quinta-feira, 21 de maio de 2026

Michel F.M. - Poemas 2026 - Parte 4


Michel F.M. - Criações 2026 - Parte 4

🍄 2026 🍄



Virtuoso (Projetado do Avesso)

era ele um exemplo 
do Não-Ser.
até que não seria 
tão ruim, 
se não fosse
tão péssimo. 

um acabamento 
mal feito de verdade,
um manifesto 
reverso da ostentação. 

nada menos que 
o cúmulo da ausência 
total de presteza. 

no acúmulo da
inabilidade que possuía, 
o indivíduo tornar-se-ia
neste ritmo em que vinha,

nulo. o próprio gênio invertido,
projetado do avesso, 
na contramão da maestria.

conquistado 
a duros deslizes,
o personalizado direito 
à inaptidão.

fosse esta veemente 
incompetência, 
adquirida 
ou congênita,

nos tropeços 
da hereditariedade,
moldar-se-iam 
teus dotes,
geração pior que geração.

como alguém 
pode possuir 
uma falta de noção 
tão grande
e desproporcional [??]

um enigma 
impenetrável 
diante da vista estupefata. 

na contemplação 
vacilante e desnorteada 
do observador, 

podia-se constatar 
o nível alarmante, 
de incredulidade 
e atordoamento. 

a transmissão em
larga escala da magnitude 
do desastre,
o nobre erro hiperbólico. 

uma performance
antológica, impossível 
de prever ou ignorar,
a excelência do descaso.

uma ópera orquestrada
ao vivo, pelo despreparo
da inépcia absoluta.

a saga brilhante 
da mediocridade
elevada ao cubo.

mas o relaxo extremo,
não é um campo de amadores.

como qualquer outra técnica, 
exige intencionalidade 
e precisão no desleixo.

que só pode ser alcançada, 
na reincidência obstinada
da repetição [com todas as
redundâncias], levando 

por conseguinte, ao 
aperfeiçoamento
de teu virtuosismo.

03/05/26
 






Desperta(dor)

após três bipes

Bip

Bip

Bip

os analgésicos 
começavam 
a perder seu
efeito

03/05/26






Torcicolo 

nem mesmo o rochedo 
mais sólido, apresentaria em teus
melhores dias,
tamanha concretude
estrutural.

um arcabouço 
geológico único,
fixado na base 
do crânio.

chamado pelos compêndios
anatômicos, 
em tuas intermináveis 
22 letras, de 
esternocleidomastóideo.

irradiava tua 
petrificação
também ao trapézio. 

mais rígido agora, que
as moléculas de grafeno
jamais foram.

Tra-va-daço.

para onde virasse,
era apenas
Clack,
        Clack
                e volta e meia, um Clock.

03/05/26







Desfibriladora 

tua descarga 
elétrica 
controlada, 

me trazia de volta
o sopro 
da vida.

em meio
àquele oceano
cinza 

e a fumaça 
rasante 
da esquadrilha.

nenhuma 
parada 
cardiorrespiratória 
súbita,

era pário 
para a
massagem cardíaca, 

que você 
representava.

03/05/26








Migração das Metáforas 

quando uma forma
incontrolável 
de concentração 
de energia, 

colide e desloca
sua força 
para o solo,

incendiando 
uma floresta 
inteira, 

a partir de 
uma faísca,
chamamos 
este evento 
de catástrofe 
natural.

quando uma forma 
incontrolável 
de concentração 
de energia, 

colide e desloca
sua força 
para o papel,

incendiando 
uma tradição 
inteira, 

a partir de 
uma faísca,
chamamos 
este evento 
de poema em 
versos libertos.

e a poesia de 
combate, 
uma vez liberta,
levará à aniquilação 
e à concepção,
universos 
inteiros.

06/05/26







Autoconcepção de um Indivíduo Coletivo 

nenhum verso 
nasce livre,
ele precisa ser libertado.

e não será 
liberto senão, 
por tuas próprias mãos.

depois de iniciada,
a autolapidação 
manifesta-se de maneira 
imparável.

exige planejamento,
mas nem tanto,
do que realmente 
necessita é emergência 
e intencionalidade.

a cada martelada,
pedaços consideráveis 
de nosso eu,
se espatifam 
contra o chão,

no tango 
encantador 
da gravidade.

dois amantes 
em fluidez,
sincronizando, 

cada qual com 
tuas singularidades.
traga também 
as neuroses,

até nossas
falhas ocorrem 
em sincronia.

ao ponto de não mais,
ser o poeta 
quem escreve.

