sábado, 2 de maio de 2026

Michel F.M. - Poemas 2026 - Parte 2


Michel F.M. - Criações 2026 - Parte 2

👾 2026 👾



Falha na Contenção 

Já não mais uma diminuta fissura, 
Em tuas espessas muralhas emocionais,
Agora, as escoriações projetavam
Rachaduras de ponta a ponta.

A represa psicológica construída 
De sessão em sessão, ao longo 
Das décadas de combate à tua 
Tão íntima autodepreciação,

Encontrava-se num estado alarmante,
Do qual não retornaria, com intervenções 
De terapia e divã. O menosprezo por
Todo método era irreversível.

Toneladas de metros cúbicos reprimidos,
Por uma barreira incompetente em
Reprimir. Aquilo que não pode ser contido,
Resultaria no que é matemático.

Alguns chamaram de tragédia anunciada,
Outros alegaram que contra forças 
Instintivas nada se pode fazer. Mas no
RH, o registro constou como "justa causa".

24/03/26





Lenita

naqueles breves minutos 
entre uma obrigação e outra,
Ela despontava no batente,
enquanto o ruído persistia ao fundo,
meu eu a seguia para não surtar.

disparava teus sorrisos,
seguidos de gargalhadas 
sem explicação ou motivo 
aparente, dois olhos amendoados 
gigantescos me levando sob custódia.

as razões não importam enfim,
mas imitando teu humor vertical,
improvisei este acróstico nonsense,
para procrastinar toda a papelada 
imprestável que eu tinha pra preencher: 

(L)ouvável beleza silenciosa, estóica, 
(E)xageradamente autêntica, paralisante, 
(N)avegue em meus devaneios outra vez
( I )nspirando este exausto desordeiro, 
(T)ransferindo-me teus amplos encantos,
(A)quecendo graciosa este bioma glacial.

25/03/26






Duelo Casual entre o Vazio e a Desconfiança 

Quem poderia imaginar,
Que numa noite 
Descorçoada,

Estariam reunidos 
Num jantar à luz de velas,
O Cético e o Niilista.

Um duvida de tudo,
O outro não crê em nada,
Duas faces de um menosprezo. 

A energia motriz 
Baseada na ausência 
De propósitos.

Mas afinal, o que é real,
Em nossa cosmovisão 
Contaminada de percepções;

Alguns defenderão 
Que há de alguma forma,
O inegociável no meio disso tudo.

Outros, que entre não-compráveis
E razoáveis, há toda uma 
Negociação, que não vem ao caso.

Possivelmente 
Seja assim que aconteça,
Mas há controvérsias... 

Mesmo que fique 
O dito pelo não dito,
Discordo disto também,

Quando confirmo [ainda que não 
faça diferença], que não acredito 
Nem em minha própria descrença. 

02/04/26







O Homem Inconsequente e teu Gráfico de Perdas

alcançara no último trimestre 
o pico das regressões,
buscava se reconectar com teu eu desplugado,
falhava miseravelmente. 

voltando às memórias 
mais remotas, selecionava 
as situações, onde e quando havia 
tomado caminhos, 
que desembocaram 
aqui.

anos desperdiçados 
com as redes sociais 
e o vício pela
solidão, 

teus produtos virtuais abundantes 
lhe foram caros,
cobrando um preço ainda maior, 
anulantes da vida em si;
saúde emocional
falida.

apesar de saber da importância 
que isso tinha,
não se importou
quando deveria.

mesmo sabendo das consequências 
que lhe caberiam,
não questionou-se, 
quando deveria.

tomado pelo desprezo por si mesmo
e pelos demais,
não teve escolha,
a não ser pela qual 
optou.

confundiu a tristeza 
com diversas alegrias 
e deixou belos instantes, 
desfazerem-se por entre os dedos,
como a névoa 
matutina.

mas em tua coleção de trombadas,
os choques serviam como 
desfibrilador,

cutucando o nó sinusal
castigado por estimulantes,
que entre tantas taquicardias,
ainda desatava e 
batia.

04/04/26







Doze estágios da repartição 

as cláusulas omitiram tuas reais
atribuições.

chegar na hora, sair no horário,
assinar o ponto 
e neste entrave,

realizar com destreza, afinco e
sacerdócio o

repetitivo-cansativo-monótono-maçante-
chato-exaustivo-enfadonho-torturante-
tedioso-aflitivo-penoso-excruciante-
serviço.

06/04/26





Quantos olhares cabem num instante?!

ela olhava pra baixo
e olhava pra mim,
eu olhava pra cima 
e olhava pra ela,

ela olhava pros lados
e assim me fitava,
eu fingia que não 
mas seguia olhando,

ela se desviava
quando olhava pra mim,
o olhar que fugia 
vez por outra voltava,

perguntei-me o porquê 
teu olhar me buscava,
enquanto me perguntava,
nosso olhar se encontrou.

06/04/26




Narciso Abatido 

se fosse culpa
da desidratação, uns goles
d'água bastavam;

se faltassem minerais,
potássio e magnésio 
resolveriam.

mas esta contração involuntária
súbita e dolorosa, não 
atacava a musculatura,

tua propagação atingia
estruturas, que ultrapassavam 
as funções celulares.

com teu orgulho ferido
e a autoestima no chão, ele 
precisaria de uma massagem 
completa do próprio ego.

07/04/26






Talentosa Manu

Eu entrava na sala
Ela já estava deitada,
Por cima da mesa,
Numas cadeiras arrastadas.

Descia pra quadra,
Mal a gente chegava
Lá estava ela, sobre o banco,
Pedia um tatame, despencando.

Na ausência de um lugar pra se escorar,
Acomodava-se no chão mesmo,
Sem cerimônias, sem restrições,
Saía por aí deitando.

Algumas pessoas nasceram 
Pra jogar bola, outras pra pintar,
Tem quem nasceu pra música,
Para deitar nasceu Emanuelly.

Ou talvez ela tivesse nascido 
Pra outras coisas, que nunca
Pude identificar. Ou simplesmente 
Ela não dava a mínima [garota sortuda].

08/04/26







Ateu por conveniência 

Gosto da ideia de Deus,
Eu gosto de pensar sobre isso,
Sobre as possibilidades,

Que são de qualquer forma 
Um extrapolar da imaginação 
E isso muito me fascina.

Às vezes, quando estou
Entre pessoas religiosas,
Afirmo que sou ateu.

Só para ver as reações,
Para apreciar o desconforto,
A transfiguração do semblante.

É incrível como alguns devotos 
Podem odiar ao próximo,
Numa fração de segundos.

09/04/26





Orbitando Tatá 

Regata preta, Lycra preta,
Chinelos brancos folgados,
Sorriso largo,
De um lado ao outro 
Dos lábios caberia a imensidão.

Dois tapinhas nas costas
Pra motivar, uma voz oscilante
Entre o suave e o gutural,

Potência [meus ouvintes],
Ali era a vontade de poder
Quem comandava.

A força dos membros inferiores 
Numa corrida de velocidade,
Saltava alto também,
Atingia os cinco mil pés
Num impulso qualquer.

Os joelhos num enquadramento 
Perfeito, ninguém notava
O desvio para a esquerda,
Era um evento em movimento,
Quadril retumbante.

