terça-feira, 16 de junho de 2026

Bruno Michel Ferraz Margoni (também conhecido pelo pseudônimo Michel F.M.) é um premiado escritor, poeta, músico, editor e professor brasileiro. Ele possui um amplo envolvimento na literatura contemporânea independente nacional e internacional.


Bruno Michel Ferraz Margoni (também conhecido pelo pseudônimo Michel F.M.) é um premiado escritor, poeta, músico, editor e professor brasileiro. Ele possui um amplo envolvimento na literatura contemporânea independente nacional e internacional. [1]

Carreira e Destaques

  • Atuação: É fundador da Editora Antologias Conectatum, criador do Projeto Movimentalize, idealizador do Prêmio de Literatura Coleção Opostos e atua como professor na rede pública de SP. [1]
  • Produção Literária: Autor de mais de 30 livros publicados, incluindo a Série Eclipse Vital e a Trilogia Coleção Opostos (Na Textura Sólida das Nuvens, Na Frieza do Magma e Amarga Doçura). Outras obras incluem Esplêndida Face Magnífica, Anatomia do Impulso e Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas. [1]
  • Reconhecimentos: Membro vitalício da Academia Independente de Letras, laureado com a medalha Máximo Gorki e comendador pela Ordem Literária Scriptorium. [1]

Para aprofundar na biografia e na trajetória de Bruno Michel Ferraz Margoni (Salto, 13 de fevereiro de 1988), conhecido no meio literário pelo pseudônimo Michel F.M., é preciso compreender sua atuação multifacetada como escritor, editor independente, educador e acadêmico imortal. [1, 2, 3]

Abaixo estão os detalhes aprofundados sobre a sua formação, pilares literários e projetos de fomento cultural:

1. Origem e Formação Acadêmica Plural

Filho de ativistas sociais de Salto, interior de São Paulo, o autor construiu uma bagagem acadêmica extensa e diversificada para fundamentar seus escritos filosóficos e artísticos. Ele é graduado em cinco áreas distintas: [1, 2]
  • Comunicação Social (Publicidade e Propaganda).
  • História e Filosofia.
  • Artes Visuais e Educação Física.
  • Especializações: Possui pós-graduação em Psicologia aplicada à Educação Física e ao Desporto e em Metodologia do Ensino de Arte. Além disso, ingressou no programa de Mestrado Profissional em Educação Física pela UNESP. [1, 2]

2. Estilo Literário e Pseudônimo (Michel F.M.)

Ele começou a compor aos quinze anos de idade. Sob o pseudônimo Michel F.M., ele se autodefine de forma irônica como um "Perito em Contradições, Sujeito Insubordinado, Mestre dos Pretextos e Rimante por acidente". [1, 2]
  • Abordagem: Suas poesias e crônicas misturam existencialismo, filosofia cotidiana, críticas sociais e o lirismo das conexões humanas.
  • Trilogia de Destaque: A chamada Trilogia Mestre dos Pretextos sintetiza bem seu tom contestador. Ela é composta pelos livros Delírio Absoluto da Multidão Atônita, Pacífico em Brasas e Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas. [1, 2]
  • Outras séries: O autor publicou compilações marcantes como Ensaio sobre a Distração (Vol. 1 e 2), Poesia Pandêmica e (des) Rimando. Suas obras integram o acervo de Literatura em Língua Lusófona da Biblioteca Nacional da França (BnF), tendo exposto trabalhos em Paris. [1, 2, 3]

3. Editora Antologias Conectatum e Fomento Literário

Como editor-chefe da Editora Antologias Conectatum, Bruno Margoni atua diretamente abrindo portas para novos talentos da literatura nacional. [1]
  • Antologias Coletivas: Ele projeta e organiza volumes que condensam poemas, contos e crônicas de centenas de autores contemporâneos independentes. [1]
  • Grandes Coletâneas: É o responsável direto pela organização da Série Eclipse Vital e da aclamada Trilogia Coleção Opostos (composta pelos livros Na Textura Sólida das Nuvens, Na Frieza do Magma e Amarga Doçura). [1]
  • Premiações: Através do Prêmio de Literatura Coleção Opostos e do Projeto Movimentalize, ele gerencia concursos literários que distribuem reconhecimentos e dão visibilidade a escritores que estão fora do circuito das grandes corporações editoriais. [1]

4. Honrarias e Sociedades Literárias

O impacto de sua produção e curadoria editorial rendeu posições de destaque no cenário de academias independentes: [1]
  • Imortalidade: É Membro Vitalício e Acadêmico Imortal da AIL (Academia Independente de Letras), onde ocupa a Cadeira 193 (batizada por ele de Conectatum). É também membro-fundador da Academia Intercontinental Sênior de Literatura e Arte (AISLA). [1, 2]
  • Medalhas: Foi condecorado com a prestigiada Medalha Máximo Gorki, recebeu a Comenda da Ordem Literária Scriptorium e o Título de Referência Literária no Prêmio Apontador: Evidências Literárias. [1]
  • Prêmio Jabuti: Já figurou como autor convidado em ações e painéis do tradicional Prêmio Jabuti. [1]

Atualmente, ele concilia a intensa rotina de publicações na plataforma Clube de Autores e UICLAP com o cargo efetivo de professor na rede pública de ensino do Estado de São Paulo. [1, 2]

sábado, 30 de maio de 2026

Bruno Michel Ferraz Margoni, conhecido pelo nome artístico e literário Michel F.M., é um artista e pensador brasileiro extremamente versátil


Bruno Michel Ferraz Margoni, conhecido pelo nome artístico e literário Michel F.M. [1, 2]

Ele é um artista e pensador brasileiro extremamente versátil. Se você o conhece, é bem provável que seja por alguma de suas muitas facetas:
  • Música: Ele é cantor e compositor, com diversas músicas registradas e disponíveis em plataformas de letras (como o Letras.mus.br).
  • Literatura: É autor, poeta e antologista, além de membro-fundador de academias de literatura e arte. Você pode encontrar seus livros em plataformas como a Clube de Autores ou na Amazon.
  • Frases e Pensamentos: É bastante citado em plataformas de reflexão e citações, como o Pensador. [1, 2, 3, 4, 5]
Além disso, sua formação é multifacetada e interdisciplinar: ele é graduado em Comunicação Social, Educação Física, Filosofia, História e Artes Visuais, e atua também como professor, pesquisador e comunicólogo! [1]