[vê-lo-ás aqui,
nu em pêlo].

ei-lo agora,
escrito e gerado, 
por tua própria 
poesia.

07/05/26







Prova de Vida

no formulário, 
constavam os dados
todos.

completos,
integrais, preenchidos,
com toda a informação,
digna de ser 
armazenada,

em todos os seus caracteres
e computada 
pelos múltiplos 
algoritmos, 

que fariam a leitura
detalhada, de cada um 
dos detalhes 

milimétricos, 
com os pormenores nos 
campos que esquadrinharam 
teu perfil.

sua saúde porém, 
andava péssima.

não vinha se medicando 
conforme psiquiatra 
e cardiologista 
haviam recomendado.

uma dieta horrorosa,
não se recordava quando
exatamente, havia dormido 
pela última vez.

a respiração 
ofegante, ronquidão 
severa na garganta, aquela
pressão no peito
persistente,

as pálpebras saltitavam 
sozinhas, frenéticas.
ele não se sentia nada bem, 
há muito, 
muito tempo.

07/05/26







Aos Inaptos, desprovidos de qualquer talento

dedicam canções 
aos talentosos,
dedicam filmes, 
longa-metragens

que ganham oscars, 
globos de ouro, baftas,
prêmios em cannes. 

dedicam
livros aos talentosos,
para contar
suas proezas

e estes livros 
também ganham
prêmios. 

quando adaptados 
para o cinema, 
os protagonistas 
também se consagram, 

após interpretarem 
personagens,
inspirados em 
pessoas talentosas.

[o nobel
foi um cara muito 
importante. li em algum 
lugar que ele inventou
a dinamite. o que seria

do mundo sem a dinamite?
certamente, não teria morrido 
tanta gente de maneira tão 

violenta e muitos ainda
teriam seus membros 
intactos. mas tirando a parte
de todos os corpos mutilados,
o que importa 

é o que ele fez com o dinheiro, 
da patente das dinamites.
criou um prêmio com 

o próprio nome, para homenagear 
quem tivesse muito talento. 
esse cara era mesmo
talentoso].

foi assim que me
tornei poeta,
por um motivo 
completamente diferente 

de todos esses.
foi justamente 
por não ter talento algum.

a poesia não despreza ninguém,
ela é feita até para aqueles,
que como eu, nunca foram
bons em nada.

e para estas pessoas inaptas,
como eu, dedico
este poema.

07/05/26






Onze Mil Quilates 

um rubi gigantesco,
esta era a manchete 
nos jornais do mundo todo.

onze mil quilates.
diziam especialistas
que aquela pedra, era a mais
valiosa pedra, jamais vista.

valeria centenas de milhões 
de dólares nos leilões,
sendo exposta numa cúpula 
de vidro à prova de bala.

os magnatas já preparavam
suas reservas monetárias,
seria uma corrida desenfreada
para possuir aquela pedra avermelhada.

seu país de origem estava devastado
pela guerra civil, que durava décadas;
golpes de estado, miséria extrema, 

minas terrestres espalhadas a esmo,
como um garboso campo de girassóis, 
cortesia das grandes potências.

mas era a mais valiosa pedra,
jamais vista. num mundo onde
se encontram pedras por todos
os cantos e a vida não vale um puto.

09/05/26







Treze mil novecentos e sessenta e seis vezes zero 

Deveria ser extremamente
Desgastante, buscar o significado 
De qualquer termo, na época 
Dos dicionários analógicos.

