Michel F.M. - Criações 2026 - Parte 4
🍄 2026 🍄
Virtuoso (Projetado do Avesso)
era ele um exemplo
do Não-Ser.
até que não seria
tão ruim,
se não fosse
tão péssimo.
um acabamento
mal feito de verdade,
um manifesto
reverso da ostentação.
nada menos que
o cúmulo da ausência
total de presteza.
no acúmulo da
inabilidade que possuía,
o indivíduo tornar-se-ia
neste ritmo em que vinha,
nulo. o próprio gênio invertido,
projetado do avesso,
na contramão da maestria.
conquistado
a duros deslizes,
o personalizado direito
à inaptidão.
fosse esta veemente
incompetência,
adquirida
ou congênita,
nos tropeços
da hereditariedade,
moldar-se-iam
teus dotes,
geração pior que geração.
como alguém
pode possuir
uma falta de noção
tão grande
e desproporcional [??]
um enigma
impenetrável
diante da vista estupefata.
na contemplação
vacilante e desnorteada
do observador,
podia-se constatar
o nível alarmante,
de incredulidade
e atordoamento.
a transmissão em
larga escala da magnitude
do desastre,
o nobre erro hiperbólico.
uma performance
antológica, impossível
de prever ou ignorar,
a excelência do descaso.
uma ópera orquestrada
ao vivo, pelo despreparo
da inépcia absoluta.
a saga brilhante
da mediocridade
elevada ao cubo.
mas o relaxo extremo,
não é um campo de amadores.
como qualquer outra técnica,
exige intencionalidade
e precisão no desleixo.
que só pode ser alcançada,
na reincidência obstinada
da repetição [com todas as
redundâncias], levando
por conseguinte, ao
aperfeiçoamento
de teu virtuosismo.
03/05/26
Desperta(dor)
após três bipes
Bip
Bip
Bip
os analgésicos
começavam
a perder seu
efeito
03/05/26
Torcicolo
nem mesmo o rochedo
mais sólido, apresentaria em teus
melhores dias,
tamanha concretude
estrutural.
um arcabouço
geológico único,
fixado na base
do crânio.
chamado pelos compêndios
anatômicos,
em tuas intermináveis
22 letras, de
esternocleidomastóideo.
irradiava tua
petrificação
também ao trapézio.
mais rígido agora, que
as moléculas de grafeno
jamais foram.
Tra-va-daço.
para onde virasse,
era apenas
Clack,
Clack
e volta e meia, um Clock.
03/05/26
Desfibriladora
tua descarga
elétrica
controlada,
me trazia de volta
o sopro
da vida.
em meio
àquele oceano
cinza
e a fumaça
rasante
da esquadrilha.
nenhuma
parada
cardiorrespiratória
súbita,
era pário
para a
massagem cardíaca,
que você
representava.
03/05/26
Migração das Metáforas
quando uma forma
incontrolável
de concentração
de energia,
colide e desloca
sua força
para o solo,
incendiando
uma floresta
inteira,
a partir de
uma faísca,
chamamos
este evento
de catástrofe
natural.
quando uma forma
incontrolável
de concentração
de energia,
colide e desloca
sua força
para o papel,
incendiando
uma tradição
inteira,
a partir de
uma faísca,
chamamos
este evento
de poema em
versos libertos.
e a poesia de
combate,
uma vez liberta,
levará à aniquilação
e à concepção,
universos
inteiros.
06/05/26
Autoconcepção de um Indivíduo Coletivo
nenhum verso
nasce livre,
ele precisa ser libertado.
e não será
liberto senão,
por tuas próprias mãos.
depois de iniciada,
a autolapidação
manifesta-se de maneira
imparável.
exige planejamento,
mas nem tanto,
do que realmente
necessita é emergência
e intencionalidade.
a cada martelada,
pedaços consideráveis
de nosso eu,
se espatifam
contra o chão,
no tango
encantador
da gravidade.
dois amantes
em fluidez,
sincronizando,
cada qual com
tuas singularidades.
traga também
as neuroses,
até nossas
falhas ocorrem
em sincronia.
ao ponto de não mais,
ser o poeta
quem escreve.