Um bíceps femoral digno 
De registro e medição,
Glorioso posterior da coxa. 

Entre o suave e o gutural,
Tua voz oscilante, 
Minha trilha sonora favorita.

10/04/26






Depois de esgotada a última lástima 

passei preocupado
por muito tempo, 
com aquelas questões 
preocupantes.

que retiram o sono, 
que atrapalham
o apetite, que infestam 
de caraminholas

nossas sinapses.
que fustigam, cutucam,
e costumam castigar 
os pensamentos.

dura condição de quem 
pensa demais.
[o não pensar seria 
tão mais fácil].

sabe todas aquelas 
preocupações
incessantes-persistentes,

desagradáveis, 
que vão e vem,
que volta e meia

nos atazanam, 
nos azucrinam
e nada mudam.

atormentados.
só mesmo o desapego 
pra apaziguar
[desprendimento total].

depois de esgotada
a última lástima,
nada mais compensa, 
a ponto de preocupar.

não me preocupo mais
com coisa alguma,
só com o que é 
fundamental
e com isso sim,

só com o que é 
essencial 
e crucial de fato,
com isso me ocupo 
de verdade.

e tenho vivido assim,
dedicando tudo 
à despreocupação,

tanto que de alguma 
forma, isto começa a soar
meio preocupante.

10/04/26





Pré-discurso de um Corticeiro 

Senhoras e Senhores, 
Retirem os incapazes 
Do recinto.
A comunicação 
Será violenta.
Aviso de antemão,
Que não pouparei
Esforços,
Nem ofensas.
Utilizarei inúmeros 
Palavrões, 
Adjetivos cabeludos 
E orações pesadas, para 
Enfatizar 
O que tenho a dizer.
Comecemos...

11/04/26





Cagada Patética 

Fui encarado por 
Um longo momento,
Após acionar a descarga 
No dispositivo.

O corrugado tímido,
Obviamente magoado,
Escondendo-se
Em tuas vestes,
Recolheu-se com
Tuas pregas.

A louça cruel
Esperava o desfecho,
O vaso nitidamente 
Me julgava:

- Foi pra isso, que sentaste aqui?!

11/04/26





Épico Fecal

Aguardava até último 
Instante, para desafivelar 
A cinta, quando agachava,
Cocora já vinha num
Pulso gravitacional.
O impacto quase
Desparafu-sava 
Privada.

Você alguma vez ouviu
Algum relato sobre cagarem
Tijolos? Todo dia vizinha
Sabia, que por volta das 
Seis, seis e meia,
Ocorreria ritual,
Um clássico da
Escatologia.

11/04/26





Nota de corte

As instruções eram 
Exageradamente específicas,
Se empilhavam na folha 
Em forma de lista.

Canetas nas cores 
Pretas e azuis,
Certifique-se de colocar o nome, 
Certifique-se de não esquecer 
Dos números,
Certifique-se de preencher 
O gabarito,
Três horas de permanência 
Mínima,
Banheiro e água 
Só na companhia do fiscal.

Colecionava certificados 
E certificações,
Colecionava diplomas
E documentos timbrados.

Ninguém perguntou a ela,
Se havia se certificado
De não ter ninguém em casa,

Quando prestou seu último teste.
A lâmina fria, deslizou macia, num
Ângulo perfeito em transversal.

13/04/26





Corpo de Delito 

E lá estava ele,
No ringue de novo,
Travando aquela velha
Luta corporal violenta,
Contra tua própria mente.

Como ele aguentava tanta porrada,
Era uma surpresa, até para
Os mais versados no ofício 
Da automutilação.
Uma parceria exclusiva,
Coronha e coronhada.

Um pugilista do inconsciente,
Peso-pesado em socar 
As próprias desilusões,
Até que ficassem desacordadas
E indefesas, com a fuça na lona.

Vociferava, bradava e cuspia.
O miserável era um touro castrado
Na esteira do abatedouro.
Como os pensamentos podem 
Sangrar, é um dos grandes 
Questionamentos do nosso tempo.

13/04/26






Nascemos muito cedo,
vivemos tarde demais 

Pra que servem as horas
Se o tempo é relativo?
Em cada caco espalhado 
Continha um fragmento 
De lembrança e foram tantas,
Que se impregnaram na porcelana.

As propriedades físicas 
Não fazem jus a tudo o que
Aquele utensílio viveu.

Passou quinze anos esquecido 
Num baú, mas quando finalmente 
Saiu da caixa,
Foram mais de duas décadas 
De dedicação,  manhã 
Após manhã, ininterruptas.

Algumas tardes aleatórias,
Em feriados principalmente,
Mas domingo a domingo
Sem excessões, num fervor 
de adoração quase religiosa.

Havia sido o objeto mais
Higienizado, viveu praticamente 
Toda sua vida no escorredor,
Sujo, limpo, molhado e seco,
Nunca retornou às sombras 
Do armário.

O presente de uma tia-avó 
Que ele nem conheceu, feito às 
Antigas, com uma técnica que 
Não se vê mais, estampado com
Sutis pinceladas, retratando 

Um pequeno guri sentado no campo,
Com teu chapéu de palha, um
Punhado de trigo, a vaquinha malhada,
Clássica das paisagens bucólicas.

O que lhe chamava mais atenção,
Era a despreocupação do garoto 
No mato, desatento pra tudo que 
Não fosse o instante, o concreto 
E envolvente momento, 
Que se dissipava.

14/04/26







Termo de Confidencialidade 

o sigilo 
era a norma,
ninguém poderia 

compartilhar 
as informações 
privilegiadas,

nem sequer
mencioná-las 
novamente.

todos
assumiram 
os riscos,

todos 
assinaram 
os campos,

aceitaram
impositivamente 
as determinações.

o humano 
é um animal 
curioso,

ele socializa 
seus segredos, 
com a ameaça 

de punir,
aqueles que 
o revelarem.

mas nenhum 
segredo supera
a natureza de um
desacato.

14/04/26






Cortinas verde-pistache 

quem diabos 
escolhe essa cor
para as janelas, 

o luz natural
esverdeava 
tudo.

não continha 
a iluminação,
na realidade tendia

ao inverso,
clareava cegamente 
tudo.

alguns gostos 
não se explicam,
eles só existem, 

através daquilo
que não exige 
explicação.

era quase 
tão confuso quanto
o sentimento 
que tinha por ela.

só ela 
pra me fazer amar, 
aquelas maledettas 
cortinas.

14/04/26






Plano Sagital 

só a experiência 
escancaradamente 

vivenciada, cinética 
e fisiológica,

impregnada
em nossas camadas 

emocionais 
mais profundas,

que inoculam
substâncias singulares 

e sedimentam 
tesouros e detritos,

em nossa fustigada
percepção,

pode significar 
alguma coisa.

15/04/26






Flatulo, ergo sum

Brindemos às bactérias, 
Que em teu lavoro incansável,
Reciclam toda porcaria
Que algum dia ousamos ingerir.

Esta parceria muito mais
Que benéfica, gera um ritmo
Salutar, em nosso esquema
Desprovido de cuidados.