E quando utilizo a ênfase no
Extremo, é ainda um eufemismo,
Ou seja, uma suavização da
Dificuldade, que de tão dificultosa,

Me faz desistir imediatamente,
Até mesmo de imaginar. Pois
O esforço hercúleo que exigiria,
Desmotiva e inibe qualquer um

Desta geração de desistentes.
Que já nascemos cansados, e a cada
Novo dia, nos é concedida outra
Calorosa oportunidade, para deixar

Pra lá e desistir. Talvez por termos
Acesso a todos os significados, de
Todos os termos, de todos os tempos,
Um dia formulados e deixados para

Que encontremos seu sentido, em 
segundos, numa pesquisa aleatória,
Que não esclarece nada e que não 
Leva a lugar nenhum. Talvez por isso

Os trabalhos de Hércules ou as
Pelejas icônicas de Perseu, não nos
Interessem e não mais nos fascinem.
Nadar a braças largadas, nesta cordilheira 

De pornografia e publicidade abrasiva,
Nas pilhas de lixo infinito para consumo 
Rápido, fazem as Quimeras e os Krakens
Soarem, como uma liquidação de black
Friday, num shopping de quinta categoria.

10/05/26

 






Depósito de Caixas

nelas se encontravam 
cartuchos 
de formatura 

e álbuns 
de casamento,
panelas, talheres, 

eletrodomésticos,
fotografias antigas, 
amareladas,

onde os instantes 
capturados,
sugeriram cenas 

e situações tão 
familiares, de pessoas 
desconhecidas

para nós, 
mas tão importantes 
para alguém. 

estavam concentrados 
ali, na colméia de memórias, 
onde cada um dos favos, 

despertava
espasmos faciais 
e gotas que escorrem 

pelas bochechas, 
de vez em quando.
evocavam risos e suas

evoluções 
para gargalhadas.
traziam de volta 

até mesmo os
suspiros profundos, 
que nem as alergias,

rinites, sinusites 
e asmas, podem
evitar.

10/05/26





Equimoses

Causadas geralmente 
Pelas trombadas 
Cotidianas,

Nas quais os interesses 
De um, são incompatíveis 
Com os do outro.

Por serem superficiais,
As manchas arroxeadas
Desaparecem, em
Questão de dias,

Deixando apenas o
Desconforto, de ter que 
Olhar para as mesmas 
Caras, o resto do ano.

10/05/26





Hematomas

Causados geralmente 
Por pancadas
Violentas,

Nas quais os objetivos 
De um, são incompatíveis 
Com os do outro.

Por serem traumáticas,
As escoriações exibidas 
Nem sempre refletem, 
A real condição,

Que pode ser muito pior
Do que parece, e a porção 
Invisível pode resultar, num
Acúmulo severo de acidez,
Liberado nas pausas pro café.

10/05/26








Ignore o mastodonte na sala

O que faz as pessoas 
Disfarçarem suas reais opiniões,
São os costumes, a etiqueta,
Cortesia, ou apenas a velha
E gasta dissimulação?! 

O fingimento é uma habilidade 
Crucial, para sobrevivência 
Em ambientes sociais hostis.

As mentiras adornam cada 
Um dos espaços e aspectos,
da convivência contemporânea. 

A conivência em disfarçar 
Temas e assuntos desconfortáveis,
Contornar tabus desagradáveis,

Perambular pelos redutos da
Falsidade, com tamanha destreza 
E habilidade, tornando o engodo
Tão satisfatoriamente natural,

Fez com que uma subclasse
Dos primatas qualquer, se tornasse a
Espécie dominante de um ecossistema,
Onde não possui nenhum trunfo
Ou atributo apropriado para tal.

10/05/26





Bloqueio Criativo 

Ele achava que era um poeta,
Pois havia escrito 
Muitos poemas.

Nem sempre com boas rimas
É verdade, muitas vezes 
Sem rima nenhuma.

Teus poemas também 
Não possuíam métrica, não 
Fazia nenhum sentido para ele

Contar sílabas, já que a forma
Nunca lhe chamou atenção.
Era o conteúdo que o atraia 
E deslumbrava teus pensamentos.

Por vezes eram musicais
Teus poemas, com ritmo e
Melodia. Eram levadas de dois
Acordes, três no máximo,

Com uma sonoridade acústica e
Melancólica, mas alguma coisa
Nos versos dispunha de vigor,
Numa pegada crua e visceral.

Ele realmente achava 
Que era um poeta.
Até conhecê-la e ficar,
Completamente sem palavras.

[Talvez tenha sido o silêncio,
Sua melhor composição].