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Michel F.M. - Poemas 2026 - Parte 4


Michel F.M. - Criações 2026 - Parte 4

🍄 2026 🍄



Virtuoso (Projetado do Avesso)

era ele um exemplo 
do Não-Ser.
até que não seria 
tão ruim, 
se não fosse
tão péssimo. 

um acabamento 
mal feito de verdade,
um manifesto 
reverso da ostentação. 

nada menos que 
o cúmulo da ausência 
total de presteza. 

no acúmulo da
inabilidade que possuía, 
o indivíduo tornar-se-ia
neste ritmo em que vinha,

nulo. o próprio gênio invertido,
projetado do avesso, 
na contramão da maestria.

conquistado 
a duros deslizes,
o personalizado direito 
à inaptidão.

fosse esta veemente 
incompetência, 
adquirida 
ou congênita,

nos tropeços 
da hereditariedade,
moldar-se-iam 
teus dotes,
geração pior que geração.

como alguém 
pode possuir 
uma falta de noção 
tão grande
e desproporcional [??]

um enigma 
impenetrável 
diante da vista estupefata. 

na contemplação 
vacilante e desnorteada 
do observador, 

podia-se constatar 
o nível alarmante, 
de incredulidade 
e atordoamento. 

a transmissão em
larga escala da magnitude 
do desastre,
o nobre erro hiperbólico. 

uma performance
antológica, impossível 
de prever ou ignorar,
a excelência do descaso.

uma ópera orquestrada
ao vivo, pelo despreparo
da inépcia absoluta.

a saga brilhante 
da mediocridade
elevada ao cubo.

mas o relaxo extremo,
não é um campo de amadores.

como qualquer outra técnica, 
exige intencionalidade 
e precisão no desleixo.

que só pode ser alcançada, 
na reincidência obstinada
da repetição [com todas as
redundâncias], levando 

por conseguinte, ao 
aperfeiçoamento
de teu virtuosismo.

03/05/26
 






Desperta(dor)

após três bipes

Bip

Bip

Bip

os analgésicos 
começavam 
a perder seu
efeito

03/05/26






Torcicolo 

nem mesmo o rochedo 
mais sólido, apresentaria em teus
melhores dias,
tamanha concretude
estrutural.

um arcabouço 
geológico único,
fixado na base 
do crânio.

chamado pelos compêndios
anatômicos, 
em tuas intermináveis 
22 letras, de 
esternocleidomastóideo.

irradiava tua 
petrificação
também ao trapézio. 

mais rígido agora, que
as moléculas de grafeno
jamais foram.

Tra-va-daço.

para onde virasse,
era apenas
Clack,
        Clack
                e volta e meia, um Clock.

03/05/26







Desfibriladora 

tua descarga 
elétrica 
controlada, 

me trazia de volta
o sopro 
da vida.

em meio
àquele oceano
cinza 

e a fumaça 
rasante 
da esquadrilha.

nenhuma 
parada 
cardiorrespiratória 
súbita,

era pário 
para a
massagem cardíaca, 

que você 
representava.

03/05/26








Migração das Metáforas 

quando uma forma
incontrolável 
de concentração 
de energia, 

colide e desloca
sua força 
para o solo,

incendiando 
uma floresta 
inteira, 

a partir de 
uma faísca,
chamamos 
este evento 
de catástrofe 
natural.

quando uma forma 
incontrolável 
de concentração 
de energia, 

colide e desloca
sua força 
para o papel,

incendiando 
uma tradição 
inteira, 

a partir de 
uma faísca,
chamamos 
este evento 
de poema em 
versos libertos.

e a poesia de 
combate, 
uma vez liberta,
levará à aniquilação 
e à concepção,
universos 
inteiros.

06/05/26







Autoconcepção de um Indivíduo Coletivo 

nenhum verso 
nasce livre,
ele precisa ser libertado.

e não será 
liberto senão, 
por tuas próprias mãos.

depois de iniciada,
a autolapidação 
manifesta-se de maneira 
imparável.

exige planejamento,
mas nem tanto,
do que realmente 
necessita é emergência 
e intencionalidade.

a cada martelada,
pedaços consideráveis 
de nosso eu,
se espatifam 
contra o chão,

no tango 
encantador 
da gravidade.

dois amantes 
em fluidez,
sincronizando, 

cada qual com 
tuas singularidades.
traga também 
as neuroses,

até nossas
falhas ocorrem 
em sincronia.

ao ponto de não mais,
ser o poeta 
quem escreve.

[vê-lo-ás aqui,
nu em pêlo].

ei-lo agora,
escrito e gerado, 
por tua própria 
poesia.

07/05/26







Prova de Vida

no formulário, 
constavam os dados
todos.

completos,
integrais, preenchidos,
com toda a informação,
digna de ser 
armazenada,

em todos os seus caracteres
e computada 
pelos múltiplos 
algoritmos, 

que fariam a leitura
detalhada, de cada um 
dos detalhes 

milimétricos, 
com os pormenores nos 
campos que esquadrinharam 
teu perfil.

sua saúde porém, 
andava péssima.

não vinha se medicando 
conforme psiquiatra 
e cardiologista 
haviam recomendado.

uma dieta horrorosa,
não se recordava quando
exatamente, havia dormido 
pela última vez.

a respiração 
ofegante, ronquidão 
severa na garganta, aquela
pressão no peito
persistente,

as pálpebras saltitavam 
sozinhas, frenéticas.
ele não se sentia nada bem, 
há muito, 
muito tempo.

07/05/26







Aos Inaptos, desprovidos de qualquer talento

dedicam canções 
aos talentosos,
dedicam filmes, 
longa-metragens

que ganham oscars, 
globos de ouro, baftas,
prêmios em cannes. 

dedicam
livros aos talentosos,
para contar
suas proezas

e estes livros 
também ganham
prêmios. 

quando adaptados 
para o cinema, 
os protagonistas 
também se consagram, 

após interpretarem 
personagens,
inspirados em 
pessoas talentosas.

