obstinados como 
a estrada,
ligeiros como
a roda.

nossa prática
é feita de esquivas
e nos tornamos 
excelentes
em desviar.

nós já éramos
resilientes,
muito antes 
dessa palavra 
entrar na moda
e se popularizar.

[Livro: Encontro de Pulsações - Trilogia Flores do Pântano - 2025]