10/05/26






Estrutura de um Poema Indestrutível 

----------------------------M----------------------------
|                                                                |
----------------------------A----------------------------
|                                                                |
----------------------------T-----------------------------
|                                                                |
----------------------------C----------------------------
|                                                                |
----------------------------H----------------------------
|                                                                |
----------------------------E----------------------------
|                                                                |
----------------------------N----------------------------
|                                                                |
----------------------------K----------------------------
|                                                                |
---------------------------- I ----------------------------
|                                                                |
----------------------------N----------------------------
|                                                                |
----------------------------H----------------------------
|                                                                |
----------------------------A----------------------------

10/05/26








Sobre a ver ou existir 

Já tinha passado.
E era lá no passado,
Que ele a encontrava.

Quando se esforçava, 
Também no futuro
Detalhes surgiam.

Mas no caso de
Imaginação, nada se 
Pode fazer, senão 

Imaginar. Então o
Presente sempre tão 
Consistente, era página

Oca, árida, deficitária de
Letras e mensagem,
Sem estampa ou acento.

Por mais que garimpasse 
A possibilidade,
Por ali, já não havia.

Por mais que os olhos
Apertasse/forçasse,
Por ali, já não a via.

Apesar disso, ele era
E estava. E justamente por isso,
Persistia, mesmo sem porquê.

11/05/26






Confidência bombástica da cor furtada 

Esta incompreensível 
Condição, era tua qualidade 
Mais marcante e atraente.

A luz, tão fria no dia
E na noite tão quente, ditava
O ritmo, definia o tom.

Raríssimos sons nos 
Comoviam, como aquela
Voz rouca, que sumia
Ao final das sílabas.

Era o posfácio da força,
Que a um punhado 
Se esvaíra. Tua paleta 
Rotativa exibia-se em contrastes.

Transmutando cristais 
Incandescentes, jóias inusitadas
Em abundância, faziam
Da raridade uma estante 
Banal. 

Era a própria essência da Íris 
Em teu arco, chamada agora
De iridescência.

Sobre o que era, não sabíamos,
A quem se destinava,
Não mais supúnhamos.

E aquela exótica e esquisita 
Figura, que perambulava num
Tênis barato e remendado,

Nesta materialização translúcida, 
Era em si, ela mesma, 
Furtiva, a desaparecida furta-cor.

12/05/26







Genealogia do Tédio 

Se fosse só morrer pela revolução,
Pela revolução
Eu morreria.

Se fosse só viver por amor,
Por amor
Eu feliz viveria.

Mas o inferno 
Consiste na rotina,
Aquela reincidente rotina
De um replicado, 
Suplicante.

Que se repete, 
A cópia da cópia,
Sem morte, nem revolução,
Só sacrifício.

Aquela rotina, 
Que se repete
Sem reciclagem, 
De sacanagem,

Onde não vivemos
Felizes por amor,
Onde todo fim parece início.

É na rotina 
A rota de colisão,
Nos arrastamos 
Rotos, onde

Todo recomeço 
Parece o fim.
E o que diabos se fez, da paixão?!

12/05/26








Refresco

aos olhos do douto
- em tua mobília 
entalhada, de nobre
procedência -

o tolo
diz errado, 
faz errado,
errado-pensa.

chuchando 
café coa cuié,
o tolo nem do douto sabe.

ele arrasta 
um toco pra sentar,
provando sem querer
quem é esperto.

decasca uma laranja,
- cheia do bão cardo -
proseia um bocado
e vive pelo certo.

13/05/26









Fórmula do Indefinível 

O amor é tudo aquilo 
Que o poeta omitiu.
E indefinidamente mais.

13/05/26





 

O Vale das Sombras foi meu Bosque Encantado  

Pense em todas as coisas 
Insuportáveis, que em nenhuma 
Situação normal você aceitaria
E não aceite.

Nós atravessaremos esse deserto 
Interminável de sujeição,
Não acataremos mais, chega
De obediência.

Não haverá rendição também,
E esta será nossa nova diretriz.
Desobedientes, insolentes,
Inconformados e sem rendição.

Até a próxima obrigação,
Obrigatória.

