Michel F.M. - Criações 2026 - Parte 2
👾 2026 👾
Falha na Contenção
Já não mais uma diminuta fissura,
Em tuas espessas muralhas emocionais,
Agora, as escoriações projetavam
Rachaduras de ponta a ponta.
A represa psicológica construída
De sessão em sessão, ao longo
Das décadas de combate à tua
Tão íntima autodepreciação,
Encontrava-se num estado alarmante,
Do qual não retornaria, com intervenções
De terapia e divã. O menosprezo por
Todo método era irreversível.
Toneladas de metros cúbicos reprimidos,
Por uma barreira incompetente em
Reprimir. Aquilo que não pode ser contido,
Resultaria no que é matemático.
Alguns chamaram de tragédia anunciada,
Outros alegaram que contra forças
Instintivas nada se pode fazer. Mas no
RH, o registro constou como "justa causa".
24/03/26
Lenita
naqueles breves minutos
entre uma obrigação e outra,
Ela despontava no batente,
enquanto o ruído persistia ao fundo,
meu eu a seguia para não surtar.
disparava teus sorrisos,
seguidos de gargalhadas
sem explicação ou motivo
aparente, dois olhos amendoados
gigantescos me levando sob custódia.
as razões não importam enfim,
mas imitando teu humor vertical,
improvisei este acróstico nonsense,
para procrastinar toda a papelada
imprestável que eu tinha pra preencher:
(L)ouvável beleza silenciosa, estóica,
(E)xageradamente autêntica, paralisante,
(N)avegue em meus devaneios outra vez
( I )nspirando este exausto desordeiro,
(T)ransferindo-me teus amplos encantos,
(A)quecendo graciosa este bioma glacial.
25/03/26
Duelo Casual entre o Vazio e a Desconfiança
Quem poderia imaginar,
Que numa noite
Descorçoada,
Estariam reunidos
Num jantar à luz de velas,
O Cético e o Niilista.
Um duvida de tudo,
O outro não crê em nada,
Duas faces de um menosprezo.
A energia motriz
Baseada na ausência
De propósitos.
Mas afinal, o que é real,
Em nossa cosmovisão
Contaminada de percepções;
Alguns defenderão
Que há de alguma forma,
O inegociável no meio disso tudo.
Outros, que entre não-compráveis
E razoáveis, há toda uma
Negociação, que não vem ao caso.
Possivelmente
Seja assim que aconteça,
Mas há controvérsias...
Mesmo que fique
O dito pelo não dito,
Discordo disto também,
Quando confirmo [ainda que não
faça diferença], que não acredito
Nem em minha própria descrença.
02/04/26
O Homem Inconsequente e teu Gráfico de Perdas
alcançara no último trimestre
o pico das regressões,
buscava se reconectar com teu eu desplugado,
falhava miseravelmente.
voltando às memórias
mais remotas, selecionava
as situações, onde e quando havia
tomado caminhos,
que desembocaram
aqui.
anos desperdiçados
com as redes sociais
e o vício pela
solidão,
teus produtos virtuais abundantes
lhe foram caros,
cobrando um preço ainda maior,
anulantes da vida em si;
saúde emocional
falida.
apesar de saber da importância
que isso tinha,
não se importou
quando deveria.
mesmo sabendo das consequências
que lhe caberiam,
não questionou-se,
quando deveria.
tomado pelo desprezo por si mesmo
e pelos demais,
não teve escolha,
a não ser pela qual
optou.
confundiu a tristeza
com diversas alegrias
e deixou belos instantes,
desfazerem-se por entre os dedos,
como a névoa
matutina.
mas em tua coleção de trombadas,
os choques serviam como
desfibrilador,
cutucando o nó sinusal
castigado por estimulantes,
que entre tantas taquicardias,
ainda desatava e
batia.
04/04/26
Doze estágios da repartição
as cláusulas omitiram tuas reais
atribuições.
chegar na hora, sair no horário,
assinar o ponto
e neste entrave,
realizar com destreza, afinco e
sacerdócio o
repetitivo-cansativo-monótono-maçante-
chato-exaustivo-enfadonho-torturante-
tedioso-aflitivo-penoso-excruciante-
serviço.
06/04/26
Quantos olhares cabem num instante?!
ela olhava pra baixo
e olhava pra mim,
eu olhava pra cima
e olhava pra ela,
ela olhava pros lados
e assim me fitava,
eu fingia que não
mas seguia olhando,
ela se desviava
quando olhava pra mim,
o olhar que fugia
vez por outra voltava,
perguntei-me o porquê
teu olhar me buscava,
enquanto me perguntava,
nosso olhar se encontrou.
