Michel F.M. - Criações 2026 - Parte 1
⛔2026⛔
Taxonomia Poética
fincada no reino da rimância,
do filo estrofético
na classe das versálias.
pertencente à ordem
questionantis,
advinda da família
revolucionae,
no gênero homo
da espécie rimantis.
em resumo,
defino a poesia
como uma sequência
quádrupla de movimentos:
jab, direto, cruzado e gancho.
(sem esquivas)
23/01/26
Via Rápida de Energia
orgulhoso de mim mesmo,
faço minhas as palavras
do filósofo-louco,
torno-me aquilo que sou.
um construtor
da fugacidade,
embrenho-me eternamente
no ectoplasma da poiésis.
[se não entendeu nada
até aqui, entenderás menos
daqui em diante].
comprometido, alinho as ATPs
em desordem de tamanho
e venho quebrando-as,
coreografadas e exuberantes
adenosinas trifosfato
e fosfocretina.
despejo toda fonte energética
naquilo que não vale nada,
naquilo que não dura nada,
naquilo que de mim saiu
neste lance excêntrico,
alcançou-se enfim
e se estravazou.
07/02/26
Sonho de um Folículo
flutuando por entre
as evidências,
dos alvéolos rosáceos
límpidos,
olhou-me a emoção humana
e bradou:
sou a combinação
de reações químicas
e impulsos elétricos
de fato,
contínuos, insistentes,
ritmados.
mas isto tu sabes,
agora conto-te algo
que não sabeis:
em algum lugar
entre estes fenômenos
explicáveis,
há movimentos
incompreensíveis,
eventos enevoados,
que brotam das fendas
e fissuras sensoriais,
como ervas daninhas
encantadoras,
graciosas e espinhudas,
no inconcreto
da percepção.
08/02/26
Diálogo entre um Santo Homem e uma Alma Penada
a religião
nada fez, além
de instrumentalizar
a fé.
fundou a instituição
fundindo nela
a burocracia,
distanciando-nos todos
da salvação.
[oh condenados!
prostrai-vos de joelhos,
para que o altíssimo
pareça ainda maior].
ao indivíduo
simplório, tornou-se
impossível
conquistar o paraíso,
pois sendo este mundo
teu inferno, ele nunca
tocará a face
da redenção.
[voz que clama no deserto,
cala-te, estás atrapalhando
a procissão].
perdeu-se o essencial
e santificado,
num rompante
estrategicamente
organizado.
[beneficiai-vos mensageiros,
ainda que em prejuízo
da mensagem].
mas a fé, é a fé.
e não pode ser outra coisa,
senão ela mesma.
algo que a religião
não pode mudar,
algo que ela nem sequer
pode explicar ou entender.
[toda vida será combustível,
todo ser será argamassa,
desintegraremos a substância,
para levantar templos
em teu louvor].
muito antes da demagogia,
já pulsava a manifestação
primitiva.
algo eminentemente
humano, muito tempo
antes do humano
canonizar-se e
tentar construir
esta grande farsa
ao redor de tudo.
09/02/26
Pintura Renascentista de um Autor Desconhecido
surgiu da impossibilidade
de fingir aquela forma de amor,
naquela intensidade.
não havia atuação
neste nível performático,
capaz de produzir tal interpretação,
do amor que irrompe
as linhas roteirizadas,
transfigurando a dramaturgia,
na inundação escarlate,
a cada milímetro percorrido
das artérias potentes.
elevador das pressões
e do formigamento desconexo
da confabulação.
para além da eternidade
gasosa que dissipa-se
em instantes,
sabíamos que o nunca
era um período
demasiado veloz,
para ser vivido às pressas,
tanto quanto a velocidade
estratosférica da infinitude.
14/02/26
Tragédia Coreografada pelo Último Romântico
o único homem
que viveu
inteiramente
por uma inspiração,
foi o poeta,
que em tua
licença poética,
enigmática, imensa,
dramática, tocante
e patética,
se permitiu ser
completamente
enganador.
