sábado, 5 de setembro de 2026

Michel F.M. - Criações 2026 - Parte 5


Michel F.M. - Criações 2026 - Parte 5

🪐2026🪐


Mansidão de um Poema Vivido 

Aquele leitor obcecado 
Pelas inúmeras leituras,
Às quais havia se submetido,

Completamente perdido,
Com as excessivas 
Interpretações,

Aproximou-se sorrateiramente 
Do poema, colocou-o 
Contra parede e interrogou:

Qual o teu sentido?!
A tua existência serve
A qual propósito?!
Responda agora,
Qual teu significado?!

O poema experiente,
Munido de todo seu
Autocontrole, encarou o leitor.

Após um silêncio 
Brevemente constrangedor,
Declamou: - Se busca respostas,
Não procure pela
Filosofia, ela só te dará 
Perguntas.

Quanto a mim, sou
Poema e como tal,
Não carrego sentido
Ou significado embutido, a não ser
Aqueles que você traz
Consigo.

À parte disso, 
Em toda extensão do meu ser, 
Tenho levado apenas poesia.

17/05/26





Definitivos, decisivos e incontornáveis

Nós iremos até o fim.
Enfrentaremos 
Tudo o que há para ser 
Enfrentado,

Viveremos tudo,
O que existe para ser 
Vivido.

Nós iremos até o fim.
Nenhuma força 
Sobre a face da Terra,
Irá nos deter.

Nenhum mecanismo 
De controle, irá nos
Controlar, 

Não seremos
Contidos, ninguém irá 
Nos conter.

Nós iremos, 
Meus caros,
Até o fim. 

Mas não hoje.
Hoje, apenas termine
Esta leitura breve
E a interprete,
Da maneira que lhe convier.

21/05/26







Gigantografia 

a infinitude não se mede
com uma trena.
uma de nove letras,
a outra de apenas seis.

porque a palavra "minúscula"
tem mais conteúdo,
que a palavra "imensa"?!

a beleza real da vida,
está nos detalhes 
microscópicos que passam
por nós,

enquanto 
nos distraímos,
com os 

LETREIROS 
LUMINOSOS E 
OUTDOORS.

24/05/26









O UNIVERSO cabe 
num micropoema?

- Ele já coube.

24/05/26










Com quantas palavras 
se faz um poeta?

Meu menor poema,
Ainda é "O Maior Poema do Mundo".
Pois: O Maior Poema do Mundo,
É um blefe

24/05/26







As Questionadoras Aventuras do Homem-Solução

Despertei neste dia
Com todas as resoluções,
Quando na verdade 
Não queria mais saber
Das respostas ou perguntas.

O que eu realmente 
Queria, era desaprender
Tudo o que aprendi até aqui.
Desprender-me de todo
Conhecimento, desapegar-me

Dos aprendizados que
Armazenei, neste compartimento
Sobrecarregado de ditames
E dizeres, que não me dizem
Respeito, que não me dizem mais nada.

24/05/26





Bunker Premium

Com a trilha sonora
De gritos desesperados,
O pânico é um
Poderoso recurso técnico.

Mas no final,
É o silêncio 
Que mais nos assombra.

Todas as latas 
Empilhadas com zelo,
Impregnadas de ferrugem,
Mas sem prazo de validade.

O ilimitado acesso
A desinformação,
Hipertrofiou nosso pavor.

Os fundos de investimento 
Valeram a pena,
Compramos os ingressos 

Mais caros,
[Brindes inclusos]
Para assistir ao Armageddon 
De camarote.

E que bela desolação,
O fim de tudo 
Nos proporciona.

31/05/26






Não moveremos uma maldita palha

Sei que ela não tem
A ver com isso,
E sabendo que a revolta
Pela revolta e a rebeldia
Sem causa, promovem mais danos
Que benfeitorias,
Apenas assumo a posição 
De interventor da nulidade,
Prometendo à todos que se
Dispõem em perder seu
Próprio tempo, para ouvir
O sermão infértil das ladainhas, 
Divorciadas de qualquer ação. 
As justificativas vazias
São mais fortes do que
Nossa vontade de se controlar.
Está aí a magnânima missão sacerdotal,
Dispararmos promessas 
Ao vento, que jamais poderemos 
Cumprir.

25/06/26





As Contraditórias Aventuras do Homem-Paradoxo

Lá vinha ele
Pisando em falso,
Novamente.
Eram mais do que reais
Os teus tropeços.

Alguns chamariam
De hiperrealismo,
O que se passava com ele,
Outros ainda
De um realismo fantástico.

Eram escorregadas doloridas,
Decididas, dignas
De registro e pena.
Mas o lamento 

Usado sem moderação, 
Não acelera de fato,
A cicatrização 
Dos hematomas.

Dúbio e duvidoso,
Ele não sabia explicar 
A si mesmo,
Porque não amava
Em mútua intensidade,

Quem com tanto
Zelo e préstimo,
O havia amado
Profundamente.

O homem que se contrapunha
Às tuas próprias razões,
Só podia em tua 
Limitada capacidade 
De compreender-se,

Amar àqueles que
Nenhum afeto lhe puderam
Conceder.

08/07/26






Estrofe de um Fóton 

Quem tem que se preocupar 
Com as coisas,
É quem tem um monte
De coisas para se preocupar.

15/07/26






Personificação Adorável de um Pensamento Aterrorizante 

Ao menos isso
posso te prometer,
Não escreverei nada daquilo 
Que você quer ler.

Estamos todos mortos 
Por dentro,
Apesar de cantarolarmos 
Alegremente.

Permanecemos mortos
Por dentro, 
Sapiens incipientes...

