Michel F.M. - Criações 2026 - Parte 5
🪐2026🪐
Mansidão de um Poema Vivido
Aquele leitor obcecado
Pelas inúmeras leituras,
Às quais havia se submetido,
Completamente perdido,
Com as excessivas
Interpretações,
Aproximou-se sorrateiramente
Do poema, colocou-o
Contra parede e interrogou:
Qual o teu sentido?!
A tua existência serve
A qual propósito?!
Responda agora,
Qual teu significado?!
O poema experiente,
Munido de todo seu
Autocontrole, encarou o leitor.
Após um silêncio
Brevemente constrangedor,
Declamou: - Se busca respostas,
Não procure pela
Filosofia, ela só te dará
Perguntas.
Quanto a mim, sou
Poema e como tal,
Não carrego sentido
Ou significado embutido, a não ser
Aqueles que você traz
Consigo.
À parte disso,
Em toda extensão do meu ser,
Tenho levado apenas poesia.
17/05/26
Definitivos, decisivos e incontornáveis
Nós iremos até o fim.
Enfrentaremos
Tudo o que há para ser
Enfrentado,
Viveremos tudo,
O que existe para ser
Vivido.
Nós iremos até o fim.
Nenhuma força
Sobre a face da Terra,
Irá nos deter.
Nenhum mecanismo
De controle, irá nos
Controlar,
Não seremos
Contidos, ninguém irá
Nos conter.
Nós iremos,
Meus caros,
Até o fim.
Mas não hoje.
Hoje, apenas termine
Esta leitura breve
E a interprete,
Da maneira que lhe convier.
21/05/26
Gigantografia
a infinitude não se mede
com uma trena.
uma de nove letras,
a outra de apenas seis.
porque a palavra "minúscula"
tem mais conteúdo,
que a palavra "imensa"?!
a beleza real da vida,
está nos detalhes
microscópicos que passam
por nós,
enquanto
nos distraímos,
com os
LETREIROS
LUMINOSOS E
OUTDOORS.
24/05/26
O UNIVERSO cabe
num micropoema?
- Ele já coube.
24/05/26
Com quantas palavras
se faz um poeta?
Meu menor poema,
Ainda é "O Maior Poema do Mundo".
Pois: O Maior Poema do Mundo,
É um blefe
24/05/26
As Questionadoras Aventuras do Homem-Solução
Despertei neste dia
Com todas as resoluções,
Quando na verdade
Não queria mais saber
Das respostas ou perguntas.
O que eu realmente
Queria, era desaprender
Tudo o que aprendi até aqui.
Desprender-me de todo
Conhecimento, desapegar-me
Dos aprendizados que
Armazenei, neste compartimento
Sobrecarregado de ditames
E dizeres, que não me dizem
Respeito, que não me dizem mais nada.
24/05/26
Bunker Premium
Com a trilha sonora
De gritos desesperados,
O pânico é um
Poderoso recurso técnico.
Mas no final,
É o silêncio
Que mais nos assombra.
Todas as latas
Empilhadas com zelo,
Impregnadas de ferrugem,
Mas sem prazo de validade.
O ilimitado acesso
A desinformação,
Hipertrofiou nosso pavor.
Os fundos de investimento
Valeram a pena,
Compramos os ingressos
Mais caros,
[Brindes inclusos]
Para assistir ao Armageddon
De camarote.
E que bela desolação,
O fim de tudo
Nos proporciona.
31/05/26
Não moveremos uma maldita palha
Sei que ela não tem
A ver com isso,
E sabendo que a revolta
Pela revolta e a rebeldia
Sem causa, promovem mais danos
Que benfeitorias,
Apenas assumo a posição
De interventor da nulidade,
Prometendo à todos que se
Dispõem em perder seu
Próprio tempo, para ouvir
O sermão infértil das ladainhas,
Divorciadas de qualquer ação.
As justificativas vazias
São mais fortes do que
Nossa vontade de se controlar.
Está aí a magnânima missão sacerdotal,
Dispararmos promessas
Ao vento, que jamais poderemos
Cumprir.
25/06/26
As Contraditórias Aventuras do Homem-Paradoxo
Lá vinha ele
Pisando em falso,
Novamente.
Eram mais do que reais
Os teus tropeços.
Alguns chamariam
De hiperrealismo,
O que se passava com ele,
Outros ainda
De um realismo fantástico.
Eram escorregadas doloridas,
Decididas, dignas
De registro e pena.