06/04/26
Narciso Abatido
se fosse culpa
da desidratação, uns goles
d'água bastavam;
se faltassem minerais,
potássio e magnésio
resolveriam.
mas esta contração involuntária
súbita e dolorosa, não
atacava a musculatura,
tua propagação atingia
estruturas, que ultrapassavam
as funções celulares.
com teu orgulho ferido
e a autoestima no chão, ele
precisaria de uma massagem
completa do próprio ego.
07/04/26
Talentosa Manu
Eu entrava na sala
Ela já estava deitada,
Por cima da mesa,
Numas cadeiras arrastadas.
Descia pra quadra,
Mal a gente chegava
Lá estava ela, sobre o banco,
Pedia um tatame, despencando.
Na ausência de um lugar pra se escorar,
Acomodava-se no chão mesmo,
Sem cerimônias, sem restrições,
Saía por aí deitando.
Algumas pessoas nasceram
Pra jogar bola, outras pra pintar,
Tem quem nasceu pra música,
Para deitar nasceu Emanuelly.
Ou talvez ela tivesse nascido
Pra outras coisas, que nunca
Pude identificar. Ou simplesmente
Ela não dava a mínima [garota sortuda].
08/04/26
Ateu por conveniência
Gosto da ideia de Deus,
Eu gosto de pensar sobre isso,
Sobre as possibilidades,
Que são de qualquer forma
Um extrapolar da imaginação
E isso muito me fascina.
Às vezes, quando estou
Entre pessoas religiosas,
Afirmo que sou ateu.
Só para ver as reações,
Para apreciar o desconforto,
A transfiguração do semblante.
É incrível como alguns devotos
Podem odiar ao próximo,
Numa fração de segundos.
09/04/26
Orbitando Tatá
Regata preta, Lycra preta,
Chinelos brancos folgados,
Sorriso largo,
De um lado ao outro
Dos lábios caberia a imensidão.
Dois tapinhas nas costas
Pra motivar, uma voz oscilante
Entre o suave e o gutural,
Potência [meus ouvintes],
Ali era a vontade de poder
Quem comandava.
A força dos membros inferiores
Numa corrida de velocidade,
Saltava alto também,
Atingia os cinco mil pés
Num impulso qualquer.
Os joelhos num enquadramento
Perfeito, ninguém notava
O desvio para a esquerda,
Era um evento em movimento,
Quadril retumbante.
Um bíceps femoral digno
De registro e medição,
Glorioso posterior da coxa.
Entre o suave e o gutural,
Tua voz oscilante,
Minha trilha sonora favorita.
10/04/26
Depois de esgotada a última lástima
passei preocupado
por muito tempo,
com aquelas questões
preocupantes.
que retiram o sono,
que atrapalham
o apetite, que infestam
de caraminholas
nossas sinapses.
que fustigam, cutucam,
e costumam castigar
os pensamentos.
dura condição de quem
pensa demais.
[o não pensar seria
tão mais fácil].
sabe todas aquelas
preocupações
incessantes-persistentes,
desagradáveis,
que vão e vem,
que volta e meia
nos atazanam,
nos azucrinam
e nada mudam.
atormentados.
só mesmo o desapego
pra apaziguar
[desprendimento total].
depois de esgotada
a última lástima,
nada mais compensa,
a ponto de preocupar.
não me preocupo mais
com coisa alguma,
só com o que é
fundamental
e com isso sim,
só com o que é
essencial
e crucial de fato,
com isso me ocupo
de verdade.
e tenho vivido assim,
dedicando tudo
à despreocupação,
tanto que de alguma
forma, isto começa a soar
meio preocupante.
10/04/26
Pré-discurso de um Corticeiro
Senhoras e Senhores,
Retirem os incapazes
Do recinto.
A comunicação
Será violenta.
Aviso de antemão,
Que não pouparei
Esforços,
Nem ofensas.
Utilizarei inúmeros
Palavrões,
Adjetivos cabeludos
E orações pesadas, para
Enfatizar
O que tenho a dizer.
Comecemos...
11/04/26
Cagada Patética
Fui encarado por
Um longo momento,
Após acionar a descarga
No dispositivo.
O corrugado tímido,
Obviamente magoado,
Escondendo-se
Em tuas vestes,
Recolheu-se com
Tuas pregas.