13/05/26







Kamikaze 

Mirou a ponta do nariz 
No parabrisa, e após 
Um instante de suspensão 
Da própria consciência,
Se atirou contra o vidro.
Ela o encarou assustada.
O vidro não se partiu,
A cara dele não se partiu,
Foi uma visão menos
Emocionante do que
Ridícula. Mas o amor
É assim, um misto de
Bravura e idiotice em
Grande porção, mesmo
Que ninguém saia ferido.

13/05/26






Fórmula do Indivisível 

Desconsidere numerador 
E denominador,
Retire quociente,
Dividendo, resto
E divisor.

Daquele entrelaçamento 
Em diante, 
Só ficará o todo.
E nada além, para
Fracionar.

14/05/26







No meio do caos havíamos nós 

Toda minha vida 
Eu evitei o conflito,
Em todas as situações 
Profissionais, pessoais,
Amorosas.

Fiz sempre o possível,
Para me manter longe
Do conflito.

Trilhando pacificamente, 
A doutrina apaziguada
De um singelo pacifista.

Mas esse desgraçado
Persistente,
Insiste em me encontrar.

E quando topamos
Nos becos escuros do acaso,
Ele rosnando, 

Eu me aquecendo,
Nenhum de nós sabe, 
Como vai acabar.

14/05/26






O Procrastinador 

ele se permitiu 
um adiamento.
estabeleceu 
por conta própria 
uma prorrogação.

depois dos
acréscimos 
que se seguiram,
ao prazo já 
encerrado.

de todas aquelas
datas, que vinham
sendo sucessivamente 
postergadas.

era aquele contrato 
que tinha consigo 
mesmo, que importava.

era uma questão 
clara de
prioridades, 

que ele deixaria
sem a menor 
cerimônia, passar.

14/05/26







A Saga dos Mil Poemas

mil anos, formam
a extensão de
um milênio.

uma tonelada,
advém de mil
quilogramas emaranhados. 

e o quilômetro 
é a reunião de mil metros,
ao resolverem 
confraternizar.

quando mil litros 
se organizam, estamos
diante de metros cúbicos.

já este poeta,
é a aglomeração 
de mil poemas [até aqui], 
decididos a se manifestar.

enquanto 
mil centavos parece pouco,
em matéria de poesia,
é toda uma vida.

14/05/26 
poema n⁰1000










Trajetória de uma vida plena

Difícil de conceber,
Alguém com tais características 
Específicas. Mas é assim

Que foi. Ele fez tudo o que 
Queria fazer, mesmo quando
Contrariado. Realizou tudo

O que desejava realizar,
Mesmo quando não-realizado.
Foi feliz em cada um dos 

Momentos, ainda que a
Felicidade em raríssimas 
Ocasiões o tenha acompanhado.

Deixando-nos a seguinte 
Lição: não quantifique nada
Nesta vida. Não ordene os

Fenômenos, crescendo ou
Decrescendo, não condizem
Com o que representa o

Sopro da vida. Cada um dos 
Ladrilhos, por mais opacos
E desbocados que possam

Parecer, conferem o sentido 
Amplo, substancial e abstrato,
Coeso, contraditório e singular,
Ao que denominamos plenitude.

15/05/26






O Inesperado Regresso de Jou Boga

Violência gratuita e a cópula 
Bruta, trazem consigo 
Algum grau de semelhança.

No esfumaçado terror
De teus dias insanos,
Se fartou no sabor da vingança.

Direcionada sempre 
Aos inocentes, quem não 
Tinha culpa alguma, pagou 
Por tudo que não fez.

Após longas férias 
No xadrez de concreto,
Retornou como um rei
Mastigando as damas.

Modus operandi ativado 
De novo, o canalha vil 
disponível na pista.

Brigar e foder eram
Teus hobbies favoritos
Nas noites imprevistas.

Garrafadas a esmo, tatuagens 
Zoadas, cicatrizes suadas,
O veneno no sangue, 
A corrente gelada.

Uma cólera cega
Envelhecida em tonel,
Atrocidades destiladas.

A negligência enfim
Convertida em barbárie, 
Canonização do hediondo.

Especializando requintes
De crueldade, o homem crescido 
Despido das grades.

Prestigiem o monstro,
Regressando ao que ele
Nunca pôde deixar de ser.

Contemplem a criatura,
A besta desenjaulada,
Uma última vez em seu auge.

15/05/26



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Michel F.M. - Poemas 2026 - Parte 4

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