Mas o lamento
Usado sem moderação,
Não acelera de fato,
A cicatrização
Dos hematomas.
Dúbio e duvidoso,
Ele não sabia explicar
A si mesmo,
Porque não amava
Em mútua intensidade,
Quem com tanto
Zelo e préstimo,
O havia amado
Profundamente.
O homem que se contrapunha
Às tuas próprias razões,
Só podia em tua
Limitada capacidade
De compreender-se,
Amar àqueles que
Nenhum afeto lhe puderam
Conceder.
08/07/26
Estrofe de um Fóton
Quem tem que se preocupar
Com as coisas,
É quem tem um monte
De coisas para se preocupar.
15/07/26
Personificação Adorável de um Pensamento Aterrorizante
Ao menos isso
posso te prometer,
Não escreverei nada daquilo
Que você quer ler.
Estamos todos mortos
Por dentro,
Apesar de cantarolarmos
Alegremente.
Permanecemos mortos
Por dentro,
Sapiens incipientes...
Todo o brilho das telas
Velozes, interações programadas
Em relações dissolventes.
Ambientes controlados
E um ar poluente,
Competências sócio-emocionais
Arremessadas a esmo,
Nada foi suficiente.
Numa escala de zero à dez
Algum número negativo,
Em descarga crescente.
Outra geração posterior
Aos nascidos póstumos,
Caminhantes vacilando,
Como embriões caducos
E velhos principiantes,
Na espetacular iminência
Do pós-fim.
Permaneceremos mortos
Por dentro,
Ainda que nadando
Contra a corrente ?!
Enquanto não diluímos
Nenhuma questão permanente,
Seguimos cantarolando,
[Arrogantes-atordoados]
Defumados e enfeitados
Nesta formosa farsa contente.
25/07/26
Ducha gelada na madrugada infernal
Para minha tragédia pessoal,
Fui consagrado
Com a mais audaciosa
E marginalizada,
Vertente
Da
Literatura.
O mais estimável e desprezível
Segmento, sobre o qual
Se pode expressar.
Outrora, monumental
Apoteose dos adoradores
E adorados,
Tratada com descaso
E desdém, nos tempos
De agora.
A
Poesia.
Em tua sacralidade,
Um ramo absolutamente
Profano, subversivo e transgressor
Do espírito humano.
29/07/26
Está Lido
A poesia é isso. A capacidade
Incomensurável de dizer [escandalosamente] tudo,
Sobre qualquer coisa.
Ou ainda, dizer qualquer coisa
[mesmo que discreta]
Sobre tudo.
05/08/26
Poesia de Combate
Dispositivo pontiagudo
Capaz de armazenar tinta
De cores ecléticas.
Ao poeta combativo
Serve à dois propósitos
Bem definidos,
Registrar poemas marginais,
Em tom de manifesto,
Para guerrilha urbana.
Ou ainda, realizar uma ação
Em dois movimentos específicos
[Diante de uma necessidade
Explícita], atravessando o globo
Ocular de um fascista, seguindo
Para perfuração da jugular.
08/08/26
Neurodivergindo
Foi no exato momento,
Em que um hiperativo
Dirigiu-se ao outro,
Antes que o déficit
O alcançasse,
Num milissegundo
De hiperfoco, bradou:
Ouça-me com atenção!!
E se eu te dissesse,
Que não faço a menor ideia
Do que você tá falando, porra.
Você acreditaria em mim ?!
Instantaneamente aquele
À quem foram dirigidas
Tais rudezas, replicou:
Tá falando comigo?!
09/08/26
Trajetória de um Espirro
Atchim (Saúde!) Amém.
Com ou sem secreção,
Sempre uma boa forma
De interação social.
09/08/26
Goteira
Escoavam velozes
No início,
Insistentes
Escorriam,
Assoalho
Encharcado,
O ralo paciencioso,
Teu destino.
Tal era o relapso, que
As próprias gotas
Contraquicavam.
E continuariam a cair,
Enquanto a nuvem
Não encontrasse
Fadiga.
Cada gota no seu tempo,
Algumas
Mais lentas,
Tão lentas,
Que o eco da tua solidão
Chegava antes delas.
10/08/26
Final Preguiçoso de um Poema Clichê
Originada dos devaneios,
Que nem sequer os próprios anjos
Ousaram imaginar.
Vindo à tona nos poemas
Absurdos, rascunhados em meio
Às madrugadas despertas.