A louça cruel
Esperava o desfecho,
O vaso nitidamente
Me julgava:
- Foi pra isso, que sentaste aqui?!
11/04/26
Épico Fecal
Aguardava até último
Instante, para desafivelar
A cinta, quando agachava,
Cocora já vinha num
Pulso gravitacional.
O impacto quase
Desparafu-sava
Privada.
Você alguma vez ouviu
Algum relato sobre cagarem
Tijolos? Todo dia vizinha
Sabia, que por volta das
Seis, seis e meia,
Ocorreria ritual,
Um clássico da
Escatologia.
11/04/26
Nota de corte
As instruções eram
Exageradamente específicas,
Se empilhavam na folha
Em forma de lista.
Canetas nas cores
Pretas e azuis,
Certifique-se de colocar o nome,
Certifique-se de não esquecer
Dos números,
Certifique-se de preencher
O gabarito,
Três horas de permanência
Mínima,
Banheiro e água
Só na companhia do fiscal.
Colecionava certificados
E certificações,
Colecionava diplomas
E documentos timbrados.
Ninguém perguntou a ela,
Se havia se certificado
De não ter ninguém em casa,
Quando prestou seu último teste.
A lâmina fria, deslizou macia, num
Ângulo perfeito em transversal.
13/04/26
Corpo de Delito
E lá estava ele,
No ringue de novo,
Travando aquela velha
Luta corporal violenta,
Contra tua própria mente.
Como ele aguentava tanta porrada,
Era uma surpresa, até para
Os mais versados no ofício
Da automutilação.
Uma parceria exclusiva,
Coronha e coronhada.
Um pugilista do inconsciente,
Peso-pesado em socar
As próprias desilusões,
Até que ficassem desacordadas
E indefesas, com a fuça na lona.
Vociferava, bradava e cuspia.
O miserável era um touro castrado
Na esteira do abatedouro.
Como os pensamentos podem
Sangrar, é um dos grandes
Questionamentos do nosso tempo.
13/04/26
Nascemos muito cedo,
vivemos tarde demais
Pra que servem as horas
Se o tempo é relativo?
Em cada caco espalhado
Continha um fragmento
De lembrança e foram tantas,
Que se impregnaram na porcelana.
As propriedades físicas
Não fazem jus a tudo o que
Aquele utensílio viveu.
Passou quinze anos esquecido
Num baú, mas quando finalmente
Saiu da caixa,
Foram mais de duas décadas
De dedicação, manhã
Após manhã, ininterruptas.
Algumas tardes aleatórias,
Em feriados principalmente,
Mas domingo a domingo
Sem excessões, num fervor
de adoração quase religiosa.
Havia sido o objeto mais
Higienizado, viveu praticamente
Toda sua vida no escorredor,
Sujo, limpo, molhado e seco,
Nunca retornou às sombras
Do armário.
O presente de uma tia-avó
Que ele nem conheceu, feito às
Antigas, com uma técnica que
Não se vê mais, estampado com
Sutis pinceladas, retratando
Um pequeno guri sentado no campo,
Com teu chapéu de palha, um
Punhado de trigo, a vaquinha malhada,
Clássica das paisagens bucólicas.
O que lhe chamava mais atenção,
Era a despreocupação do garoto
No mato, desatento pra tudo que
Não fosse o instante, o concreto
E envolvente momento,
Que se dissipava.
14/04/26
Termo de Confidencialidade
o sigilo
era a norma,
ninguém poderia
compartilhar
as informações
privilegiadas,
nem sequer
mencioná-las
novamente.
todos
assumiram
os riscos,
todos
assinaram
os campos,
aceitaram
impositivamente
as determinações.
o humano
é um animal
curioso,
ele socializa
seus segredos,
com a ameaça
de punir,
aqueles que
o revelarem.
mas nenhum
segredo supera
a natureza de um
desacato.
14/04/26
Cortinas verde-pistache
quem diabos
escolhe essa cor
para as janelas,
o luz natural
esverdeava
tudo.
não continha
a iluminação,
na realidade tendia
ao inverso,
clareava cegamente
tudo.
alguns gostos
não se explicam,
eles só existem,
através daquilo
que não exige
explicação.
era quase
tão confuso quanto
o sentimento
que tinha por ela.
só ela
pra me fazer amar,
aquelas maledettas
cortinas.
14/04/26
Plano Sagital
só a experiência
escancaradamente
vivenciada, cinética
e fisiológica,
impregnada
em nossas camadas
emocionais
mais profundas,
que inoculam
substâncias singulares
e sedimentam
tesouros e detritos,
em nossa fustigada
percepção,
pode significar
alguma coisa.