[o nobel
foi um cara muito 
importante. li em algum 
lugar que ele inventou
a dinamite. o que seria

do mundo sem a dinamite?
certamente, não teria morrido 
tanta gente de maneira tão 

violenta e muitos ainda
teriam seus membros 
intactos. mas tirando a parte
de todos os corpos mutilados,
o que importa 

é o que ele fez com o dinheiro, 
da patente das dinamites.
criou um prêmio com 

o próprio nome, para homenagear 
quem tivesse muito talento. 
esse cara era mesmo
talentoso].

foi assim que me
tornei poeta,
por um motivo 
completamente diferente 

de todos esses.
foi justamente 
por não ter talento algum.

a poesia não despreza ninguém,
ela é feita até para aqueles,
que como eu, nunca foram
bons em nada.

e para estas pessoas inaptas,
como eu, dedico
este poema.

07/05/26






Onze Mil Quilates 

um rubi gigantesco,
esta era a manchete 
nos jornais do mundo todo.

onze mil quilates.
diziam especialistas
que aquela pedra, era a mais
valiosa pedra, jamais vista.

valeria centenas de milhões 
de dólares nos leilões,
sendo exposta numa cúpula 
de vidro à prova de bala.

os magnatas já preparavam
suas reservas monetárias,
seria uma corrida desenfreada
para possuir aquela pedra avermelhada.

seu país de origem estava devastado
pela guerra civil, que durava décadas;
golpes de estado, miséria extrema, 

minas terrestres espalhadas a esmo,
como um garboso campo de girassóis, 
cortesia das grandes potências.

mas era a mais valiosa pedra,
jamais vista. num mundo onde
se encontram pedras por todos
os cantos e a vida não vale um puto.

09/05/26







Treze mil novecentos e sessenta e seis vezes zero 

Deveria ser extremamente
Desgastante, buscar o significado 
De qualquer termo, na época 
Dos dicionários analógicos.

E quando utilizo a ênfase no
Extremo, é ainda um eufemismo,
Ou seja, uma suavização da
Dificuldade, que de tão dificultosa,

Me faz desistir imediatamente,
Até mesmo de imaginar. Pois
O esforço hercúleo que exigiria,
Desmotiva e inibe qualquer um

Desta geração de desistentes.
Que já nascemos cansados, e a cada
Novo dia, nos é concedida outra
Calorosa oportunidade, para deixar

Pra lá e desistir. Talvez por termos
Acesso a todos os significados, de
Todos os termos, de todos os tempos,
Um dia formulados e deixados para

Que encontremos seu sentido, em 
segundos, numa pesquisa aleatória,
Que não esclarece nada e que não 
Leva a lugar nenhum. Talvez por isso

Os trabalhos de Hércules ou as
Pelejas icônicas de Perseu, não nos
Interessem e não mais nos fascinem.
Nadar a braças largadas, nesta cordilheira 

De pornografia e publicidade abrasiva,
Nas pilhas de lixo infinito para consumo 
Rápido, fazem as Quimeras e os Krakens
Soarem, como uma liquidação de black
Friday, num shopping de quinta categoria.

10/05/26

 






Depósito de Caixas

nelas se encontravam 
cartuchos 
de formatura 

e álbuns 
de casamento,
panelas, talheres, 

eletrodomésticos,
fotografias antigas, 
amareladas,

onde os instantes 
capturados,
sugeriram cenas 

e situações tão 
familiares, de pessoas 
desconhecidas

para nós, 
mas tão importantes 
para alguém. 

estavam concentrados 
ali, na colméia de memórias, 
onde cada um dos favos, 

despertava
espasmos faciais 
e gotas que escorrem 

pelas bochechas, 
de vez em quando.
evocavam risos e suas

evoluções 
para gargalhadas.
traziam de volta 

até mesmo os
suspiros profundos, 
que nem as alergias,

rinites, sinusites 
e asmas, podem
evitar.

10/05/26





Equimoses

Causadas geralmente 
Pelas trombadas 
Cotidianas,

Nas quais os interesses 
De um, são incompatíveis 
Com os do outro.

Por serem superficiais,
As manchas arroxeadas
Desaparecem, em
Questão de dias,

Deixando apenas o
Desconforto, de ter que 
Olhar para as mesmas 
Caras, o resto do ano.

10/05/26





Hematomas

Causados geralmente 
Por pancadas
Violentas,

Nas quais os objetivos 
De um, são incompatíveis 
Com os do outro.

Por serem traumáticas,
As escoriações exibidas 
Nem sempre refletem, 
A real condição,

Que pode ser muito pior
Do que parece, e a porção 
Invisível pode resultar, num
Acúmulo severo de acidez,
Liberado nas pausas pro café.

10/05/26








Ignore o mastodonte na sala

O que faz as pessoas 
Disfarçarem suas reais opiniões,
São os costumes, a etiqueta,
Cortesia, ou apenas a velha
E gasta dissimulação?! 

O fingimento é uma habilidade 
Crucial, para sobrevivência 
Em ambientes sociais hostis.

As mentiras adornam cada 
Um dos espaços e aspectos,
da convivência contemporânea. 

A conivência em disfarçar 
Temas e assuntos desconfortáveis,
Contornar tabus desagradáveis,

Perambular pelos redutos da
Falsidade, com tamanha destreza 
E habilidade, tornando o engodo
Tão satisfatoriamente natural,

Fez com que uma subclasse
Dos primatas qualquer, se tornasse a
Espécie dominante de um ecossistema,
Onde não possui nenhum trunfo
Ou atributo apropriado para tal.

10/05/26





Bloqueio Criativo 

Ele achava que era um poeta,
Pois havia escrito 
Muitos poemas.

Nem sempre com boas rimas
É verdade, muitas vezes 
Sem rima nenhuma.

Teus poemas também 
Não possuíam métrica, não 
Fazia nenhum sentido para ele

Contar sílabas, já que a forma
Nunca lhe chamou atenção.
Era o conteúdo que o atraia 
E deslumbrava teus pensamentos.

Por vezes eram musicais
Teus poemas, com ritmo e
Melodia. Eram levadas de dois
Acordes, três no máximo,

Com uma sonoridade acústica e
Melancólica, mas alguma coisa
Nos versos dispunha de vigor,
Numa pegada crua e visceral.

Ele realmente achava 
Que era um poeta.
Até conhecê-la e ficar,
Completamente sem palavras.

[Talvez tenha sido o silêncio,
Sua melhor composição].