[vê-lo-ás aqui,
nu em pêlo].
ei-lo agora,
escrito e gerado,
por tua própria
poesia.
07/05/26
Prova de Vida
no formulário,
constavam os dados
todos.
completos,
integrais, preenchidos,
com toda a informação,
digna de ser
armazenada,
em todos os seus caracteres
e computada
pelos múltiplos
algoritmos,
que fariam a leitura
detalhada, de cada um
dos detalhes
milimétricos,
com os pormenores nos
campos que esquadrinharam
teu perfil.
sua saúde porém,
andava péssima.
não vinha se medicando
conforme psiquiatra
e cardiologista
haviam recomendado.
uma dieta horrorosa,
não se recordava quando
exatamente, havia dormido
pela última vez.
a respiração
ofegante, ronquidão
severa na garganta, aquela
pressão no peito
persistente,
as pálpebras saltitavam
sozinhas, frenéticas.
ele não se sentia nada bem,
há muito,
muito tempo.
07/05/26
Aos Inaptos, desprovidos de qualquer talento
dedicam canções
aos talentosos,
dedicam filmes,
longa-metragens
que ganham oscars,
globos de ouro, baftas,
prêmios em cannes.
dedicam
livros aos talentosos,
para contar
suas proezas
e estes livros
também ganham
prêmios.
quando adaptados
para o cinema,
os protagonistas
também se consagram,
após interpretarem
personagens,
inspirados em
pessoas talentosas.
[o nobel
foi um cara muito
importante. li em algum
lugar que ele inventou
a dinamite. o que seria
do mundo sem a dinamite?
certamente, não teria morrido
tanta gente de maneira tão
violenta e muitos ainda
teriam seus membros
intactos. mas tirando a parte
de todos os corpos mutilados,
o que importa
é o que ele fez com o dinheiro,
da patente das dinamites.
criou um prêmio com
o próprio nome, para homenagear
quem tivesse muito talento.
esse cara era mesmo
talentoso].
foi assim que me
tornei poeta,
por um motivo
completamente diferente
de todos esses.
foi justamente
por não ter talento algum.
a poesia não despreza ninguém,
ela é feita até para aqueles,
que como eu, nunca foram
bons em nada.
e para estas pessoas inaptas,
como eu, dedico
este poema.
07/05/26
Onze Mil Quilates
um rubi gigantesco,
esta era a manchete
nos jornais do mundo todo.
onze mil quilates.
diziam especialistas
que aquela pedra, era a mais
valiosa pedra, jamais vista.
valeria centenas de milhões
de dólares nos leilões,
sendo exposta numa cúpula
de vidro à prova de bala.
os magnatas já preparavam
suas reservas monetárias,
seria uma corrida desenfreada
para possuir aquela pedra avermelhada.
seu país de origem estava devastado
pela guerra civil, que durava décadas;
golpes de estado, miséria extrema,
minas terrestres espalhadas a esmo,
como um garboso campo de girassóis,
cortesia das grandes potências.
mas era a mais valiosa pedra,
jamais vista. num mundo onde
se encontram pedras por todos
os cantos e a vida não vale um puto.
09/05/26
Treze mil novecentos e sessenta e seis vezes zero
Deveria ser extremamente
Desgastante, buscar o significado
De qualquer termo, na época
Dos dicionários analógicos.
E quando utilizo a ênfase no
Extremo, é ainda um eufemismo,
Ou seja, uma suavização da
Dificuldade, que de tão dificultosa,
Me faz desistir imediatamente,
Até mesmo de imaginar. Pois
O esforço hercúleo que exigiria,
Desmotiva e inibe qualquer um
Desta geração de desistentes.