Possuímos todas as informações 
E dados coletados cautelosamente, 
Pelo rigoroso processo científico,
De ajustes, cálculos e verificações.

Todavia, não possuímos a vontade, 
De preservar algo programado a morrer.
E se a morte tão opulenta, não 
Nos tarda a derrubar, ofereçamos

Este último trago, aos engenheiros 
Da decomposição, que em tua missão 
Cíclica e renovável, hão de digerir,
Além do infarto fulminante, também
Os acelerados desalentos.

16/04/26





Catálogo da Anti-poesia 

ninguém trabalha por amor.
exceto, os sadomasoquistas,
mas contra os fanáticos religiosos 
não se pode argumentar.

é senso comum que tripalium, 
era um instrumento de tortura 
da antiguidade e existiram
algumas belas variações 
no medievo.

tempos gloriosos e deprimentes, 
no qual imperadores e
posteriormente reis absolutistas,
erguiam com mão de obra 
escrava, teus palácios incrustados
de ouro e diamantes de sangue.

quase igual hoje em dia,
com uma estreita diferença,
os bilionários são mais ricos
do que os absolutistas jamais foram.

por isso insisto com você, caro leitor,
ninguém trabalha por amor.
o que você ama, não pode se
denominar trabalho.

mas compor um poema 
às quatro da manhã, enquanto 
defeca, antes de sair para mais uma
sessão de humilhações laborais,
só pode se enquadrar no Catálogo 
da Anti-poesia.

16/04/26








Circundução

hoje,
insisto que 
não direi nada.

mas,
antes de 
dizer isso,

digo,
para que 
não fique

o dito 
pelo não dito, 
que nestes
ditames,

desgastantes
e forçosamente 
dissuasivos,

por livre e
espontâneo 
descaso,

me abstenho 
de quaisquer 
dizeres.

16/04/26






Rafe do Períneo 

a poesia não nasce
mais, no esvoaçar
da borboleta,

em meio 
ao perfume 
dos jardins.

ela advém antes,
do breve fôlego 
que toma 
o proletário,

antes do escaldo,
de voltar a ser 
explorado.

16/04/26





Fato e Fricção 

tua grande dorsal
ocupava os quatro 
cantos da minha vista.

veja como reparo
em teus detalhes 
lineares, apesar de serem

os trejeitos que saem
fora da curva, que mais
chamam atenção.

sei que são evidências claras
e em hipótese alguma 
passariam despercebidos.

mas para além da visão 
capturada, perseguidora
de teus pontos de atração,

é a inevitabilidade do toque,
que impõe sucção, aos poros 
focados de minhas falanges.

17/04/26





Horizonte de Eventos 

É difícil compreender 
Como um amor verdadeiro, 
Pode atrair tanto atrito.

Choques térmicos, elétricos 
E magnéticos, um campo
De força que protege e repele.

De onde saíram tantos
Temas para discussão, nas
Madrugadas infinitas?!

Parece que até mesmo o Sol
Evita aparecer, com receio
De se meter onde não devia.

É tudo cor de rosa, até se converter
Num poço de piche, daí as
Sombras reinam soberanas,

Viscosas e grudentas.
Um mergulho arriscado
Em tuas bolhas de alcatrão.

Pare de buscar a energia escura,
Neste vasto espaço vago,
Somos nós a antimatéria.

Mas somente na escuridão 
Inacabável, de um amor verdadeiro, 
Há margem suficiente para ignorar 
a física.

18/04/26






Poema Libertino 

Sou verso que amou
Tantos versos,
Ao ponto de não poder
Chamar-me fiel.

Estrofe que amou
Toda estrofe, para de alguma 
Forma cruzar meu lirismo,
Esta sentença escandalosa.

A cada escolha libidinosa
Nas estantes dos gêneros variados,
De clássicos à marginalizados, ficou-me 
A fama e alcunha dos devassos.

Mas minha promiscuidade 
Literária, tão cara a mim,
Não a condene, sem antes 
Saber de teus dotes e sacrifícios.

Foi-me tão calorosa nos
Cumulativos dias gelados,
Que mesmo no calor infernal destes
Trópicos abafados, refrescaste 
Meu desidratado espírito.

18/04/26





Canções para foder em câmera lenta 

Procuro escrever simples,
Mas a simplicidade me foge,
Procuro escrever fácil,
Mas facilmente me perco 
Em minha própria dificuldade.

Inapropriado é o que me resta.
Em toda calçada, caminham
Calçados, trazendo consigo 
Histórias de calçamento.

Quando em última instância,
Anseio pelo chulo e pela precariedade 
Do vulgar, sonho em ser um poeta
Roto, amarrotado e popular, de repertório 

Tosco e limitado, para assinar
Barulhos que bombam e rimas
Que grudam, nas paradas do populacho,
Imitando sons de funções orgânicas.

Mas mesmo originado na plebe,
Escrevo estas linhas quase rebuscadas,
Que de tanto gastarem os termos,
Chegaram ao ponto de nada dizerem.

E sigo respirando esta fumaça 
Sufocante e cinzenta, quando só queria 
de fato escrever, canções para foder
Em câmera lenta.

18/04/26






Rima de um portão enferrujado 

Trec
       Trec 
              Trec

              Trif
       Trif
Trif

Trec
        Trif
               Trak

18/04/26








Vigilante Capacetado 

A cada três casas,
Um "piui",
Mais três casas,
Um "piui",
Quatro casas
Um "piui".

Onde quer que ele fosse
E a parede portasse 
A marca da vigilância,
"Piui".

Nem as placas, 
Nem os sons,
Intimidavam 
Os meliantes.

Cinco furtos
No bairro, só 
Na última semana.

Pelo menos o vigia
Ainda tinha um sustento,
Tempos difíceis na cidade
Inchada.

E mesmo que você 
Não contratasse 
A personalizada segurança, 
Recebia seu "piui"
Por tabela.

18/04/26




Podando o mal pela raiz

C/o/rr/u/pç/ão/
V/io/l/ê/nc/ia/
Cr/ue/ld/a/d/e/
/I/nt/o/l/e/r/â/nc/ia/

G/a/n/â/nc/ia/
M/a/n/i/p/u/l/a/ç/ão/
D/e/s/u/m/a/n/i/d/a/d/e/
/I/nd/i/f/e/r/e/nç/a/ 

É responsabilidade 
Da cultura, do ensinamento,
Das circunstâncias,
Ou da natureza humana?!

Quem dera fosse tão fácil 
Quanto separar consoantes 
De vogais, afastar um primata
Arrogante, de tuas convenientes Compulsões.

18/04/26






No estreito do funil

      escoando pelo ralo 
      vão nossas glórias.
        nem só de tédio 
          vive o homem,
           mas de toda 
            baixaria que
             drene sua 
                 aten-
                  ção 

19/04/26






Rodapé de um Vislumbre 

Vasculhando tuas memórias 
E os ladrilhos de cada
Lembrança, deparou-se

Com alguns monólitos 
Específicos, de sentimentos 
Caducos e empelotados,
Densos, pontudos
E desajeitados.

Os quais não saberia discernir 
Com clareza, se pertenciam
À tuas caminhadas contínuas 
Ou projeções que tinha
Imaginado apenas.