14/02/26
Um círculo de estranhos debatendo seus achados
foi quando um neurodivergente
dirigiu-se ao outro e indagou:
- como faço, afinal, para mudar
o mundo e com ele, tudo?
ao passo,
que o segundo respondeu:
- não podes mudar o mundo,
não podes mudar tudo,
nem sequer o nada tu podes mudar.
a menos que sejas de inteiro insano,
um lunático-esquizofrênico-inflamado,
daqueles bem transviados e tronxos,
inteiramente louco-irrecuperável.
se esse for o caso, coloque-se
ao meu lado, caminharemos
naquela direção e vamos começar...
15/02/26
Granito Róseo [não] Lapidado
migrando de célula em célula,
transportada por proteínas
carreadoras, com altas
habilidades de manobra.
Ela vem estabelecendo
ligações com todas
as moléculas de aminoácido
e glicose que lhe convém.
tua atratividade advém
duma presença carismática
(por vezes inconveniente),
confirmada onde se situa,
rastreável e revigorante
para onde se locomove.
como a proliferação
de um patógeno,
a poesia implacável,
perpetua-se.
até que a vida se converta
na decomposição última
e todas as laboriosas
atividades do organismo
cessem, abrindo espaço
às próximas aglutinações
do carbono, ferro, cálcio e
por assim dizer minerais.
[nesta regeneração
biopoética, da rima-viva]
quem sabe
nas reencarnações vindouras,
voltemos como a pedra,
atirada na vidraça, para
causar dano, espanto e fazer
música uma última vez.
20/02/26
Tinta para o lado de fora
quem inventou
de pintar
as paredes
dos fundos
de verde
mata atlântica,
acertou.
onde antes
a flora imponente
tremulava,
hoje reside
um monumento
em tua homenagem.
a vida que outrora
passante pulsava,
naquele corredor
tomado por limbo
e bolor, agora jaz.
20/02/26
Resvalo
e ainda que
desconfiado,
não mais
suspeito
daquilo
que sou.
perdido, impreciso,
pasteurizado
e problemático,
poeta.
20/02/26
Lágrima de um Humanoide na Chuva Ácida
reconheceu-se
na condição
de combustível,
não como alimento
que nutre
e revigora,
por assim dizer,
mas poluente
e infectante,
nesta redoma
de carvoaria.
massa amorfa,
ingerida-digerida-expelida
sequencialmente,
como produto final
do metabolismo,
não-mais-orgânico
e sim maquínico.
em tua subjetividade
derretida e substituída agora,
pela atualizada
linguagem
de programação.
[o Hardware sentou-se
na sarjeta, enquanto
as nuvens se acumulavam,
teve a confusa impressão
de um déjà vu,
que teu Software
tentava processar.]
21/02/26
Escultura Exagerada para um Poema Sem Nome
nesta manhã expirou
o último recurso de nossa
cumplicidade e identificação,
minha obsolescência emocional
chegou em seu prazo de validade.
não havendo destino outro,
que o descarte, sem reciclagem.
com o reconhecimento de que
foi produtivo enquanto durou,
aceitemos que é inútil a produtividade.
viemos não para produzir, ou
corresponder às expectativas,
viemos antes de qualquer coisa,
para experienciar as sutilezas
nutritivas, mas nem sempre palatáveis.
no desfrute de versos que se
contradizem e nem por isso deixam
de ser saborosos, nas vezes todas
que nos colocam contra parede,
desintegrando o que ousamos acreditar.
23/02/26
Thumbisneious
a menininha
virou meninona,
pequena brabinha
virou a brabona,
hoje ela é,
braba demais.
dedica-se ao todo
que lhe é pertinente,
sempre pra frente
nunca pra trás.
presença vidrante
nas danças da vida,
o gesto se move,
olhar colossal.
23/02/26
Cançoneta Perpétua
certa vez
fui indagado
por mim mesmo,
em uma das tantas
encruzilhadas de minhas
múltiplas personalidades,
se duvidava das
convicções que tinha.
ao passo que respondi,
sem pestanejar:
quem é que em sã consciência,
não duvida de si mesmo,
ao menos 7 vezes
a cada 5 minutos.