Que já nascemos cansados, e a cada
Novo dia, nos é concedida outra
Calorosa oportunidade, para deixar
Pra lá e desistir. Talvez por termos
Acesso a todos os significados, de
Todos os termos, de todos os tempos,
Um dia formulados e deixados para
Que encontremos seu sentido, em
segundos, numa pesquisa aleatória,
Que não esclarece nada e que não
Leva a lugar nenhum. Talvez por isso
Os trabalhos de Hércules ou as
Pelejas icônicas de Perseu, não nos
Interessem e não mais nos fascinem.
Nadar a braças largadas, nesta cordilheira
De pornografia e publicidade abrasiva,
Nas pilhas de lixo infinito para consumo
Rápido, fazem as Quimeras e os Krakens
Soarem, como uma liquidação de black
Friday, num shopping de quinta categoria.
10/05/26
Depósito de Caixas
nelas se encontravam
cartuchos
de formatura
e álbuns
de casamento,
panelas, talheres,
eletrodomésticos,
fotografias antigas,
amareladas,
onde os instantes
capturados,
sugeriram cenas
e situações tão
familiares, de pessoas
desconhecidas
para nós,
mas tão importantes
para alguém.
estavam concentrados
ali, na colméia de memórias,
onde cada um dos favos,
despertava
espasmos faciais
e gotas que escorrem
pelas bochechas,
de vez em quando.
evocavam risos e suas
evoluções
para gargalhadas.
traziam de volta
até mesmo os
suspiros profundos,
que nem as alergias,
rinites, sinusites
e asmas, podem
evitar.
10/05/26
Equimoses
Causadas geralmente
Pelas trombadas
Cotidianas,
Nas quais os interesses
De um, são incompatíveis
Com os do outro.
Por serem superficiais,
As manchas arroxeadas
Desaparecem, em
Questão de dias,
Deixando apenas o
Desconforto, de ter que
Olhar para as mesmas
Caras, o resto do ano.
10/05/26
Hematomas
Causados geralmente
Por pancadas
Violentas,
Nas quais os objetivos
De um, são incompatíveis
Com os do outro.
Por serem traumáticas,
As escoriações exibidas
Nem sempre refletem,
A real condição,
Que pode ser muito pior
Do que parece, e a porção
Invisível pode resultar, num
Acúmulo severo de acidez,
Liberado nas pausas pro café.
10/05/26
Ignore o mastodonte na sala
O que faz as pessoas
Disfarçarem suas reais opiniões,
São os costumes, a etiqueta,
Cortesia, ou apenas a velha
E gasta dissimulação?!
O fingimento é uma habilidade
Crucial, para sobrevivência
Em ambientes sociais hostis.
As mentiras adornam cada
Um dos espaços e aspectos,
da convivência contemporânea.
A conivência em disfarçar
Temas e assuntos desconfortáveis,
Contornar tabus desagradáveis,
Perambular pelos redutos da
Falsidade, com tamanha destreza
E habilidade, tornando o engodo
Tão satisfatoriamente natural,
Fez com que uma subclasse
Dos primatas qualquer, se tornasse a
Espécie dominante de um ecossistema,
Onde não possui nenhum trunfo
Ou atributo apropriado para tal.
10/05/26
Bloqueio Criativo
Ele achava que era um poeta,
Pois havia escrito
Muitos poemas.
Nem sempre com boas rimas
É verdade, muitas vezes
Sem rima nenhuma.
Teus poemas também
Não possuíam métrica, não
Fazia nenhum sentido para ele
Contar sílabas, já que a forma
Nunca lhe chamou atenção.
Era o conteúdo que o atraia
E deslumbrava teus pensamentos.
Por vezes eram musicais
Teus poemas, com ritmo e
Melodia. Eram levadas de dois
Acordes, três no máximo,
Com uma sonoridade acústica e
Melancólica, mas alguma coisa
Nos versos dispunha de vigor,
Numa pegada crua e visceral.
Ele realmente achava
Que era um poeta.
Até conhecê-la e ficar,
Completamente sem palavras.
[Talvez tenha sido o silêncio,
Sua melhor composição].