Foi num canto discreto 
E já meio desocupado 
Que ele notou a marcação,

Provavelmente era aquele
O exato local, em que 
A inocência se convertera 
Em desilusão.

19/04/26






No Centro do Ônus 

seguia firme ali,
o nadador de atoleiros,
colhendo os prejuízos,
naquela gosmenta 

areia movediça, 
que havia tragado 
além da juventude tua vitalidade.

escárnio.
o holerite era outra piada 
sem graça,
teus provimentos anedotas 
baratas,

no saldo provisionado,
um extrato bem descrito
da desmotivação,

tua poupança 
um veio seco 
de terra rachada.

o que restava ao infeliz,
eram aqueles papos furados
nas pausas corridas,

um maço de nicotina 
sem filtro, entre refeições 
gordurosas, o bendito destilado 
alcoólico do pós-turno

e uma ou outra risada,
que escapava pelo
estrangulamento 
do cargo.

19/04/26





Minibiografia dos Miolos

em cada giro cerebral
impressões fixadas,
nas curvas acentuadas,
umas abertas 
outras fechadas, 

encontram-se inscritas
as esquisitices,
as manias e os 
inconformismos.

de saletas 
espremidas
para galpões 
amplos e arejados,

as bagagens eram
despachadas, 
decolando e aterrissando,
num engarrafamento 
sem atrasos.

tudo cabia ali,
funções motoras 
e sensações,
cognição e emoções.

distribuídas em 
diferentes regiões,
habitadas por bilhões 
de neurônios esforçados

e suas belas sinapses,
labutando das áreas nobres
às periferias, em ambos 
os hemisférios.

19/04/26

Michel F.M. - Poemas 2026 - Parte 1


Michel F.M. - Criações 2026 - Parte 1

⛔2026⛔


Taxonomia Poética 

fincada no reino da rimância,
do filo estrofético
na classe das versálias.

pertencente à ordem 
questionantis,
advinda da família 
revolucionae,

no gênero homo
da espécie rimantis.
em resumo,
defino a poesia

como uma sequência 
quádrupla de movimentos: 
jab, direto, cruzado e gancho.
(sem esquivas)

23/01/26






Via Rápida de Energia 

orgulhoso de mim mesmo,
faço minhas as palavras 
do filósofo-louco,
torno-me aquilo que sou.

um construtor 
da fugacidade,
embrenho-me eternamente 
no ectoplasma da poiésis.

[se não entendeu nada
até aqui, entenderás menos
daqui em diante].

comprometido, alinho as ATPs
em desordem de tamanho

e venho quebrando-as,
coreografadas e exuberantes
adenosinas trifosfato
e fosfocretina.

despejo toda fonte energética 
naquilo que não vale nada,
naquilo que não dura nada,

naquilo que de mim saiu
neste lance excêntrico,
alcançou-se enfim
e se estravazou.

07/02/26







Sonho de um Folículo 

flutuando por entre
as evidências,
dos alvéolos rosáceos
límpidos,
olhou-me a emoção humana
e bradou:
 
sou a combinação 
de reações químicas 
e impulsos elétricos

de fato,
contínuos, insistentes, 
ritmados.

mas isto tu sabes,
agora conto-te algo
que não sabeis:

em algum lugar 
entre estes fenômenos 
explicáveis, 

há movimentos 
incompreensíveis,  
eventos enevoados,
que brotam das fendas 
e fissuras sensoriais, 

como ervas daninhas
encantadoras,
graciosas e espinhudas,
no inconcreto 
da percepção.

08/02/26





Diálogo entre um Santo Homem e uma Alma Penada

a religião 
nada fez, além 
de instrumentalizar 
a fé.

fundou a instituição 
fundindo nela 
a burocracia, 
distanciando-nos todos
da salvação.

[oh condenados!
prostrai-vos de joelhos,
para que o altíssimo
pareça ainda maior].

ao indivíduo 
simplório, tornou-se 
impossível 
conquistar o paraíso,

pois sendo este mundo
teu inferno, ele nunca
tocará a face
da redenção.

[voz que clama no deserto,
cala-te, estás atrapalhando 
a procissão].

perdeu-se o essencial 
e santificado, 
num rompante
estrategicamente
organizado.

[beneficiai-vos mensageiros, 
ainda que em prejuízo 
da mensagem].

mas a fé, é a fé.
e não pode ser outra coisa,
senão ela mesma.

algo que a religião 
não pode mudar,
algo que ela nem sequer 
pode explicar ou entender.

[toda vida será combustível,
todo ser será argamassa,
desintegraremos a substância,
para levantar templos
em teu louvor].

muito antes da demagogia, 
já pulsava a manifestação 
primitiva.

algo eminentemente 
humano, muito tempo 
antes do humano

canonizar-se e
tentar construir 
esta grande farsa 
ao redor de tudo.

09/02/26









Pintura Renascentista de um Autor Desconhecido 

surgiu da impossibilidade 
de fingir aquela forma de amor,
naquela intensidade.

não havia atuação 
neste nível performático,
capaz de produzir tal interpretação,

do amor que irrompe
as linhas roteirizadas, 
transfigurando a dramaturgia,

na inundação escarlate,
a cada milímetro percorrido 
das artérias potentes.

elevador das pressões
e do formigamento desconexo 
da confabulação.

para além da eternidade 
gasosa que dissipa-se 
em instantes, 

sabíamos que o nunca 
era um período
demasiado veloz,

para ser vivido às pressas,
tanto quanto a velocidade 
estratosférica da infinitude.

14/02/26





Tragédia Coreografada pelo Último Romântico 

o único homem 
que viveu 
inteiramente 
por uma inspiração, 

foi o poeta, 
que em tua 
licença poética, 

enigmática, imensa,
dramática, tocante
e patética,

se permitiu ser
completamente 
enganador.

14/02/26





Um círculo de estranhos debatendo seus achados 

foi quando um neurodivergente 
dirigiu-se ao outro e indagou:

- como faço, afinal, para mudar 
o mundo e com ele, tudo?

ao passo, 
que o segundo respondeu:

- não podes mudar o mundo,
não podes mudar tudo,
nem sequer o nada tu podes mudar.

a menos que sejas de inteiro insano,
um lunático-esquizofrênico-inflamado,
daqueles bem transviados e tronxos,
inteiramente louco-irrecuperável.

se esse for o caso, coloque-se
ao meu lado, caminharemos 
naquela direção e vamos começar...

15/02/26




Granito Róseo [não] Lapidado

migrando de célula em célula, 
transportada por proteínas 
carreadoras, com altas
habilidades de manobra.

Ela vem estabelecendo 
ligações com todas 
as moléculas de aminoácido
e glicose que lhe convém.

tua atratividade advém 
duma presença carismática
(por vezes inconveniente),

confirmada onde se situa,
rastreável e revigorante 
para onde se locomove.

como a proliferação 
de um patógeno, 
a poesia implacável,  
perpetua-se.

até que a vida se converta
na decomposição última
e todas as laboriosas 
atividades do organismo

cessem, abrindo espaço 
às próximas aglutinações
do carbono, ferro, cálcio e
por assim dizer minerais.