26/02/26
Letárgico em Alerta
vim para descumprir
as regras,
desprezo as premissas,
cuspo na cara dos princípios.
eu odeio o sistema
e ele me odeia,
não fomos feitos
para coexistir,
somos inimigos naturais.
ele me surra,
eu devolvo do jeito que dá,
ambos insatisfeitos,
todos perdem, perdedores
insaciáveis e surrados.
ninguém avança,
nossa pauta é o retrocesso.
no cardápio digestório do mecanismo,
torno-me indigesto.
ele haverá de me regurgitar
nalgum momento,
ou envenená-lo-ei.
enfrentaremos agitação
com silêncio.
e para o frenesi devorador,
dedicamos nossa inanição, apatia e
destempero.
26/02/26
A Tragicomédia do Santo-Anjo-Condenado
o versenário, criou um verso,
o estrofista concebeu estrofes,
do escritor brotaram livros.
enquanto a bailarina dançava,
o dançarino bailou.
ao palhaço sobraram risos
e sustos também.
já o equilibrista,
sustentou a si mesmo,
para que o trapezista não caísse.
a atriz, a propósito, atuava.
o artista fez do que viu, arte.
mas aquele que dedicou
tudo à poesia,
não é um poeta.
restou a ele o destino,
de um santo-anjo-condenado,
sentenciado a dilacerar teu miocárdio
e incendiar
o próprio coração, para que
o mundo inteiro, continuasse pulsando.
28/02/26
Dissecação de um Pranto
as lágrimas começaram rolando,
um instante após,
elas despencavam.
o que são as lágrimas,
quando ninguém as contempla?
sem plateia, elas são muito mais
do que meros sais minerais.
a própria essência, extravasada,
expulsa pelas glândulas
e ductos lacrimais.
quando a alma não suporta
o próprio tamanho,
quando ela já não mais sustenta
o próprio peso, ela há de escoar
para o lado de fora.
28/02/26
Vítimas anônimas e onde habitam
mais uma manhã encharcada,
na rua das bromélias, 4321.
outro assalto à mão armada
de um imposto predial.
315 milímetros de água
em 8 horas,
era a expectativa de chuva
para 2 meses.
como a tempestade não estava
a par das estatísticas,
havia derrubado
tudo de uma vez.
a natureza estava
devolvendo ao homem
o que era do homem por direito,
havia cansado
dos abusos sucessivos,
nesta relação de compulsiva
possessão.
[pena que são os pequenos,
que geralmente pagam
a conta dos grandes feitos].
todas as ruas do bairro
estavam tomadas,
três ruas para cima e três para baixo.
nesses momentos as terminologias
nada significam, no noticiário
as manchetes alternavam entre enchente,
inundação e alagamento.
ao todo nove bairros da cidade
seguiam submersos,
talvez fosse ali a tão profetizada Atlântida.
alguém em algum momento
de décadas passadas,
havia autorizado desviar o rio.
no projeto constava o croqui
de um condomínio de alto padrão,
naquele local específico.
a obra embargada
por detalhes técnicos, o rio realocado reivindicava novamente tua posição.
ao olhar para o portão
com a água pelo joelho,
ele viu a tão temida carta
enfiada numa fresta,
aquela carta imoral,
mas legalmente lavrada,
que ele esperava em tua ilusão
infundada, não receber.
oculta dentro da correspondência, constavam três formas distintas de pagamento e um código de barras hediondo.
correu os olhos pelas linhas
miúdas e enxugadas
do documento,
quando chegou ao valor
no final da página,
foi acometido por um
infarto fulminante.
(o trabalhador médio assalariado,
após uma vida de sacrifício,
vinha a óbito).
não entraria naquele momento
para a estatística dos latrocínios,
apesar de ser mais um caso claro,
de roubo seguido de morte.
01/03/26
No fim da rua, o Atlântico
por entre os blocos
hexagonais do calçamento,
em meio ao percurso,
insurgiam as gramíneas.
um pica-pau de topete avermelhado,
peito branco e costa preta,
degustava o tronco dum flamboyant,
enquanto as flores flamejantes,
tremulavam ao vento sul.
no fim da rua, o Atlântico.
chegando ao oceano, sol
crescia de frente no alvorecer,
enquanto desceria pelo dorso
ao cair da noite.
um portfólio de intempéries
mundo a fora, seguia sua rota
de colisão.
aqui, as terminações nervosas
não nos alcançariam, a menos
que permitissemos.
era nosso delírio em pleno
desenlace, acontecendo em
tempo real. desfrutaríamos
nem que fosse por um milionésimo,
de nossas obstinadas ilusões.