10/05/26
Estrutura de um Poema Indestrutível
----------------------------M----------------------------
| |
----------------------------A----------------------------
| |
----------------------------T-----------------------------
| |
----------------------------C----------------------------
| |
----------------------------H----------------------------
| |
----------------------------E----------------------------
| |
----------------------------N----------------------------
| |
----------------------------K----------------------------
| |
---------------------------- I ----------------------------
| |
----------------------------N----------------------------
| |
----------------------------H----------------------------
| |
----------------------------A----------------------------
10/05/26
Sobre a ver ou existir
Já tinha passado.
E era lá no passado,
Que ele a encontrava.
Quando se esforçava,
Também no futuro
Detalhes surgiam.
Mas no caso de
Imaginação, nada se
Pode fazer, senão
Imaginar. Então o
Presente sempre tão
Consistente, era página
Oca, árida, deficitária de
Letras e mensagem,
Sem estampa ou acento.
Por mais que garimpasse
A possibilidade,
Por ali, já não havia.
Por mais que os olhos
Apertasse/forçasse,
Por ali, já não a via.
Apesar disso, ele era
E estava. E justamente por isso,
Persistia, mesmo sem porquê.
11/05/26
Confidência bombástica da cor furtada
Esta incompreensível
Condição, era tua qualidade
Mais marcante e atraente.
A luz, tão fria no dia
E na noite tão quente, ditava
O ritmo, definia o tom.
Raríssimos sons nos
Comoviam, como aquela
Voz rouca, que sumia
Ao final das sílabas.
Era o posfácio da força,
Que a um punhado
Se esvaíra. Tua paleta
Rotativa exibia-se em contrastes.
Transmutando cristais
Incandescentes, jóias inusitadas
Em abundância, faziam
Da raridade uma estante
Banal.
Era a própria essência da Íris
Em teu arco, chamada agora
De iridescência.
Sobre o que era, não sabíamos,
A quem se destinava,
Não mais supúnhamos.
E aquela exótica e esquisita
Figura, que perambulava num
Tênis barato e remendado,
Nesta materialização translúcida,
Era em si, ela mesma,
Furtiva, a desaparecida furta-cor.
12/05/26
Genealogia do Tédio
Se fosse só morrer pela revolução,
Pela revolução
Eu morreria.
Se fosse só viver por amor,
Por amor
Eu feliz viveria.
Mas o inferno
Consiste na rotina,
Aquela reincidente rotina
De um replicado,
Suplicante.
Que se repete,
A cópia da cópia,
Sem morte, nem revolução,
Só sacrifício.
Aquela rotina,
Que se repete
Sem reciclagem,
De sacanagem,
Onde não vivemos
Felizes por amor,
Onde todo fim parece início.
É na rotina
A rota de colisão,
Nos arrastamos
Rotos, onde
Todo recomeço
Parece o fim.
E o que diabos se fez, da paixão?!
12/05/26
Refresco
aos olhos do douto
- em tua mobília
entalhada, de nobre
procedência -
o tolo
diz errado,
faz errado,
errado-pensa.
chuchando
café coa cuié,
o tolo nem do douto sabe.
ele arrasta
um toco pra sentar,
provando sem querer
quem é esperto.
decasca uma laranja,
- cheia do bão cardo -
proseia um bocado
e vive pelo certo.
13/05/26
Fórmula do Indefinível
O amor é tudo aquilo
Que o poeta omitiu.
E indefinidamente mais.
13/05/26
O Vale das Sombras foi meu Bosque Encantado
Pense em todas as coisas
Insuportáveis, que em nenhuma
Situação normal você aceitaria
E não aceite.
Nós atravessaremos esse deserto
Interminável de sujeição,
Não acataremos mais, chega
De obediência.
Não haverá rendição também,
E esta será nossa nova diretriz.
Desobedientes, insolentes,
Inconformados e sem rendição.
Até a próxima obrigação,
Obrigatória.
13/05/26
Kamikaze
Mirou a ponta do nariz
No parabrisa, e após
Um instante de suspensão
Da própria consciência,
Se atirou contra o vidro.
Ela o encarou assustada.