10/05/26






Estrutura de um Poema Indestrutível 

----------------------------M----------------------------
|                                                                |
----------------------------A----------------------------
|                                                                |
----------------------------T-----------------------------
|                                                                |
----------------------------C----------------------------
|                                                                |
----------------------------H----------------------------
|                                                                |
----------------------------E----------------------------
|                                                                |
----------------------------N----------------------------
|                                                                |
----------------------------K----------------------------
|                                                                |
---------------------------- I ----------------------------
|                                                                |
----------------------------N----------------------------
|                                                                |
----------------------------H----------------------------
|                                                                |
----------------------------A----------------------------

10/05/26








Sobre a ver ou existir 

Já tinha passado.
E era lá no passado,
Que ele a encontrava.

Quando se esforçava, 
Também no futuro
Detalhes surgiam.

Mas no caso de
Imaginação, nada se 
Pode fazer, senão 

Imaginar. Então o
Presente sempre tão 
Consistente, era página

Oca, árida, deficitária de
Letras e mensagem,
Sem estampa ou acento.

Por mais que garimpasse 
A possibilidade,
Por ali, já não havia.

Por mais que os olhos
Apertasse/forçasse,
Por ali, já não a via.

Apesar disso, ele era
E estava. E justamente por isso,
Persistia, mesmo sem porquê.

11/05/26






Confidência bombástica da cor furtada 

Esta incompreensível 
Condição, era tua qualidade 
Mais marcante e atraente.

A luz, tão fria no dia
E na noite tão quente, ditava
O ritmo, definia o tom.

Raríssimos sons nos 
Comoviam, como aquela
Voz rouca, que sumia
Ao final das sílabas.

Era o posfácio da força,
Que a um punhado 
Se esvaíra. Tua paleta 
Rotativa exibia-se em contrastes.

Transmutando cristais 
Incandescentes, jóias inusitadas
Em abundância, faziam
Da raridade uma estante 
Banal. 

Era a própria essência da Íris 
Em teu arco, chamada agora
De iridescência.

Sobre o que era, não sabíamos,
A quem se destinava,
Não mais supúnhamos.

E aquela exótica e esquisita 
Figura, que perambulava num
Tênis barato e remendado,

Nesta materialização translúcida, 
Era em si, ela mesma, 
Furtiva, a desaparecida furta-cor.

12/05/26







Genealogia do Tédio 

Se fosse só morrer pela revolução,
Pela revolução
Eu morreria.

Se fosse só viver por amor,
Por amor
Eu feliz viveria.

Mas o inferno 
Consiste na rotina,
Aquela reincidente rotina
De um replicado, 
Suplicante.

Que se repete, 
A cópia da cópia,
Sem morte, nem revolução,
Só sacrifício.

Aquela rotina, 
Que se repete
Sem reciclagem, 
De sacanagem,

Onde não vivemos
Felizes por amor,
Onde todo fim parece início.

É na rotina 
A rota de colisão,
Nos arrastamos 
Rotos, onde

Todo recomeço 
Parece o fim.
E o que diabos se fez, da paixão?!

12/05/26








Refresco

aos olhos do douto
- em tua mobília 
entalhada, de nobre
procedência -

o tolo
diz errado, 
faz errado,
errado-pensa.

chuchando 
café coa cuié,
o tolo nem do douto sabe.

ele arrasta 
um toco pra sentar,
provando sem querer
quem é esperto.

decasca uma laranja,
- cheia do bão cardo -
proseia um bocado
e vive pelo certo.

13/05/26









Fórmula do Indefinível 

O amor é tudo aquilo 
Que o poeta omitiu.
E indefinidamente mais.

13/05/26





 

O Vale das Sombras foi meu Bosque Encantado  

Pense em todas as coisas 
Insuportáveis, que em nenhuma 
Situação normal você aceitaria
E não aceite.

Nós atravessaremos esse deserto 
Interminável de sujeição,
Não acataremos mais, chega
De obediência.

Não haverá rendição também,
E esta será nossa nova diretriz.
Desobedientes, insolentes,
Inconformados e sem rendição.

Até a próxima obrigação,
Obrigatória.

13/05/26







Kamikaze 

Mirou a ponta do nariz 
No parabrisa, e após 
Um instante de suspensão 
Da própria consciência,
Se atirou contra o vidro.
Ela o encarou assustada.
O vidro não se partiu,
A cara dele não se partiu,
Foi uma visão menos
Emocionante do que
Ridícula. Mas o amor
É assim, um misto de
Bravura e idiotice em
Grande porção, mesmo
Que ninguém saia ferido.

13/05/26






Fórmula do Indivisível 

Desconsidere numerador 
E denominador,
Retire quociente,
Dividendo, resto
E divisor.

Daquele entrelaçamento 
Em diante, 
Só ficará o todo.
E nada além, para
Fracionar.

14/05/26







No meio do caos havíamos nós 

Toda minha vida 
Eu evitei o conflito,
Em todas as situações 
Profissionais, pessoais,
Amorosas.

Fiz sempre o possível,
Para me manter longe
Do conflito.

Trilhando pacificamente, 
A doutrina apaziguada
De um singelo pacifista.

Mas esse desgraçado
Persistente,
Insiste em me encontrar.

E quando topamos
Nos becos escuros do acaso,
Ele rosnando, 

Eu me aquecendo,
Nenhum de nós sabe, 
Como vai acabar.

14/05/26






O Procrastinador 

ele se permitiu 
um adiamento.
estabeleceu 
por conta própria 
uma prorrogação.

depois dos
acréscimos 
que se seguiram,
ao prazo já 
encerrado.

de todas aquelas
datas, que vinham
sendo sucessivamente 
postergadas.

era aquele contrato 
que tinha consigo 
mesmo, que importava.

era uma questão 
clara de
prioridades, 

que ele deixaria
sem a menor 
cerimônia, passar.

14/05/26







A Saga dos Mil Poemas

mil anos, formam
a extensão de
um milênio.

uma tonelada,
advém de mil
quilogramas emaranhados. 

e o quilômetro 
é a reunião de mil metros,
ao resolverem 
confraternizar.

quando mil litros 
se organizam, estamos
diante de metros cúbicos.

já este poeta,
é a aglomeração 
de mil poemas [até aqui], 
decididos a se manifestar.

enquanto 
mil centavos parece pouco,
em matéria de poesia,
é toda uma vida.