Ela, se fez presente
Em todos os pensamentos
Perdidos,
Que nalgum momento,
Me atrevi a pensar.
10/08/26
Pequeno Estrondo num Feixe de Estragos
Quando um espírito atormentado,
Se encontra longe
Da linha de frente,
Só lhe restam duas alternativas,
Declarar guerra
À tudo que cruza seu caminho,
Ou travar as batalhas,
Por mais sanguinolentas que sejam,
Contra si mesmo.
11/08/26
Gonnifers
Criações
Poéticas soltas,
Cada qual com teu singular
Ainda
Que a diversidade
Surja (in)escapável dos plurais
Regra
Não há nenhuma,
Pode ter rima ou não pode
Pode
Ter métrica ou
Nada a medir senão a doçura
Pode conter
Amargura, mas
Na crítica e contestação se realiza
Apesar
De ter sido escrita
Em tercetos, qualquer forma
pode
tomar.
12/08/26
Que o último babaca apague a luz
Em Eras passadas
Travaram-se disputas ferozes,
Nos campos devastados
Da moralidade.
[Obtuso
É outra palavra
Para palerma]
Muitos princípios foram
Defendidos à luz do dia,
Enquanto eram esmigalhados
Nas sombras.
Um ciclo vicioso e ininterrupto,
Se arrastando no decorrer
Dos milênios, que nos anestesiaram
Nas águas agitadas da caudalosa
Hipocrisia.
[Mentecapto
É outra palavra
Para imbecil]
- Todavia, evoluímos.
Como toda criatura viva, que está
Condenada a ver transformada
Tua própria condição.
Hoje, não vejo nenhum problema
Em ser completamente
Consumido, pelos meus
Mais patéticos desejos
E obsessões.
13/08/26
Dispositivo de Dissuasão
Os parasitas não possuem
A capacidade para
Exercer poesia
E identificando seu potencial
Ilimitado, se dedicam
A persegui-la
E censurá-la.
Uma arma de destruição
Em massa das ideias
Nefastas,
Calibrada para abater
Toda ordem de misérias,
Num único disparo.
A poesia é o poderoso
Instrumento de confronto,
Uma tecnologia
De libertação
A serviço dos escorraçados,
Explorados e oprimidos.
13/08/26
Ace
Caminhou até mim,
A portadora da frustração,
Um homúnculo vil pisando firme.
É óbvio, que eu gostaria
De perder mais uma hora da minha
Vida preciosa, realizando
Outra tarefa inútil.
Revisá-lo-ia, aquele documento
Desnecessário, sem serventia,
Que ninguém em sã consciência
Leria, ou sequer iria conferir.
Saí da sala, capturado por um
Ruído longínquo, que flutuava
Pelos corredores.
Era o som da humanidade acontecendo,
Sendo e existindo da maneira
Mais humana que poderia, em qualquer
Período ser e existir.
Entrei no meio do jogo, a quadra fervia
A uns trezentos graus celsius
E o próximo saque, era meu (...)
14/08/26
Outra incursão à Terra-do-Foda-se
A arte
Não serve
Para nada.
Este é justamente
Seu propósito
Sagrado.
Fazer frente
Ao utilitarismo
E substituí-lo
Por algo muito mais
Elementar,
Que antecede
As ferramentas,
Anterior às próprias
Necessidades,
Sem uma definição
Apropriada
E que não pode
Ser nomeado.
A poesia
É uma feitura
Destituída
De qualquer utilidade,
Sem a qual
Jamais, em nenhuma
Circunstância, pude viver.
15/08/26
De volta ao fundo do poço dos desejos
Experiências tão extraordinárias,
Que se perdem tão facilmente
Em meio às rotinas saturadas.
Conviver lado a lado,
Com as criaturas mais repulsivas
Que a literatura fantástica
Jamais concebeu,
Não nos faz menos
Monstruosos.
Ainda que tenhamos
A oportunidade de sermos
Vilões dignos dos quadrinhos,
Nunca nos enquadramos
Com folga e naturalidade,
Em moldes pré-concebidos
De asneiras.
Somos bons mesmo
Em criar nossas próprias
Atmosferas sufocantes,
Terraformando realidades
Horrorosas, enquanto
Improvisamos roteiros
Vulgares, com falas carregadas
De termos autodepreciativos.
O que seria do karma,
Se eu recusasse
Pela septuagésima sétima vez
Meu destino.