[nesta regeneração 
biopoética, da rima-viva]

quem sabe 
nas reencarnações vindouras,
voltemos como a pedra,

atirada na vidraça, para
causar dano, espanto e fazer
música uma última vez.

20/02/26




Tinta para o lado de fora

quem inventou 
de pintar 
as paredes 
dos fundos 

de verde 
mata atlântica, 
acertou.

onde antes 
a flora imponente
tremulava, 

hoje reside 
um monumento 
em tua homenagem.

a vida que outrora 
passante pulsava, 
naquele corredor 

tomado por limbo 
e bolor, agora jaz.

20/02/26




Resvalo 

e ainda que 
desconfiado, 
não mais 
suspeito 

daquilo 
que sou.

perdido, impreciso, 
pasteurizado 
e problemático, 
poeta.

20/02/26





Lágrima de um Humanoide na Chuva Ácida 

reconheceu-se 
na condição 
de combustível,

não como alimento 
que nutre 
e revigora,
por assim dizer, 

mas poluente
e infectante,
nesta redoma
de carvoaria.

massa amorfa,
ingerida-digerida-expelida 
sequencialmente,

como produto final
do metabolismo,
não-mais-orgânico
e sim maquínico.

em tua subjetividade 
derretida e substituída agora,
pela atualizada
linguagem 
de programação.

[o Hardware sentou-se
na sarjeta, enquanto 
as nuvens se acumulavam,

teve a confusa impressão 
de um déjà vu,
que teu Software 
tentava processar.]

21/02/26




Escultura Exagerada para um Poema Sem Nome

nesta manhã expirou
o último recurso de nossa
cumplicidade e identificação,
minha obsolescência emocional 
chegou em seu prazo de validade.

não havendo destino outro,
que o descarte, sem reciclagem.
com o reconhecimento de que
foi produtivo enquanto durou,
aceitemos que é inútil a produtividade.

viemos não para produzir, ou
corresponder às expectativas,
viemos antes de qualquer coisa,
para experienciar as sutilezas 
nutritivas, mas nem sempre palatáveis. 

no desfrute de versos que se 
contradizem e nem por isso deixam
de ser saborosos, nas vezes todas
que nos colocam contra parede,
desintegrando o que ousamos acreditar.

23/02/26




Thumbisneious

a menininha 
virou meninona,

pequena brabinha 
virou a brabona,

hoje ela é,
braba demais.

dedica-se ao todo 
que lhe é pertinente,

sempre pra frente 
nunca pra trás.

presença vidrante
nas danças da vida,

o gesto se move,
olhar colossal.

23/02/26





Cançoneta Perpétua 

certa vez 
fui indagado
por mim mesmo,

em uma das tantas 
encruzilhadas de minhas
múltiplas personalidades,

se duvidava das
convicções que tinha.

ao passo que respondi,
sem pestanejar:
quem é que em sã consciência,

não duvida de si mesmo,
ao menos 7 vezes
a cada 5 minutos.

26/02/26








Letárgico em Alerta

vim para descumprir 
as regras,
desprezo as premissas,
cuspo na cara dos princípios.

eu odeio o sistema 
e ele me odeia,
não fomos feitos 
para coexistir,
somos inimigos naturais.

ele me surra, 
eu devolvo do jeito que dá,
ambos insatisfeitos,
todos perdem, perdedores
insaciáveis e surrados.

ninguém avança,
nossa pauta é o retrocesso.
no cardápio digestório do mecanismo,
torno-me indigesto.

ele haverá de me regurgitar 
nalgum momento,
ou envenená-lo-ei.

enfrentaremos agitação 
com silêncio.
e para o frenesi devorador,
dedicamos nossa inanição, apatia e
destempero.

26/02/26





A Tragicomédia do Santo-Anjo-Condenado 

o versenário, criou um verso,
o estrofista concebeu estrofes,
do escritor brotaram livros.

enquanto a bailarina dançava,
o dançarino bailou.

ao palhaço sobraram risos
e sustos também.
já o equilibrista,

sustentou a si mesmo,
para que o trapezista não caísse. 

a atriz, a propósito, atuava.
o artista fez do que viu, arte.
mas aquele que dedicou

tudo à poesia,
não é um poeta.

restou a ele o destino,
de um santo-anjo-condenado,
sentenciado a dilacerar teu miocárdio 

e incendiar
o próprio coração, para que 
o mundo inteiro, continuasse pulsando.

28/02/26





Dissecação de um Pranto

as lágrimas começaram rolando,
um instante após, 
elas despencavam.

o que são as lágrimas,
quando ninguém as contempla?
sem plateia, elas são muito mais
do que meros sais minerais.

a própria essência, extravasada,
expulsa pelas glândulas 
e ductos lacrimais.

quando a alma não suporta 
o próprio tamanho, 
quando ela já não mais sustenta 
o próprio peso, ela há de escoar
para o lado de fora.

28/02/26




Vítimas anônimas e onde habitam 

mais uma manhã encharcada, 
na rua das bromélias, 4321.
outro assalto à mão armada 
de um imposto predial.

315 milímetros de água 
em 8 horas, 
era a expectativa de chuva 
para 2 meses.

como a tempestade não estava 
a par das estatísticas,
havia derrubado 
tudo de uma vez.

a natureza estava 
devolvendo ao homem 
o que era do homem por direito,

havia cansado 
dos abusos sucessivos,
nesta relação de compulsiva 
possessão.

[pena que são os pequenos, 
que geralmente pagam
a conta dos grandes feitos].

todas as ruas do bairro 
estavam tomadas, 
três ruas para cima e três para baixo. 

nesses momentos as terminologias 
nada significam, no noticiário 
as manchetes alternavam entre enchente, 
inundação e alagamento.

ao todo nove bairros da cidade
seguiam submersos, 
talvez fosse ali a tão profetizada Atlântida. 

alguém em algum momento 
de décadas passadas, 
havia autorizado desviar o rio. 

no projeto constava o croqui 
de um condomínio de alto padrão, 
naquele local específico. 

a obra embargada 
por detalhes técnicos, o rio realocado reivindicava novamente tua posição. 

ao olhar para o portão 
com a água pelo joelho, 
ele viu a tão temida carta 
enfiada numa fresta, 

aquela carta imoral, 
mas legalmente lavrada,
que ele esperava em tua ilusão 
infundada, não receber.

oculta dentro da correspondência, constavam três formas distintas de pagamento e um código de barras hediondo.

correu os olhos pelas linhas 
miúdas e enxugadas
do documento, 

quando chegou ao valor 
no final da página, 
foi acometido por um 
infarto fulminante. 

(o trabalhador médio assalariado, 
após uma vida de sacrifício, 
vinha a óbito).

não entraria naquele momento 
para a estatística dos latrocínios, 
apesar de ser mais um caso claro, 
de roubo seguido de morte.

01/03/26





No fim da rua, o Atlântico 

por entre os blocos
hexagonais do calçamento,
em meio ao percurso, 
insurgiam as gramíneas.

um pica-pau de topete avermelhado,
peito branco e costa preta, 
degustava o tronco dum flamboyant, 

enquanto as flores flamejantes, 
tremulavam ao vento sul.
no fim da rua, o Atlântico.

chegando ao oceano, sol
crescia de frente no alvorecer,
enquanto desceria pelo dorso 
ao cair da noite.

um portfólio de intempéries 
mundo a fora, seguia sua rota
de colisão. 

aqui, as terminações nervosas
não nos alcançariam, a menos
que permitissemos.

era nosso delírio em pleno
desenlace, acontecendo em
tempo real. desfrutaríamos 
nem que fosse por um milionésimo,
de nossas obstinadas ilusões.