15/04/26
Flatulo, ergo sum
Brindemos às bactérias,
Que em teu lavoro incansável,
Reciclam toda porcaria
Que algum dia ousamos ingerir.
Esta parceria muito mais
Que benéfica, gera um ritmo
Salutar, em nosso esquema
Desprovido de cuidados.
Possuímos todas as informações
E dados coletados cautelosamente,
Pelo rigoroso processo científico,
De ajustes, cálculos e verificações.
Todavia, não possuímos a vontade,
De preservar algo programado a morrer.
E se a morte tão opulenta, não
Nos tarda a derrubar, ofereçamos
Este último trago, aos engenheiros
Da decomposição, que em tua missão
Cíclica e renovável, hão de digerir,
Além do infarto fulminante, também
Os acelerados desalentos.
16/04/26
Catálogo da Anti-poesia
ninguém trabalha por amor.
exceto, os sadomasoquistas,
mas contra os fanáticos religiosos
não se pode argumentar.
é senso comum que tripalium,
era um instrumento de tortura
da antiguidade e existiram
algumas belas variações
no medievo.
tempos gloriosos e deprimentes,
no qual imperadores e
posteriormente reis absolutistas,
erguiam com mão de obra
escrava, teus palácios incrustados
de ouro e diamantes de sangue.
quase igual hoje em dia,
com uma estreita diferença,
os bilionários são mais ricos
do que os absolutistas jamais foram.
por isso insisto com você, caro leitor,
ninguém trabalha por amor.
o que você ama, não pode se
denominar trabalho.
mas compor um poema
às quatro da manhã, enquanto
defeca, antes de sair para mais uma
sessão de humilhações laborais,
só pode se enquadrar no Catálogo
da Anti-poesia.
16/04/26
Circundução
hoje,
insisto que
não direi nada.
mas,
antes de
dizer isso,
digo,
para que
não fique
o dito
pelo não dito,
que nestes
ditames,
desgastantes
e forçosamente
dissuasivos,
por livre e
espontâneo
descaso,
me abstenho
de quaisquer
dizeres.
16/04/26
Rafe do Períneo
a poesia não nasce
mais, no esvoaçar
da borboleta,
em meio
ao perfume
dos jardins.
ela advém antes,
do breve fôlego
que toma
o proletário,
antes do escaldo,
de voltar a ser
explorado.
16/04/26
Fato e Fricção
tua grande dorsal
ocupava os quatro
cantos da minha vista.
veja como reparo
em teus detalhes
lineares, apesar de serem
os trejeitos que saem
fora da curva, que mais
chamam atenção.
sei que são evidências claras
e em hipótese alguma
passariam despercebidos.
mas para além da visão
capturada, perseguidora
de teus pontos de atração,
é a inevitabilidade do toque,
que impõe sucção, aos poros
focados de minhas falanges.
17/04/26
Horizonte de Eventos
É difícil compreender
Como um amor verdadeiro,
Pode atrair tanto atrito.
Choques térmicos, elétricos
E magnéticos, um campo
De força que protege e repele.
De onde saíram tantos
Temas para discussão, nas
Madrugadas infinitas?!
Parece que até mesmo o Sol
Evita aparecer, com receio
De se meter onde não devia.
É tudo cor de rosa, até se converter
Num poço de piche, daí as
Sombras reinam soberanas,
Viscosas e grudentas.
Um mergulho arriscado
Em tuas bolhas de alcatrão.
Pare de buscar a energia escura,
Neste vasto espaço vago,
Somos nós a antimatéria.
Mas somente na escuridão
Inacabável, de um amor verdadeiro,
Há margem suficiente para ignorar
a física.
18/04/26
Poema Libertino
Sou verso que amou
Tantos versos,
Ao ponto de não poder
Chamar-me fiel.
Estrofe que amou
Toda estrofe, para de alguma
Forma cruzar meu lirismo,
Esta sentença escandalosa.
A cada escolha libidinosa
Nas estantes dos gêneros variados,
De clássicos à marginalizados, ficou-me
A fama e alcunha dos devassos.
Mas minha promiscuidade
Literária, tão cara a mim,
Não a condene, sem antes
Saber de teus dotes e sacrifícios.
Foi-me tão calorosa nos
Cumulativos dias gelados,
Que mesmo no calor infernal destes
Trópicos abafados, refrescaste
Meu desidratado espírito.