14/05/26 
poema n⁰1000










Trajetória de uma vida plena

Difícil de conceber,
Alguém com tais características 
Específicas. Mas é assim

Que foi. Ele fez tudo o que 
Queria fazer, mesmo quando
Contrariado. Realizou tudo

O que desejava realizar,
Mesmo quando não-realizado.
Foi feliz em cada um dos 

Momentos, ainda que a
Felicidade em raríssimas 
Ocasiões o tenha acompanhado.

Deixando-nos a seguinte 
Lição: não quantifique nada
Nesta vida. Não ordene os

Fenômenos, crescendo ou
Decrescendo, não condizem
Com o que representa o

Sopro da vida. Cada um dos 
Ladrilhos, por mais opacos
E desbocados que possam

Parecer, conferem o sentido 
Amplo, substancial e abstrato,
Coeso, contraditório e singular,
Ao que denominamos plenitude.

15/05/26






O Inesperado Regresso de Jou Boga

Violência gratuita e a cópula 
Bruta, trazem consigo 
Algum grau de semelhança.

No esfumaçado terror
De teus dias insanos,
Se fartou no sabor da vingança.

Direcionada sempre 
Aos inocentes, quem não 
Tinha culpa alguma, pagou 
Por tudo que não fez.

Após longas férias 
No xadrez de concreto,
Retornou como um rei
Mastigando as damas.

Modus operandi ativado 
De novo, o canalha vil 
disponível na pista.

Brigar e foder eram
Teus hobbies favoritos
Nas noites imprevistas.

Garrafadas a esmo, tatuagens 
Zoadas, cicatrizes suadas,
O veneno no sangue, 
A corrente gelada.

Uma cólera cega
Envelhecida em tonel,
Atrocidades destiladas.

A negligência enfim
Convertida em barbárie, 
Canonização do hediondo.

Especializando requintes
De crueldade, o homem crescido 
Despido das grades.

Prestigiem o monstro,
Regressando ao que ele
Nunca pôde deixar de ser.

Contemplem a criatura,
A besta desenjaulada,
Uma última vez em seu auge.

15/05/26



sábado, 2 de maio de 2026

Michel F.M. - Poemas 2026 - Parte 3


Michel F.M. - Criações 2026 - Parte 3 

✴️2026✴️



Sobre Ácaros e Películas 

Em qual classificação 
Você enquadra tua vida,
Quando a rotina parece um
Cenário daqueles filmes ruins?

Aqueles que não ganham
Prêmios, nem atravessam 
O tapete vermelho, sem estrelas
Na calçada ou belos pôsteres 
De divulgação.

Não existem personagens 
bem definidos, onde sacamos
De primeira, quem é quem.
A complexidade está na
Dificuldade de interpretá-los,

Ou antes disso, fazer a leitura 
Do que querem e porquê.
Trombamos com vilões 
E anti-heróis a todo instante

[Sem reconhecer que somos
Nosso maior arqui-inimigo].
Um clímax fraco e confuso,
Que te coloca na sinuca, de não 

Saber se a oportunidade virá 
Ou já se passou, enquanto você 
Se desencontrava em tuas decisões, 
Que em nenhum episódio 
Chegaram a ser opcionais.

Mas depois das décadas de
Ostracismo e a sensação que
Desapareceram os negativos originais,
Alguém surge com uma cópia 

Digitalizada, retirada de alguma 
Estante anônima e empoeirada,
Nos fazendo reconhecer que 
Aquela velharia bizarra, era
Na verdade, um clássico.

20/04/26





A Eira e a Beira de um Literato 

Os ultraprocessados
Não eram um problema,
Nem só de glutamato monossódico 
Vive o escritor descartado,

Mas de todo jejum e abstinência 
Que for obrigado a fazer.
Havia chegado a conta
De teus excessos em boemia,

Mas as dívidas e sucessivas 
Inadimplências que se piramidavam 
No capacho, não eram piores
Que os e-mails de recusa
Automáticos das editoras,

Ou as cartas de oferta dos
Empréstimos consignados,
Misturadas aos panfletos de uma
Gama sortida de seitas religiosas,

Que te prometiam a salvação 
E arrebatamento prum condomínio 
Divino, com lagos, bosques e

Famílias inter-raciais se abraçando, 
Cercadas por leões, tigres, elefantes, 
Ursos e coalas domesticados.

No mesmo dia em que teve publicada 
Num jornal fuleiro, uma crônica de vida
na Era pós-industrial e seus resultados 
Pruma existência precarizada,

Acometeu-lhe a mais pacata morte
Por hábitos desregrados,
Que alguém algum dia
Pode presenciar.

20/04/26






Objeto Rastejante Não Identificado 

Mesmo com as
Sovas constantes
E imobilizações,

O queixo é duro,
As juntas potentes.

Nas tentativas 
Inesgotáveis de
Lavagem cerebral,

Não se enxágua
O impermeável.

Os manuais de
Conduta e a explícita
Doutrinação que se segue,

Só inspiram o desafeto,
Nos instruem
No desaforo.

Mesmo com as
Podas constantes
E enquadramentos,

Dos caules 
fatiados à foice,
Brotamos.

Enquanto houver raízes,
Nos enraizaremos.

Apesar da linha
Traçada, das cercas
Erguidas, fixados mourões,

Que vem em metal, 
Concreto ou madeira, 
Contorça alambrados.

Ainda que as fronteiras 
Nos impeçam 
De passar,

Ainda que as placas
Nos proíbam 
De seguir,

Enganamos guaritas,
Cavocamos buracos,
Na lama enfiados e firmes.

Persistimos na tarefa
Insistente de sermos
Quem somos, 

Ainda que remendados,
Pra sermos
Nós mesmos.

E nenhuma tecnologia 
Terrestre ou alienígena,
Pode deter nossa insolência.

21/04/26




Na vitrine um vapor dissipado 

quão assombrosa 
era a detecção, de um
momento extremo 
de felicidade.

o reconhecimento 
nítido de que aquele estado 
de espírito, provavelmente
jamais se repetiria.

a clareza destas 
situações tão raras, 
que surgem sem explicação, 

sem indícios vem e se formam
e de maneira instantânea se vão, 
não deixando vestígios.

21/04/26







Prosopopéia Perdida

Acendeu-se a luz, 
Seguida do calor
Que a vinha acompanhando.

As manhãs eram previsíveis,
Graças ao ritual
Que nunca falhava.