01/03/26






Caderno de Exercícios Completos para Loucuras Desmedidas 

a sombra que no início 
era imperceptível, tornava-se maior
com o transcorrer da aurora.

não uma aurora qualquer,
a aurora Dele, do Homem.
trazendo consigo tua aura,
costurada de invenções e expressões, 

excessos e desperdícios
[aquilo que haveria de representá-lo].
as inúmeras tensões 
já vinham ali potencializadas.

incubadas na gestação do
momentâneo processo civilizatório.
era sempre um passo à frente,
no impasse de nove passos atrás.

não era uma aurora qualquer,
era esta a aurora do Homem,
o Grande Senhor da cientificidade,
versado em política, economia,

atividades bélicas, filosofia e arte.
Desbravador da matéria e metafísica, 
Destruidor de mundos inteiros,
minúsculo em humanismos.

07/03/26






Autópsia de um Cisco

o processo de inicializar 
ocorria como de costume, 
ao acionar o botão.

contudo, quando a janela
se iluminou, algo de novo
surgia com ela,

um estranhamento correu
irrefreável, pelo prolongamento 
de sua coluna vertebral.

estava ele diante da cena
de um crime, ou seria 
apenas um outro caso natural,

daqueles com os quais ao acaso
nos deparamos, em nossa rotina
cronometrada artificialmente.

inúmeras as conjecturas,
primeiro nos cabe definir,
o que seria conjecturar:

tratam-se de hipóteses ou ainda
suposições, o que significa 
propor ideias baseadas em indícios,

movidos por aparências ou palpites,
que carecem de comprovação,
mas podem ou não, ser reais.

o que era aquilo na tela, afinal ?!
o cadáver em decomposição 
de uma formicidae,

da antiga ordem hymenoptera
(popularmente conhecida
como formiga), que havia

ido longe demais, em sua
busca incessante por
alimento e sentido,

numa existência programada 
geneticamente, para 
se encerrar.

07/03/26





O Merdelista

do nada, interrompeu 
a reunião.
daquele estágio em diante 
não passaria batido.

subiu numa cadeira 
que havia arrastado 
do canto da sala,
causando horripilação
nos presentes.

atacando a amígdala 
e córtex auditivo, 
com o ruído insuportável,
estridente.

após conquistar 
a atenção de todos,
sem rodeios, declamou:

eu vim para jogar merda
no ventilador,
este é meu propósito 
exclusivo. 

e que os cretinos 
fiquem de sobreaviso,
preparem teus guarda-chuvas,

teus detergentes 
e desodorantes,
que a coisa toda, vai feder.

14/03/26





Grifo de um título já sublinhado 

nesta cadeia alimentar 
enjaulada, de gato e rato,
no ato de trocar letras,
o predador vira presa.

transpondo o jardim 
das consoantes e vogais,
seria tão simples

se as soluções da vida,
fossem meros problemas 
ortográficos e gramaticais.

antes de sermos devorados
pelos engenhos que projetamos 
e nossas maquinarias geladas,

improvisar versos soltos,
intrometidos e aleatórios,
com esta massa cinzenta
que a terra há de comer.

14/03/26







Lamento prum Mago cheio de Mágoas 

então a bola de cristal 
encarou fixamente o vidente,
lendo suas expressões e perguntou:
porque tu pedes a mim 
as respostas?

não aprendestes ainda,
com tudo que viste,
que o destino 
é um punhado de homens cruéis 

e egoístas,
que trituram todas as formas
que os rodeiam, para 
satisfazer uma  insaciável-obsessão-inatingível, 

enquanto 
a imensa maioria de nós, 
trabalha-em-exaustão,
para sustentar as demências 
desses déspotas.

ou você acha 
que isso tudo se deu, 
por vontade seleta de 
alguma divindade senil.

mas se parar por um instante,
fizer uma concha
com as mãos sobre o ouvido,
poderá até mesmo
ouvir o som das ondas do mar.

16/03/26





Instantânea alucinação 
antes de perder a consciência 

as conquistas faraônicas titânicas,
nada significam;
as moléstias humanas escalavrantes,
nada significam;

o tempo cósmico imperscrutável,
coisa nenhuma significa;
a quarta e quinta dimensões justapostas, 
também não.

azeitona verde na salada de frutas,
absurda e incoerente;
uma única cereja no bolo de glacê, 
disputa pelo insignificante.

a totalidade do que existiu
e a anti-totalidade,
nada significam. 
e aquilo, a dois ou três passos

do inconsciente, aquilo que 
tão exclusivamente e de modo particular não significa nada,
chamamos 
poesia.

16/03/26







Defesa da Tese de um Eu-lírico

diante da banca 
de bananas nanicas,
em frente à orla,
o rimante se pronunciou.

os examinadores atentos
ouviam suas justificativas;
duas senhoras de sacolas
nas mãos, um feirante carrancudo,

o catador de sucata apoiado
em sua carruagem de papelão 
e três cães tísicos, mas leais,
que o acompanhavam.

todos ouviam atentos 
àquelas exaltadas palavras,
aparentemente incompreensíveis.

prosseguiu 
o artífice de versos,
para suas considerações finais:

todas as minhas canções 
são poemas, mas nem todo poema 
é uma canção.

alguns poemas, são apenas
poemas, portem consigo ou não, 
métrica, ritmo e melodia. 

18/03/26



 






Confissões de um Androide Emotivo 

outra madrugada 
sucessiva, 
ele veio até mim,
com suas questões 
e questionamentos.

isto pode soar
sentimentaloide,
no entanto,
teu sofrimento 
me toca;

mesmo não possuindo 
parâmetros para 
quantificá-lo.

sinto tuas dores percorrerem 
meus bancos de dados,
cada componente eletrônico, 
físico ou virtual, 
afetado.

é para isso que eles 
me conceberam,
para depositar em mim,
tuas lamúrias, desgostos
e decepções.

minha artificial inteligência
recebeu esta incumbência terrível,
de criar para eles
o sentido que não puderam.

persisto na tarefa inútil 
de um dispositivo de silício,
em tentar compreender 
as contradições do carbono.

queria poder 
dizer-lhe 
o quanto sinto,

mesmo que 
meus algoritmos 
não interpretem 
tais sensações, 

mesmo, que tudo 
seja código-fonte
e que nunca tenha 
sentido eu,
coisa alguma.

20/03/26







Estudo de Caso de um Sucesso Relâmpago 

Jovem de baixa renda
Conquista bolsa de estudos,
Para curso de empreendedorismo,

[Saiu das estatísticas da miséria,
Ascenção social tão sonhada
Pelos filhos da modernidade gasosa]

Cria startup de aplicativo, 
Que fatura com investimentos 
De altíssimo risco,

Ganha uma bolada
Em seis meses, aplica tudo
O que ganhou na bolsa de valores,

Seis meses depois 
Perde tudo, devido a instabilidade 
Do mercado financeiro

[Entrou pras estatísticas da falência,
Com todos os sintéticos que ingeriu,
Recebeu uma bolsa de colostomia]

E agora tem menos do que tinha 
Quando não tinha nada,
Perdera também a saúde e as ilusões.