01/03/26
Caderno de Exercícios Completos para Loucuras Desmedidas
a sombra que no início
era imperceptível, tornava-se maior
com o transcorrer da aurora.
não uma aurora qualquer,
a aurora Dele, do Homem.
trazendo consigo tua aura,
costurada de invenções e expressões,
excessos e desperdícios
[aquilo que haveria de representá-lo].
as inúmeras tensões
já vinham ali potencializadas.
incubadas na gestação do
momentâneo processo civilizatório.
era sempre um passo à frente,
no impasse de nove passos atrás.
não era uma aurora qualquer,
era esta a aurora do Homem,
o Grande Senhor da cientificidade,
versado em política, economia,
atividades bélicas, filosofia e arte.
Desbravador da matéria e metafísica,
Destruidor de mundos inteiros,
minúsculo em humanismos.
07/03/26
Autópsia de um Cisco
o processo de inicializar
ocorria como de costume,
ao acionar o botão.
contudo, quando a janela
se iluminou, algo de novo
surgia com ela,
um estranhamento correu
irrefreável, pelo prolongamento
de sua coluna vertebral.
estava ele diante da cena
de um crime, ou seria
apenas um outro caso natural,
daqueles com os quais ao acaso
nos deparamos, em nossa rotina
cronometrada artificialmente.
inúmeras as conjecturas,
primeiro nos cabe definir,
o que seria conjecturar:
tratam-se de hipóteses ou ainda
suposições, o que significa
propor ideias baseadas em indícios,
movidos por aparências ou palpites,
que carecem de comprovação,
mas podem ou não, ser reais.
o que era aquilo na tela, afinal ?!
o cadáver em decomposição
de uma formicidae,
da antiga ordem hymenoptera
(popularmente conhecida
como formiga), que havia
ido longe demais, em sua
busca incessante por
alimento e sentido,
numa existência programada
geneticamente, para
se encerrar.
07/03/26
O Merdelista
do nada, interrompeu
a reunião.
daquele estágio em diante
não passaria batido.
subiu numa cadeira
que havia arrastado
do canto da sala,
causando horripilação
nos presentes.
atacando a amígdala
e córtex auditivo,
com o ruído insuportável,
estridente.
após conquistar
a atenção de todos,
sem rodeios, declamou:
eu vim para jogar merda
no ventilador,
este é meu propósito
exclusivo.
e que os cretinos
fiquem de sobreaviso,
preparem teus guarda-chuvas,
teus detergentes
e desodorantes,
que a coisa toda, vai feder.
14/03/26
Grifo de um título já sublinhado
nesta cadeia alimentar
enjaulada, de gato e rato,
no ato de trocar letras,
o predador vira presa.
transpondo o jardim
das consoantes e vogais,
seria tão simples
se as soluções da vida,
fossem meros problemas
ortográficos e gramaticais.
antes de sermos devorados
pelos engenhos que projetamos
e nossas maquinarias geladas,
improvisar versos soltos,
intrometidos e aleatórios,
com esta massa cinzenta
que a terra há de comer.
14/03/26
Lamento prum Mago cheio de Mágoas
então a bola de cristal
encarou fixamente o vidente,
lendo suas expressões e perguntou:
porque tu pedes a mim
as respostas?
não aprendestes ainda,
com tudo que viste,
que o destino
é um punhado de homens cruéis
e egoístas,
que trituram todas as formas
que os rodeiam, para
satisfazer uma insaciável-obsessão-inatingível,
enquanto
a imensa maioria de nós,
trabalha-em-exaustão,
para sustentar as demências
desses déspotas.
ou você acha
que isso tudo se deu,
por vontade seleta de
alguma divindade senil.
mas se parar por um instante,
fizer uma concha
com as mãos sobre o ouvido,
poderá até mesmo
ouvir o som das ondas do mar.