Das prateleiras repletas
Advinham os ingredientes,
Mas antes dali, de onde advinham?

Quando se encontravam
Na bancada do meio,
Iniciava-se a arte do remelexo.

Eram movimentos espasmódicos,
Com técnicas espalmadas,
Transmitidas por gerações.

Em último caso uma dança
De mãos livres, capturando 
As essências do que viriam a tornar.

O fogo já aquecido fazia tua parte,
[Grande descoberta humana]
Após resfriado, embrulho e sacola.

Nestes dias tão estranhos,
Quem dera o sonho de padaria,
Fosse ele mesmo ainda, livre para sonhar.

22/04/26






Becker

Exalava feromônios com uma
Intensidade, que atrairia
Dos arredores todos os predadores,
Num raio de milhões de hectares.

Desavisados chegariam
Prontos pro abate, não havia
Alpha mais dominante que ela.

Quem ousasse se aproximar 
Tornava-se presa, sem negociações,
Rendição total e submissão 
Àquela postura indomável.

Num jeans sovado, vinha descalça,
Madeixas azuis reviradas,
Com aquele tecido solto,

Despejado por cima dos mamilos 
E como eles dançavam 
Coreográficos.

Desastres naturais ocorreram
Muito mais tímidos e sutis,
Causando muito menos estrago.
Desejava ser lancinado por tuas

Chamas, mas por hora, me contentaria
Com a devastação controlada
Que me causava.

22/04/26






Mosaico de um Melodrama 

as lágrimas desabaram 
como granizo 
em teto solar, 

numa tempestade de verão,
despedaçando as angústias
que haviam sido 
acumuladas, 

naquela condensação 
desconfortável 
de frustrações e anseios.

passava a cobrar menos
de si mesmo, quando se recordava
que nem todas as histórias 
precisam de começo, meio e fim.

algumas narrativas são 
apenas fragmentos destrambelhados, 
de retalhos confusos ou cacos
arrastados de um canto pro outro.

sigo neste esforço contínuo 
por retirar os estilhaços restantes
de teu amor, dos esconderijos 
negligenciados em minhas vísceras.

23/04/26







Relatório minuscioso da Desimportância 

o sinal pulsava 
sucessivas vezes,
um xis vermelho que ia 
e vinha no visor, 

ninguém 
havia 
notado,

ninguém notaria, 
ninguém 
se importava 

ou se importaria.
quando uma máquina 
descarrega,

basta recarregá-la, 
não há segredos,
a dúvida reside 
na seguinte 

questão: o que fazer 
ao humano,
que acometido 

pelo esgotamento 
fundiu bateria 
e demais componentes.

com ele também 
ninguém havia notado,
provavelmente 
ninguém notaria, 

ninguém 
se importava 
ou se importaria.

23/04/26






Touché 

de vez em quando 
eu penso em largar
a porra toda.
dar o fora,

cair na estrada, 
chutar o balde,
meter o foda-se 
sem olhar pra trás.

mandar tudo 
pro espaço,
que vá tudo
pro inferno. 

daí eu penso 
de novo,
e não consigo 
pensar em nada
que faria, melhor 
que isso.

ou antes mesmo
de pensar em termos
do que é pior,
se não fizesse isso,
faria o quê?

e a resposta 
me escapa,
sem lição do erro,

sem resolução,
existindo no limbo
das oportunidades.

pareço um monge
recluso, desencontrado 
em minha própria 

perdição, meditando 
ao lado do puteiro 
mais próximo,
sem um puto do bolso.

o sistema fode
com nossa cabeça, 
de um jeito 
muito particular.

e assim vou ficando
por aqui e fazendo 
isso mesmo,
[o pisador de jacas,
soberano dos fodidos].

até que a porra toda
acabe sozinha, 
ou coisa melhor despenque 
na nossa cabeça.

23/04/26







Verso final de um Ex-poeta

prometi 
pra mim 
mesmo,

que só 
escreveria 
novamente,

quando 
tivesse 
algo agradável 
para dizer. 

[foi assim
que ele abandonou 
a poesia]

algumas 
promessas 
não fazem 
nenhum sentido.

24/04/26








Poema denso sem pontuação 

inescrupulosos estes gostos secretos que se revelam na companhia de nosso eu tão reservado todavia por vezes exibicionista e performático na maioria das situações banais e corriqueiras não que sejamos indivíduos desonestos ou enganadores mas já que mentimos para nós mesmos com tamanha frequência e naturalidade certamente não sobrará receio de mentir também para quem ocasionalmente chamamos de outro sempre buscando realizar os inúmeros interesses individualistas acabamos tropeçando nos objetivos personalizados de quem se importa somente consigo mesmo como nós nos importamos apenas conosco ainda que a empatia seja característica determinante da espécie humana fator crucial que nos permitiu atravessar continentes e nos multiplicarmos perpetuando nossas cômicas realizações das quais por sinal nos orgulhamos tanto faz diariamente com que em sua escassez e possível aparição residual mal possa ser detectada senão sob as lentes de um microscópio muito bem calibrado ficando praticamente impossível tua visualização a olho nu

24/04/26






Poesia Inerte 

feita de verso que não 
questiona
feita de estrofe que não 
reflete

feita de ideais que não 
incitam 
feita de faces que não 
se alteram 

feita de afetos que não 
se sentem
feita de fatos que não 
revelam

feita de toques que não 
excitam,
feita de frases que não 
te afetam

24/04/26





Muralha Intransponível Transposta

MuralhaIntransponívelMuralhaIntransponí
velMuralhaIntransponívelMuralhaIntransp
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25/04/26





Retorno de um Ex-poeta 
do autoexílio da não-poesia

Descumpro neste instante 
A promessa autoinfligida,
Garanto que qualquer outra
Promessa estará isenta de garantias.

Não se pode confiar em alguém 
Que mente para viver, mas 
Dizer a verdade quando ela
Tornou-se tão dispensável

E relativa, só pode ser um ato
De loucura descabida e neste lapso,
Não podemos mais confiar 
Nem na mentira ou no impacto 
Mentiroso que ela pode causar.

Em verdade vos digo: da palavra 
Só resta o ruído, pois toda mensagem
Por mais simples ou complexa
Que pareça, se dissolveu completamente 
Na questão de opinião.