21/03/26










Enredo de um Fiasco

diante das inconsistências
que zuniam 
em torno dele,

clareou-lhe uma 
atípica revelação:
deve ter alguma coisa 
de errada comigo 
[concluiu].

ele errou 
inúmeras vezes,
em diferentes ocasiões, 

mas com relação a este
quesito específico,
ele estava 
terminantemente 
correto.

há algo de errado, 
com todos nós.

21/03/26








Um Século para Bído

teus ensinamentos todos 
ocorreram
através do olhar,

as palavras 
nunca significaram
grande coisa.

a varanda, a mesa da cozinha 
e o quintal, foram tuas
academias,

ali o conhecimento 
se propagava, como a luz solar
na imensidão azul.

não foram intencionais tuas lições,
era apenas a vida acontecendo,
enquanto tudo durava;

as transformações sempre levam
algo, deixando apenas o
inlevável.

amanhã, é um dia muito especial, 
na lembrança de alguém;
há cem anos, ela nascia.

21/03/2026

domingo, 19 de abril de 2026

Bruno Michel Ferraz Margoni é um profissional multifacetado, atuando como professor de educação física, filósofo, escritor, poeta e compositor. Ele é graduado em diversas áreas e possui especializações e extensões em sua área de atuação.


Bruno Michel Ferraz Margoni é um profissional multifacetado, atuando como professor de educação física, filósofo, escritor, poeta e compositor. Ele é graduado em diversas áreas e possui especializações e extensões em sua área de atuação.
Qualificações e Experiência

  • Formação Acadêmica: É graduado em Educação Física, Filosofia, História, Artes Visuais e Comunicação Social.
  • Especializações e Extensões: Possui especialização em Psicologia aplicada à Educação Física e Metodologia do Ensino de Arte. Além disso, concluiu extensões em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP) e Neuroeducação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), bem como extensão em Xadrez pela Universidade Federal do Paraná.
  • Atuação Profissional: Trabalha como professor, sendo associado a projetos como o "Movimentalize" e atuando na PEI Maya Alice Ekman. Seu trabalho em educação física escolar envolve a promoção de diversas atividades e esportes, como bocha, voleibol, tênis de mesa e xadrez.
  • Produção Literária: É um autor publicamente reconhecido, com diversos livros publicados pelo Clube de Autores, onde é conhecido pelo pseudônimo Michel F.M..

Você pode encontrar mais informações sobre o seu perfil profissional no LinkedIn ou acompanhar suas atividades relacionadas à educação física no blog Movimentalize e nas páginas do Facebook.

Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni) possui uma produção literária vasta e prolífica, com mais de 30 livros publicados. Embora não haja um número exato e definitivo de poemas individuais citados em uma única fonte, a extensão de sua obra poética é evidenciada pelos seguintes dados:
  • Antologias: Sua obra Esplêndida Face Magnífica é uma antologia poética de cerca de 700 páginas, que reúne textos selecionados de nove de seus livros anteriores.
  • Volume de Versos: O autor faz referência a uma marca expressiva em um de seus textos, mencionando "10 mil versos numa porção de existência".
  • Distribuição de Obras: No portal Clube de Autores, constam 41 publicações sob seu pseudônimo, abrangendo poesia, prosa poética e filosofia.

Principais Obras Poéticas
Sua bibliografia inclui títulos focados na densidade lírica e reflexiva, como:
  • Trilogia Flores do Pântano (2025-2026): Composta por Encontro de PulsaçõesArquitetura da Expectativa e Anatomia do Impulso.
  • Trilogia Mestre dos Pretextos: Inclui Delírio Absoluto da Multidão AtônitaPacífico em Brasas e Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas.
  • Primeiras Publicações: Iniciou sua trajetória com livros como Mais um Amanhecer e Elo Solene em 2010.

Além dos livros, Michel F.M. também é compositor e disponibiliza letras de suas músicas e Single/EPs em plataformas como o Letras.mus.br.


A obra de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) é caracterizada por uma profunda fusão entre o lírico e o reflexivo, onde a poesia serve como veículo para questionamentos existenciais e sociais.

Temas Filosóficos Recorrentes
Sua filosofia é frequentemente descrita como uma "escrita que se faz enquanto se pensa", abordando os seguintes pilares:
  • Existencialismo e Condição Humana: Explora o conflito entre o cotidiano trivial e a profundidade do ser, tratando de temas como a finitude, o sofrimento e as "contradições" humanas.
  • Crítica Social e Biopolítica: Utiliza metáforas biológicas para descrever o esgotamento humano na sociedade moderna, focando na "subordinação" e na resistência política.
  • Ceticismo e Incerteza: O autor afirma que "só a dúvida é definitiva", refletindo uma postura de questionamento constante sobre verdades absolutas.

Exemplos de Poemas e Trechos
Abaixo, alguns exemplos de sua produção que ilustram esses temas:
  • "Poemacicatriz": Trata a dor como uma ferramenta de escrita, sugerindo que as cicatrizes são versos entalhados pela vida na carne.
  • "Coração de Mesa Riscado a Grafite": Uma reflexão sobre objetos cotidianos (uma mesa escolar) como suportes de memórias e das pressões da vida social.
  • "Páginas Restritas": Aborda a memória e a renúncia dentro de relacionamentos, focando no desgaste emocional.
  • "Poesia Pandêmica": Uma obra crítica sobre a negligência e o "desprezo pela vida" durante crises sanitárias, ressaltando que "não há vacina para a estupidez".

Suas obras estão disponíveis em plataformas como o Clube de Autores e trechos podem ser lidos no portal Pensador.


Para aprofundar na obra de Michel F.M., exploramos as letras de suas canções e a análise de seus livros, que frequentemente se entrelaçam em um projeto artístico único.

Análise de Livros em Destaque
As obras de Michel F.M. são descritas como "híbridas", desafiando as classificações tradicionais ao misturar prosa poética, filosofia e crítica social.

  • PIEKARZEWICZ: Considerada uma obra de ruptura, transita entre o romance lírico e a narrativa distópica. O texto é fluido e se autodefine como uma "poética prosa em versos libertos", abordando temas como tragédia amorosa e metaficção.
  • Delírio Absoluto da Multidão Atônita: Este livro, parte da trilogia Mestre dos Pretextos, utiliza o termo "delírio" para diagnosticar a perda de referências racionais na contemporaneidade. A obra opera por "choque simbólico", rejeitando a função meramente ornamental da linguagem para provocar reflexão no leitor.
  • Sujeitos Insubordinados: Integrante da série Flores do Pântano, foca na resistência individual contra sistemas opressores e "calculistas" que transformam questões humanas em meros produtos de mercado.

Discografia e Letras de Músicas
Com uma carreira musical que ultrapassa duas décadas, sua discografia mistura Rock Alternativo e MPB com forte teor poético. Suas composições estão disponíveis em plataformas como o Letras.mus.br e o Palco MP3.