15/08/26
Codinome: Michel F.M.
(ou os diferentes rótulos
de um âmago indefinível)
apanhador de versos
no mangue das rimas,
inventeiro vertiginoso
de lugarejos acantonados.
contorcionista entediado,
um trapezista hilário,
teu tristonho palhaço.
sujeito insubordinado,
perito em contradições,
o próprio pacífico em brasas,
mestre dos pretextos.
acumulador de feitos invisíveis,
guardião das flores do pântano,
arquiteto da expectativa.
o colecionador de vácuos,
contestador por formação,
comunicador por opção
e rimante por acidente.
15/08/26
Café com Kafka sem adoçante
nós existimos
em tempos distintos,
vivemos em séculos
diferentes,
mas paira aquela sensação,
como se nos tivéssemos
conhecido intimamente,
como se fôssemos
confidentes.
num certo ponto, Kafka disse,
que há muita esperança
no mundo, só não para nós.
mas ainda
que os dias pesem
mil toneladas
e no cair
da noite, pareçam
desesperançosos,
de um vigor despedaçado,
parece que tenho o costume
irritante, de esperar por algo,
toda manhã,
como a boneca
de Kafka,
que viajou o mundo,
só para confortar uma lágrima.
viajamos buscando por algo,
que ousamos denominar
esperança
e esperamos que a busca
nos baste, no alcance de
todo amanhã.
16/08/26
Manguito Rotador
Aquele ombro zuado,
Fodido e cansado,
Carregou tanto peso,
Suportou tamanha
Sobrecarga de angústias,
Que nenhum exercício
Resistido foi suficiente
Para impedir a lesão,
No levantamento
Das frustrações.
Para o rompimento
Total da alma, não existe
Reabilitação.
16/08/26
Desabafo de um Protetor Auricular
Na profusão de perguntas
Destituídas de resposta,
Mesmo com grande esforço,
Ele nunca compreendeu,
Porque algumas pessoas
Odeiam tanto o silêncio.
Para alguns indivíduos,
A vida só se estabelece
Através do ruído contínuo.
No excesso de estímulos
Sonoros e visuais,
Asfixiando toda clareza.
Na violência de um ambiente
Sobrecarregado, retirando
De nós a possibilidade,
De estabelecermos uma relação
De mínima afinidade, com nossos
Próprios pensamentos.
16/08/26
Fracasso de um Limerique
Estruturado em uma quintilha,
Cada qual um espaço na pilha,
Ele não pôde prever
E nem pararia pra ler,
Aquele ousado quinto verso sem rimar.
17/08/26
Emudescência: Capítulo 2
sou um grande entusiasta
do silêncio,
admiro profundamente
pessoas que tendo
a oportunidade para
falar merda,
silenciam.
18/08/26
Astrolábio
apesar de nosso vasto repertório,
ser composto por sugestões
das mais adversas procedências,
numa passageira certeza,
podemos despretensiosamente
nos ancorar.
não somos sugestionáveis,
jamais nos deixamos levar.
assumimos o timão desde
o princípio e para a alvorada
navegaremos, até que a aurora
se torne crepúsculo.
19/08/26
Do que se trata?!
Imagine um orador
Que não discurse,
Ou um poema que não fale
De amor,
Nem de esperança ou desilusão.
Imagine a poesia
Servindo pra alguma coisa,
Só pra variar.
Um trabalhador braçal
Que se recuse a trabalhar,
Ou um burguês safado que ganhe
Seu sustento com o suor
Da própria face [talvez este verso
Tenha ido longe demais].
O cheiro que rescendia do ralo
Retirava a concentração,
Como um soco na porção
Antro pilórica do estômago.
Após uma caneca transbordante
De café puro e meia dúzia
De bolachas murchas,
Ela podia se sentar calmamente
E pela primeira vez no dia,
Dedicar-se à sua própria
Respiração.
Imagine um inventor
Que não crie nada,
Ou um criador que não invente
Coisa alguma.
20/08/26
Curva extremamente
acentuada à esquerda
a forma
mais efetiva
de luta corporal
contra a
auto-destruição
ou
desmantelamento
da própria existência.
20/08/26
Quando tudo era outono para nós
O pôr do sol
Não me interessa,
Nem o primeiro raio da manhã,
Agora, já é tarde.
Não quero ouvir os
Pássaros cantando
[detesto teu empenho],
Ou sentir o aroma perfumado
Das roseiras.