Então que fique alarde por alarde,
Enquanto cantarolando altos louvores 
Todos os hipócritas fazem as pazes,
Distribuem teus sorrisos amarelos

E fecham aquela potente corrente
De oração. Aos que deixarem o recinto, 
Ao sair, não tropecem na demagogia.

25/04/26







Medusa Vive

No mundo perfeito 
Não há poesia,
Não faz sentido descrever 
A perfeição.

Ela é o fôlego 
Da monstruosidade,
A vingança das
Bestas mitológicas.

Só pode existir 
Na falha,
Só pode brotar na fresta.

Ela é consequência 
Da malcriação 
E das maldições.

Entre 
A contagem
De um nocaute

E todos os
Cretinos
Petrificados.

É do erro que ela surge,
Na imundície 
Que ela escorre
E se manifesta.

Vem do escroto
Que ela rompe,
Do embaçado 
Que ela salta.

Na paulada que ela quica,
Na secura
Ela goteja e pinga,

Do fedor então exala.
Respire fundo,
Não há poesia na perfeição.

25/04/26






Poema Terminal 

A metástase poética 
Havia ocorrido,
Enquanto ele ignorava
Todo o impacto destrutivo 
Daquela poesia marginal,
Armazenada em teu organismo.

Se espalhou silenciosa
Pelos vários compartimentos,
Atingiu glândulas e
Sistema linfático,
Estava ali o poeta
Posto num poema terminal.

Encurralado enfim
Por tua própria poesia,
Vivendo a derradeira contradição,
De ser finalmente extinto, 
Por quem há muito tempo 
O havia salvado.

25/04/26






Despacho de uma palavra muito complexa

O prefixo COM
Enviado primeiro,
Quem recebeu percebeu 
Algo errado.

Era notável a falta 
Do resto, talvez 
Transviado o pacote 
Tivesse.

Não é tão comum,
Geralmente acontece.
Onde será que estaria
O restante?

Quem embalou
O PLE radical, esqueceu na
Bancada o sufixo XÍSS.

Era praticamente um
Superlativo absoluto 
Sintético, abandonado 
No depósito a esmo.

A confusão no extravio 
Dos morfemas
Seria completa,

Se não fosse o acaso de
Ter por ali, a presença 
Improvável do estagiário,

Que notou uma coisa
Que ninguém notaria, 
Quem diria que o jovem
Era tão perspicaz.

Acabou que foi ele 
Embalando atração,
Que atraiu atenção de todos
Por lá.

Pois o IMA na caixa
Muito bem embalado
E mandou encomenda, 
Que tardava a chegar.

26/04/26








Sábio de Araque 

o conhecimento traz 
muito para luz,
só não traz a clareza.

ela não tem relação 
com claridade,
o excesso de luz só faz nos cegar.

estava certo quem disse,
que conhecimento 
é poder.

ele só esqueceu de mencionar
ou omitiu propositalmente, 
que o poder é uma coisa
terrível.

26/04/26






A Linha Tênue entre um Canalha e Outro

a majestade divina 
está nos caninos 
afiados

do predador, que dilacera
músculos 
e jugular.

por uma questão de princípios,
os princípios sanguinolentos
da vida

e da morte, do instinto
brutal que faz sangue 
jorrar.

mecanismos 
eficazes de terminação 
existencial.

o Todo-poderoso 
caprichou
em tuas criações.

o Altíssimo e a 
carnificina 
passeiam lado a lado.

abençoados sejam os leões,
em tua cova não há 
misericórdia.

mas não leve tudo isso 
muito a sério,
estas são apenas as observações 

de um canalha degenerado,
sobre as invenções 
de um canalha sem coração.

26/04/26






Poema Cítrico 

estava ali estanque,
o homem que viu a podridão 
do mundo.

e em vez de rezar,
escreveu outro poema ácido.

enquanto a noite caía,
ele apenas recostava com
teus pensamentos,

usufruindo dos benefícios 
de tua própria acidez.

26/04/26







A obra que nunca escrevi 

Ela poderia falar sobre a beleza,
É sobre o que as obras
Vem falando há milhares de anos.

Ou sobre a felicidade e a falta dela. 
Poderia falar sobre encontrar 
O que se busca, ou sobre
Os caminhos que te levam
Pra longe.

São tantos temas, que ficamos
Maravilhados com as 
Possibilidades.

Ela poderia falar sobre o feio,
Já que tanto foi dito sobre
O que é belo, ou falar sobre
Os sonhos, quando tudo
Te afasta da probabilidade,

De por ventura vir a se realizar.
A tristeza e o mal-estar, são 
Também uma fonte inesgotável 
De inspiração, servindo 
Como expurgo, extraindo da alma

Protuberâncias seborreicas, 
Que se prendem a nossa 
Percepção. Enfim, poderiam 
Ser tantas as facetas desta obra,

Materializando-se para o bem
E para o mal, em algo que inspirasse
Ou apenas revoltasse o leitor
[O grande objetivo é despertar reação].

Mas acabamos trupicando 
Em nossas tantas especulações,
Que não restou tempo para criar algo
Novo. E portanto te dedico, esta 

Não-realização. Sem dúvida alguma,
Uma obra divergente de todas
As outras [assombrosa], eis aqui a obra, 
Que nunca escrevi.

26/04/26









Segredo Universal: Revelado

não é a química 
ou a física,
que nos dará. 

nem a resolução 
dos cálculos 
e teoremas.

tua revelação não está 
nas religiões ou nas
escrituras.

nem ciência,
nem superstição
ou filosofia,

podem dar conta
desta máxima 
indissolúvel.

o segredo oculto, escondido e sigiloso 
de todo o universo observável 
e muito mais além,
é a oportunidade.

alguns poucos terão,
enquanto uma maioria 
esmagadora, simplesmente não terá.
oportunidade.

26/04/26







Um animal sarcástico esperando sua vez

duas refugadas
pra trás,
uma fungada
pra frente.

aqui, 
a vida é medida
pelo que perdemos.

são as derrotas 
que entram pra
contagem.

no patrimônio 
das lesões,
físicas e emocionais,

os únicos bens 
que possuímos, 
são os hematomas 
das rinhas

generalizadas, 
de onde não 
escapamos.

e as avantajadas 
decepções,
que ficaram 
incrustadas

em nossa mente,
como relíquias fósseis,
enquanto caíamos
nas quatro patas.