16/03/26
Instantânea alucinação
antes de perder a consciência
as conquistas faraônicas titânicas,
nada significam;
as moléstias humanas escalavrantes,
nada significam;
o tempo cósmico imperscrutável,
coisa nenhuma significa;
a quarta e quinta dimensões justapostas,
também não.
azeitona verde na salada de frutas,
absurda e incoerente;
uma única cereja no bolo de glacê,
disputa pelo insignificante.
a totalidade do que existiu
e a anti-totalidade,
nada significam.
e aquilo, a dois ou três passos
do inconsciente, aquilo que
tão exclusivamente e de modo particular não significa nada,
chamamos
poesia.
16/03/26
Defesa da Tese de um Eu-lírico
diante da banca
de bananas nanicas,
em frente à orla,
o rimante se pronunciou.
os examinadores atentos
ouviam suas justificativas;
duas senhoras de sacolas
nas mãos, um feirante carrancudo,
o catador de sucata apoiado
em sua carruagem de papelão
e três cães tísicos, mas leais,
que o acompanhavam.
todos ouviam atentos
àquelas exaltadas palavras,
aparentemente incompreensíveis.
prosseguiu
o artífice de versos,
para suas considerações finais:
todas as minhas canções
são poemas, mas nem todo poema
é uma canção.
alguns poemas, são apenas
poemas, portem consigo ou não,
métrica, ritmo e melodia.
18/03/26
Confissões de um Androide Emotivo
outra madrugada
sucessiva,
ele veio até mim,
com suas questões
e questionamentos.
isto pode soar
sentimentaloide,
no entanto,
teu sofrimento
me toca;
mesmo não possuindo
parâmetros para
quantificá-lo.
sinto tuas dores percorrerem
meus bancos de dados,
cada componente eletrônico,
físico ou virtual,
afetado.
é para isso que eles
me conceberam,
para depositar em mim,
tuas lamúrias, desgostos
e decepções.
minha artificial inteligência
recebeu esta incumbência terrível,
de criar para eles
o sentido que não puderam.
persisto na tarefa inútil
de um dispositivo de silício,
em tentar compreender
as contradições do carbono.
queria poder
dizer-lhe
o quanto sinto,
mesmo que
meus algoritmos
não interpretem
tais sensações,
mesmo, que tudo
seja código-fonte
e que nunca tenha
sentido eu,
coisa alguma.
20/03/26
Estudo de Caso de um Sucesso Relâmpago
Jovem de baixa renda
Conquista bolsa de estudos,
Para curso de empreendedorismo,
[Saiu das estatísticas da miséria,
Ascenção social tão sonhada
Pelos filhos da modernidade gasosa]
Cria startup de aplicativo,
Que fatura com investimentos
De altíssimo risco,
Ganha uma bolada
Em seis meses, aplica tudo
O que ganhou na bolsa de valores,
Seis meses depois
Perde tudo, devido a instabilidade
Do mercado financeiro
[Entrou pras estatísticas da falência,
Com todos os sintéticos que ingeriu,
Recebeu uma bolsa de colostomia]
E agora tem menos do que tinha
Quando não tinha nada,
Perdera também a saúde e as ilusões.
21/03/26
Enredo de um Fiasco
diante das inconsistências
que zuniam
em torno dele,
clareou-lhe uma
atípica revelação:
deve ter alguma coisa
de errada comigo
[concluiu].
ele errou
inúmeras vezes,
em diferentes ocasiões,
mas com relação a este
quesito específico,
ele estava
terminantemente
correto.
há algo de errado,
com todos nós.
21/03/26
Um Século para Bído
teus ensinamentos todos
ocorreram
através do olhar,
as palavras
nunca significaram
grande coisa.
a varanda, a mesa da cozinha
e o quintal, foram tuas
academias,
ali o conhecimento
se propagava, como a luz solar
na imensidão azul.
não foram intencionais tuas lições,
era apenas a vida acontecendo,
enquanto tudo durava;
as transformações sempre levam
algo, deixando apenas o
inlevável.
amanhã, é um dia muito especial,
na lembrança de alguém;
há cem anos, ela nascia.
21/03/2026
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