Perfumem, longe de mim.
Tudo o que sinto
São espinhos, dilacerando
Minha carne por dentro.
Apesar do inverno crescente,
É no outono que as flores
Morrem.
Apodrecidas,
Todas as folhas
Já secaram em nós.
Não há poesia aqui,
Só há cortisol.
Um fluxo caudaloso
Desta ira incontida...
E a certeza de que o ódio
Nos move tão violentamente,
Quanto o amor.
28/08/26
Diástole
Alguns desejam viajar
Pelo mundo,
Outros desejam casa e carro
Próprios e a quitação
De todas as parcelas dos
Empréstimos.
Há aqueles
Que querem outro
Importado,
Em sua coleção
Tão importante.
Ou milhões de seguidores
Para vê-los fazer, seja lá
O que fazem.
Entre os que desejam
Colonizar a galáxia e aqueles
Que só querem algo pra comer,
Estamos nós,
Desejando ser gentis
Uma última vez,
Uns com os outros,
Se é que ainda podemos.
29/08/26
Sístole
Sendo ela uma velocista nata,
Uma atleta de alta
Performance,
Obviamente que
A felicidade é veloz demais
Para mim.
Mesmo com o treinamento
Aeróbio adequado,
Ela sempre correu mais rápido,
Do que minha capacidade
Cardiorrespiratória,
Para alcançá-la.
29/08/26
Caso precise, não me procure
quem convive
muito tempo com os cactos,
pode acabar se
apaixonando pelos espinhos.
ou na melhor
das hipóteses,
sair perfurando tudo que toca.
29/08/26
Estética do Estilhaço
quem convive
muito tempo com os cacos,
acaba fazendo da própria vida
um mosaico.
29/08/28
{pseudo-poema-comprimido}
placebo da arte,
fruto da desmotivação,
{não serve} para inspirar,
nem serve de
inspiração.
daqui pra frente não rima,
e todo avanço {é um} passo atrás.
desmetrificado
e desrespeitoso com o
academicismo.
nossos erros são grifados
de propósito, os sublinhamos
e destacamos em negrito,
exigimos nossa TOSQUICE
em caixa alta.
erramos também na pretenÇão.
desprezador dos críticos e
juízes de valor {emplumados charlatões},
ode brilhosa ao incômodo,
encenando despretensiosos.
apesar de {não} querer nada
com isso, leva ainda muito a sério,
teu intuito de querer transmitir
mensagem nenhuma,
seja ela qual {quando e onde} for.
29/08/26
(Poema entre Parênteses)
Quis, é verdade
(por muito tempo),
Dizer algo que fosse relevante.
Mesmo que não dito
(explicitamente),
Escrito em palavras simplistas,
Para que (numa vã intenção)
Chegasse ao maior número
De leitores, ouvintes, viventes,
Ou mesmo algum tordoado,
Que tropeçando ao acaso
(em dizeres inesperados como este),
Se achasse diante de uma
Revelação, que mostrasse
Algo nas entrelinhas,
(fosse implícito ou subliminar)
Trazendo uma consideração
Qualquer, impossível em sã
Consciência, passar despercebida
(ou se recusar).
29/08/26
Cloroquina Lover
Bolsa de bosta,
Cabide de emprego,
Flexão de pescoço.
Cargo fantasma,
Aposentado aos trinta
E três por terrorismo,
Com todas as honras.
Golpista de estimação,
Doente mental apto e inelegível,
Colecionador de crimes
Contra a humanidade.
Mentiroso compulsivo,
Idiota nojento e convicto,
Bastião da disfunção erétil
Com histórico fake de atleta.
Vira-lata sarnento do tio sam,
Vinte e sete anos e meio
De reclusão.
29/08/26
A Casinha Colorida
Ela me entregou um cartão,
Com o contorno de uma
Pequena casa,
Me pediu para pintá-la,
Abrindo uma caixa
Cheia de canetinhas.
Quando terminei,
Perguntou-me porquê
Cores tão vívidas.
Eu não tinha uma
Resposta concreta,
Uma justificativa convincente.
Diante de minha tendência
Habitual a olhar tudo
Com pessimismo
E desespero, meu jeito
Tão deprimente de observar
Os acontecimentos.
Pelo menos aquela pequena
Casa, contornada num cartão,
Poderia ser colorida
E vibrante, alegre e chamativa,
Como a vida, em tua opulência
Dolorida, jamais havia sido.
29/08/26
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