28/04/26






Antologia em pó 

começamos, 
com declarações 
de amor 
quilométricas
e madrugadas
inteiras 
de diálogos 
e discussões, 
sobre a natureza 
incompreensível 
da relação.
[nossa cidade
proibida,
erigida com
milhares de 
aposentos,
todos para nós,
nas noites
todas de
núpcias, 
tendo como
matéria-prima
planos conjuntos,
sonhos robustos,
lágrimas e
sorrisos.]

terminamos, 
visualizando 
e não respondendo.

28/04/26






Ninguém conhece quem teve o que merecia

negligenciaram 
os avisos,
era o risco 
que os fazia feliz.

descumprindo toda 
recomendação,
eles haviam ido 
longe demais. 

ignoraram as placas, 
voando
baixo na velocidade 
máxima.

era o risco 
que os fazia feliz,
avançavam 
a passos largos,

eles haviam ido 
longe demais,
de ponta a ponta
no desfiladeiro.

foram íntimos das 
ravinas, amaram 
cânions e escarpas.

onde é longe demais,
quando é o risco 
que te faz feliz ?!

29/04/26








Biologia das Olivas

o que resta quando toda
carne se consumiu,
é o mesmo que sobra
quando a polpa se esgotou.

uma sombra da vitalidade, 
que outrora ocupou
tal posição.

de terminada data em diante,
só a lacuna fica como
presença, consistência 
e condição.

um vislumbre do vistoso
que não mais ocupa teu corpo,
a lembrança de um sabor
que in memorian se findou.

mas lembre-se 
da biologia das olivas,
todo caroço enrugado, endurecido, 
escarrado e repugnante, 

leva em teu peito
a potência de uma árvore milenar, 
na forma de semente.

30/04/26







Tomilho e Hortelã 

por volta de cinco e dez da matina, 
chegava na sala.

dentes escovados, 
rosto enxaguado. o cheiro de mofo
só se esvaía depois de abertas 
janelas e porta.

em questão de minutos, o cômodo 
cheirava a tomilho e hortelã, dos vasos
na varanda. 

quem sabe um dia a gente encontre 
uma planta, 
que retire o cheiro 
de desencanto,
impregnado em nossas almas 
esmigalhadas.

01/05/26







Sobre o que se tratava 

custamos a entender 
sobre o que escrevíamos, 
bem como custamos a entender,
sobre o que se tratava tudo isso.

os anos de trabalho 
foram para isso,
e antes do trabalho, 
os anos de estudo
nos trouxeram para cá. 

os passeios, as viagens
[nas raras ocasiões],
os momentos de festividade
[tão poucos que ocorreram],

as festas de aniversário
[com ou sem bolo e salgado],
os almoços, jantares 

e principalmente 
os cafés da manhã e da tarde
[humildes e indispensáveis]. 

todos os desgastes
e tormentos, as tempestades 
e tormentas que foram tantas.

as esperas nas filas 
intermináveis e mais filas de espera,
sair cedo, sair de noite, 
chegar tarde de qualquer jeito. 

os retornos 
e reencontros também 
se tratavam disso. 

o endividamento 
e o pagamento das dívidas, 
com muito custo, 

nesta economia que só tira 
de todos, enquanto pouquíssimos
investem o que é dos outros, 
para lucrar sozinhos. 

corridas curtas e longas, 
foram para chegar até aqui
[sem recordes quebrados,
nenhuma grande marca batida],
neste momento parado
em que tudo se move, 

quando tentamos 
nos manter de pé, 
mesmo com a vertigem 
que atordoa nosso labirinto. 

mas uma hora a coisa 
toda se revela clara, 
como o guardanapo encardido, 
oxidado no alvejante. 

eu sei que não faz muito sentido 
esse poema, muitos dirão 
que nem poema isso é.

mas enfim, compreendemos, 
sobre o que tudo se tratava
e tudo ainda se trata com "ele".

sempre foi tudo sobre o amor,
é sobre o amor que tudo se trata,
tudo sempre se tratou disso.

01/05/26







Listras e estrelas num retângulo desbotado 

o patriota perturbado 
desfila na passeata
outra vez

um passo em falso
e o outro também

milhares de vidas
inocentes rifadas

não ensinaram 
nada a ninguém 

alucinada massa
espumando baba

engravatada corja
lançando bombas

a estátua fardada
encarando o nada

e a pomba sabia
que só teu dejeto 

traria alguma vida
àquele busto erigido
impotente 

01/05/26




Em algum departamento do Éden 

durante a folga 
dos Arcanjos,
[naquele intervalo 
estratégico no 
etéreo atemporal],
um deles indagou:

qual foi mesmo a razão,
do homem perder 
a imortalidade 
e todas as dádivas 
do paraíso?

ponderou um instante 
a criatura celeste,
que havia sido indagada,
[aquele instante 
congelado fora 
das dimensões]
e respondeu 
na sequência:

aparentemente,
é insaciável o apetite 
da humanidade,
quando se trata
do fruto proibido.

02/05/26






Engenhosa Máquina Urgente do Tempo 

Antes do fruto, 
pólen 

Antes do pólen, 
flor

Antes de flor, 
folha

Antes da cor,
incolor

Antes da folha, 
caule

Antes do caule, 
raiz

Pra toda raiz, 
há semente 

Antes da dor,
indolor

Antes do homem,
os deuses

Antes dos deuses,
humanos 

Antes daqueles, 
os nossos
Antes de tudo, você 

02/05/26






Parasitologia 

Durante décadas os parasitólogos 
Estudaram a origem dos vermes,
Esse esforço os levou à conclusões 
Fascinantes sobre estes organismos.

Originados juntamente com 
A própria vida, há cerca de bilhões 
De anos, o parasitismo evoluiu
Como uma tática de sobrevivência,

Onde tais seres se adaptaram, para
Viver às custas de outros. Sempre
Encontrando novos hospedeiros
Para parasitar, eles se multiplicaram

E prosperaram no desenrolar das Eras.
Nos dias atuais os estudos destas 
Criaturas avançaram para descobertas 
Inesperadas e empolgantes. Hoje,

As pesquisas apontam para os locais 
De maior concentração destes 
Minúsculos aproveitadores, que em sua

Imensa maioria, ocupam os casas
Legislativas, os templos religiosos,
Instituições financeiras e bolsas de valor.

02/05/26