O vidro não se partiu,
A cara dele não se partiu,
Foi uma visão menos
Emocionante do que
Ridícula. Mas o amor
É assim, um misto de
Bravura e idiotice em
Grande porção, mesmo
Que ninguém saia ferido.
13/05/26
Fórmula do Indivisível
Desconsidere numerador
E denominador,
Retire quociente,
Dividendo, resto
E divisor.
Daquele entrelaçamento
Em diante,
Só ficará o todo.
E nada além, para
Fracionar.
14/05/26
No meio do caos havíamos nós
Toda minha vida
Eu evitei o conflito,
Em todas as situações
Profissionais, pessoais,
Amorosas.
Fiz sempre o possível,
Para me manter longe
Do conflito.
Trilhando pacificamente,
A doutrina apaziguada
De um singelo pacifista.
Mas esse desgraçado
Persistente,
Insiste em me encontrar.
E quando topamos
Nos becos escuros do acaso,
Ele rosnando,
Eu me aquecendo,
Nenhum de nós sabe,
Como vai acabar.
14/05/26
O Procrastinador
ele se permitiu
um adiamento.
estabeleceu
por conta própria
uma prorrogação.
depois dos
acréscimos
que se seguiram,
ao prazo já
encerrado.
de todas aquelas
datas, que vinham
sendo sucessivamente
postergadas.
era aquele contrato
que tinha consigo
mesmo, que importava.
era uma questão
clara de
prioridades,
que ele deixaria
sem a menor
cerimônia, passar.
14/05/26
A Saga dos Mil Poemas
mil anos, formam
a extensão de
um milênio.
uma tonelada,
advém de mil
quilogramas emaranhados.
e o quilômetro
é a reunião de mil metros,
ao resolverem
confraternizar.
quando mil litros
se organizam, estamos
diante de metros cúbicos.
já este poeta,
é a aglomeração
de mil poemas [até aqui],
decididos a se manifestar.
enquanto
mil centavos parece pouco,
em matéria de poesia,
é toda uma vida.
14/05/26
poema n⁰1000
Trajetória de uma vida plena
Difícil de conceber,
Alguém com tais características
Específicas. Mas é assim
Que foi. Ele fez tudo o que
Queria fazer, mesmo quando
Contrariado. Realizou tudo
O que desejava realizar,
Mesmo quando não-realizado.
Foi feliz em cada um dos
Momentos, ainda que a
Felicidade em raríssimas
Ocasiões o tenha acompanhado.
Deixando-nos a seguinte
Lição: não quantifique nada
Nesta vida. Não ordene os
Fenômenos, crescendo ou
Decrescendo, não condizem
Com o que representa o
Sopro da vida. Cada um dos
Ladrilhos, por mais opacos
E desbocados que possam
Parecer, conferem o sentido
Amplo, substancial e abstrato,
Coeso, contraditório e singular,
Ao que denominamos plenitude.
15/05/26
O Inesperado Regresso de Jou Boga
Violência gratuita e a cópula
Bruta, trazem consigo
Algum grau de semelhança.
No esfumaçado terror
De teus dias insanos,
Se fartou no sabor da vingança.
Direcionada sempre
Aos inocentes, quem não
Tinha culpa alguma, pagou
Por tudo que não fez.
Após longas férias
No xadrez de concreto,
Retornou como um rei
Mastigando as damas.
Modus operandi ativado
De novo, o canalha vil
disponível na pista.
Brigar e foder eram
Teus hobbies favoritos
Nas noites imprevistas.
Garrafadas a esmo, tatuagens
Zoadas, cicatrizes suadas,
O veneno no sangue,
A corrente gelada.
Uma cólera cega
Envelhecida em tonel,
Atrocidades destiladas.
A negligência enfim
Convertida em barbárie,
Canonização do hediondo.
Especializando requintes
De crueldade, o homem crescido
Despido das grades.
Prestigiem o monstro,
Regressando ao que ele
Nunca pôde deixar de ser.
Contemplem a criatura,
A besta desenjaulada,
Uma última vez em seu auge.
15/05/26
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