18/04/26
Canções para foder em câmera lenta
Procuro escrever simples,
Mas a simplicidade me foge,
Procuro escrever fácil,
Mas facilmente me perco
Em minha própria dificuldade.
Inapropriado é o que me resta.
Em toda calçada, caminham
Calçados, trazendo consigo
Histórias de calçamento.
Quando em última instância,
Anseio pelo chulo e pela precariedade
Do vulgar, sonho em ser um poeta
Roto, amarrotado e popular, de repertório
Tosco e limitado, para assinar
Barulhos que bombam e rimas
Que grudam, nas paradas do populacho,
Imitando sons de funções orgânicas.
Mas mesmo originado na plebe,
Escrevo estas linhas quase rebuscadas,
Que de tanto gastarem os termos,
Chegaram ao ponto de nada dizerem.
E sigo respirando esta fumaça
Sufocante e cinzenta, quando só queria
de fato escrever, canções para foder
Em câmera lenta.
18/04/26
Rima de um portão enferrujado
Trec
Trec
Trec
Trif
Trif
Trif
Trec
Trif
Trak
18/04/26
Vigilante Capacetado
A cada três casas,
Um "piui",
Mais três casas,
Um "piui",
Quatro casas
Um "piui".
Onde quer que ele fosse
E a parede portasse
A marca da vigilância,
"Piui".
Nem as placas,
Nem os sons,
Intimidavam
Os meliantes.
Cinco furtos
No bairro, só
Na última semana.
Pelo menos o vigia
Ainda tinha um sustento,
Tempos difíceis na cidade
Inchada.
E mesmo que você
Não contratasse
A personalizada segurança,
Recebia seu "piui"
Por tabela.
18/04/26
Podando o mal pela raiz
C/o/rr/u/pç/ão/
V/io/l/ê/nc/ia/
Cr/ue/ld/a/d/e/
/I/nt/o/l/e/r/â/nc/ia/
G/a/n/â/nc/ia/
M/a/n/i/p/u/l/a/ç/ão/
D/e/s/u/m/a/n/i/d/a/d/e/
/I/nd/i/f/e/r/e/nç/a/
É responsabilidade
Da cultura, do ensinamento,
Das circunstâncias,
Ou da natureza humana?!
Quem dera fosse tão fácil
Quanto separar consoantes
De vogais, afastar um primata
Arrogante, de tuas convenientes Compulsões.
18/04/26
No estreito do funil
escoando pelo ralo
vão nossas glórias.
nem só de tédio
vive o homem,
mas de toda
baixaria que
drene sua
aten-
ção
19/04/26
Rodapé de um Vislumbre
Vasculhando tuas memórias
E os ladrilhos de cada
Lembrança, deparou-se
Com alguns monólitos
Específicos, de sentimentos
Caducos e empelotados,
Densos, pontudos
E desajeitados.
Os quais não saberia discernir
Com clareza, se pertenciam
À tuas caminhadas contínuas
Ou projeções que tinha
Imaginado apenas.
Foi num canto discreto
E já meio desocupado
Que ele notou a marcação,
Provavelmente era aquele
O exato local, em que
A inocência se convertera
Em desilusão.
19/04/26
No Centro do Ônus
seguia firme ali,
o nadador de atoleiros,
colhendo os prejuízos,
naquela gosmenta
areia movediça,
que havia tragado
além da juventude tua vitalidade.
escárnio.
o holerite era outra piada
sem graça,
teus provimentos anedotas
baratas,
no saldo provisionado,
um extrato bem descrito
da desmotivação,
tua poupança
um veio seco
de terra rachada.
o que restava ao infeliz,
eram aqueles papos furados
nas pausas corridas,
um maço de nicotina
sem filtro, entre refeições
gordurosas, o bendito destilado
alcoólico do pós-turno
e uma ou outra risada,
que escapava pelo
estrangulamento
do cargo.
19/04/26
Minibiografia dos Miolos
em cada giro cerebral
impressões fixadas,
nas curvas acentuadas,
umas abertas
outras fechadas,
encontram-se inscritas
as esquisitices,
as manias e os
inconformismos.
de saletas
espremidas
para galpões
amplos e arejados,
as bagagens eram
despachadas,
decolando e aterrissando,
num engarrafamento
sem atrasos.
tudo cabia ali,
funções motoras
e sensações,
cognição e emoções.
distribuídas em
diferentes regiões,
habitadas por bilhões
de neurônios esforçados
e suas belas sinapses,
labutando das áreas nobres
às periferias, em ambos
os hemisférios.
19/04/26
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