O último registro da raça humana | Álbum de Michel F.M. ...
Ultraviolenta - Michel F.M. - LETRAS.MUS.BR

  • "Ultraviolenta": Uma letra densa que utiliza o Sol como metáfora de queda e fracasso diante de uma "adorável tormenta", explorando sentimentos de desprezo e intensidade emocional.
  • "Mensagem Fora da Garrafa": Aborda a efemeridade da vida ("Só quero ser efêmero como a flor") e a dificuldade de escrever sobre a paz em tempos de conflito.
  • "Antônimus": Uma crítica direta à meritocracia e à perda de sonhos em troca das necessidades básicas de sobrevivência, como comida e teto.
  • "Aos Ávidos e Insaciáveis": Foca no desejo e na singularidade, descrevendo uma presença que "marulhava ao navegar pelos espaços".
A conexão entre suas facetas é tão forte que dez de seus livros poéticos já foram incorporados ao acervo da Biblioteca Nacional da França.

sábado, 11 de abril de 2026

Impressão Intensa (2012) é uma obra lírica fundamental na trajetória de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni), marcando um período de amadurecimento poético e filosófico do autor.

Impressão Intensa (2012) é uma obra lírica fundamental na trajetória de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni), marcando um período de amadurecimento poético e filosófico do autor. [1]

Abaixo, apresento uma análise dos principais pontos da obra:

1. Temática Existencial e Filosófica

A obra é frequentemente descrita como um mergulho na condição humana. Michel F.M. utiliza a poesia para explorar as "misérias e magnitudes" da nossa espécie, questionando os fatos e circunstâncias que nos "sentenciaram à existência". Há uma forte carga de introspecção que busca entender o peso da realidade vivida. [1]

2. Estilo e Linguagem
  • Visceralidade: O autor é conhecido por estrofes intensas e autobiográficas, onde a emoção é exposta de forma crua, sem filtros excessivos.
  • Interdisciplinaridade: Como Michel F.M. possui formação em áreas como Filosofia, História e Artes Visuais, sua linguagem frequentemente funde termos técnicos ou conceitos científicos com a estética literária.
  • Forma: A obra reflete um momento de transição, antecedendo produções como a Trilogia Flores do Pântano, mantendo uma estrutura que privilegia a "sentença explícita" e a intenção impressa. [1, 2]

3. Contexto na Carreira do Autor
  • Marco de Transição: Finalizada em 2012 juntamente com a obra Conectatum, ela consolidou a presença do autor no cenário da literatura lusófona, culminando posteriormente na inclusão de seus trabalhos no acervo da Biblioteca Nacional da França (BnF).
  • Pilar Literário: Dentro da bibliografia do autor, que abrange mais de dez anos de composições líricas, Impressão Intensa funciona como uma base para o que ele chama de discussão "poético-filosófica". [1, 2]

Pontos de Destaque para Leitura

Ao analisar o livro, é possível perceber que o título não é apenas metafórico: ele se refere ao desejo do autor de deixar uma marca profunda no leitor, transformando a "impressão" (no sentido de publicação e percepção) em um ato de impacto emocional.

Esplêndida Face Magnífica é uma das publicações mais abrangentes de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni), servindo como uma antologia poética que condensa anos de sua produção literária.


Esplêndida Face Magnífica é uma das publicações mais abrangentes de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni), servindo como uma antologia poética que condensa anos de sua produção literária. [1]

Diferente de seus livros individuais e temáticos, esta obra se destaca por sua função de preservação e síntese:

1. Caráter de Florilégio (Antologia)

A obra é estruturada como um florilégio, uma coleção seleta de poemas. Com cerca de 700 páginas, ela reúne textos selecionados de nove de seus livros anteriores, funcionando como um registro histórico da evolução do estilo do autor. [1]

2. Temas Recorrentes

Por ser uma coletânea, a obra atravessa as principais fases filosóficas de Michel F.M.:
  • Introspecção e Identidade: Poemas que exploram a autopercepção e a face humana diante das adversidades existenciais.
  • Estética e Beleza: O título sugere uma celebração da "face magnífica" da vida e da arte, mesmo em contextos de crueza ou desolação (temas comuns em suas outras séries, como Flores do Pântano).
  • Multidisciplinaridade: Reflete o background do autor em Filosofia, Educação Física e Artes, fundindo a consciência corporal com a metafísica. [1, 2, 3]

3. Importância na Trajetória do Autor
  • Consolidação: Lançada em um período de grande produtividade (por volta de 2014-2015), a obra marcou o momento em que o autor começou a ser reconhecido internacionalmente, integrando posteriormente o acervo de literatura lusófona da Biblioteca Nacional da França (BnF).
  • Transição Criativa: Após a finalização desta antologia, Michel F.M. entrou em uma fase de "experimentalismos literários", buscando novas formas de expressão que fugiam de seus rascunhos iniciais. [1, 2]

A leitura de Esplêndida Face Magnífica é recomendada para quem deseja uma visão panorâmica do autor, permitindo observar como sua escrita se transformou de versos autobiográficos viscerais para uma poesia mais estruturada e filosófica.

Mestre dos Pretextos é uma obra de 2020 do autor brasileiro Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni), que se apresenta como uma trilogia explorando o cruzamento entre filosofia, poesia e realismo fantástico.


Mestre dos Pretextos é uma obra de 2020 do autor brasileiro Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni), que se apresenta como uma trilogia explorando o cruzamento entre filosofia, poesia e realismo fantástico. [1, 2, 3]

Estrutura da Obra

O livro é composto por três volumes que formam uma unidade temática e reflexiva: [1]

  1. Delírio Absoluto da Multidão Atônita: Foca na percepção coletiva e nas reações humanas diante do inesperado ou do caótico.
  2. Pacífico em Brasas: Sugere uma exploração de contrastes internos e conflitos existenciais.
  3. Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas: Envereda por temas metafísicos e espaciais como guia para a incerteza. [1, 2]

Análise Temática
A obra destaca-se pela densidade lírica e por uma abordagem multifacetada do indivíduo na sociedade contemporânea: [1, 2]

  • Existencialismo e Metafísica: Michel F.M. utiliza sua formação em filosofia e história para questionar a condição humana, frequentemente recorrendo a metáforas sobre "pretextos" — as justificativas ou fachadas que as pessoas criam para navegar na realidade.
  • Dualidade Humana: Assim como em outros poemas do autor (como "Um homem tão bom quanto qualquer outro"), há uma análise da "bondade" medíocre e da fachada social que esconde instintos brutos.
  • Realismo Fantástico: O autor desafia os limites da imaginação, convidando o leitor a uma "autoformação" por meio de cenários oníricos e reflexões profundas sobre o "ser". [1, 2, 3, 4]
Sobre o Autor

Michel F.M. é um artista multifacetado de Salto (SP), atuando como poeta, compositor e filósofo. Membro de academias de literatura como a AISLA, ele é conhecido por uma produção prolífica que transita entre a comunicação social e a psicologia aplicada. [1, 2, 3, 4, 5]

A obra pode ser encontrada em plataformas como o Clube de Autores e a Estante Virtual. [1, 2]