Todo o brilho das telas
Velozes, interações programadas
Em relações dissolventes.

Ambientes controlados 
E um ar poluente, 
Competências sócio-emocionais
Arremessadas a esmo,
Nada foi suficiente.

Numa escala de zero à dez
Algum número negativo,
Em descarga crescente.

Outra geração posterior 
Aos nascidos póstumos,
Caminhantes vacilando, 

Como embriões caducos 
E velhos principiantes,
Na espetacular iminência 
Do pós-fim.

Permaneceremos mortos
Por dentro, 
Ainda que nadando 
Contra a corrente ?!

Enquanto não diluímos 
Nenhuma questão permanente,
Seguimos cantarolando,

[Arrogantes-atordoados]
Defumados e enfeitados
Nesta formosa farsa contente.

25/07/26






Ducha gelada na madrugada infernal 

Para minha tragédia pessoal,
Fui consagrado
Com a mais audaciosa 
E marginalizada,

Vertente 
Da 
Literatura.

O mais estimável e desprezível 
Segmento, sobre o qual
Se pode expressar.

Outrora, monumental 
Apoteose dos adoradores 
E adorados,

Tratada com descaso
E desdém, nos tempos 
De agora.

A 
Poesia.

Em tua sacralidade,
Um ramo absolutamente 
Profano, subversivo e transgressor 
Do espírito humano.

29/07/26





Está Lido 

A poesia é isso. A capacidade 
Incomensurável de dizer [escandalosamente] tudo,
Sobre qualquer coisa.
Ou ainda, dizer qualquer coisa 
[mesmo que discreta]
Sobre tudo.

05/08/26







Poesia de Combate 

Dispositivo pontiagudo 
Capaz de armazenar tinta 
De cores ecléticas.

Ao poeta combativo
Serve à dois propósitos 
Bem definidos,

Registrar poemas marginais,
Em tom de manifesto,
Para guerrilha urbana.

Ou ainda, realizar uma ação 
Em dois movimentos específicos 
[Diante de uma necessidade 

Explícita], atravessando o globo
Ocular de um fascista, seguindo
Para perfuração da jugular.

08/08/26


 




Neurodivergindo

Foi no exato momento,
Em que um hiperativo 
Dirigiu-se ao outro,

Antes que o déficit 
O alcançasse,
Num milissegundo
De hiperfoco, bradou:

Ouça-me com atenção!!
E se eu te dissesse,
Que não faço a menor ideia 

Do que você tá falando, porra.
Você acreditaria em mim ?!

Instantaneamente aquele
À quem foram dirigidas 
Tais rudezas, replicou:
Tá falando comigo?!

09/08/26






Trajetória de um Espirro

Atchim (Saúde!) Amém.
Com ou sem secreção,
Sempre uma boa forma
De interação social.

09/08/26






Goteira 

Escoavam velozes
No início,
Insistentes 
Escorriam, 

Assoalho 
Encharcado,
O ralo paciencioso,
Teu destino.

Tal era o relapso, que
As próprias gotas
Contraquicavam.

E continuariam a cair,
Enquanto a nuvem 
Não encontrasse 
Fadiga.

Cada gota no seu tempo,
Algumas 
Mais lentas, 

Tão lentas,
Que o eco da tua solidão 
Chegava antes delas.

10/08/26







Final Preguiçoso de um Poema Clichê

Originada dos devaneios,
Que nem sequer os próprios anjos
Ousaram imaginar.

Vindo à tona nos poemas
Absurdos, rascunhados em meio
Às madrugadas despertas.

Ela, se fez presente 
Em todos os pensamentos 
Perdidos,

Que nalgum momento, 
Me atrevi a pensar.

10/08/26





Pequeno Estrondo num Feixe de Estragos

Quando um espírito atormentado,
Se encontra longe
Da linha de frente,

Só lhe restam duas alternativas,
Declarar guerra
À tudo que cruza seu caminho,

Ou travar as batalhas,
Por mais sanguinolentas que sejam,
Contra si mesmo.

11/08/26






Gonnifers 

Criações 
Poéticas soltas,
Cada qual com teu singular

Ainda 
Que a diversidade 
Surja (in)escapável dos plurais

Regra
Não há nenhuma,
Pode ter rima ou não pode

Pode
Ter métrica ou
Nada a medir senão a doçura

Pode conter 
Amargura, mas 
Na crítica e contestação se realiza

Apesar 
De ter sido escrita 
Em tercetos, qualquer forma
                                         pode
                                                  tomar.

12/08/26






Que o último babaca apague a luz 

Em Eras passadas
Travaram-se disputas ferozes,
Nos campos devastados
Da moralidade.

[Obtuso 
É outra palavra
Para palerma]

Muitos princípios foram
Defendidos à luz do dia,
Enquanto eram esmigalhados
Nas sombras.

Um ciclo vicioso e ininterrupto,
Se arrastando no decorrer 
Dos milênios, que nos anestesiaram 
Nas águas agitadas da caudalosa
Hipocrisia.

[Mentecapto 
É outra palavra 
Para imbecil]

- Todavia, evoluímos.
Como toda criatura viva, que está 
Condenada a ver transformada
Tua própria condição.

Hoje, não vejo nenhum problema 
Em ser completamente 
Consumido, pelos meus 
Mais patéticos desejos 
E obsessões.

13/08/26





Dispositivo de Dissuasão 

Os parasitas não possuem 
A capacidade para 
Exercer poesia

E identificando seu potencial 
Ilimitado, se dedicam 
A persegui-la
E censurá-la.

Uma arma de destruição 
Em massa das ideias
Nefastas,

Calibrada para abater
Toda ordem de misérias,
Num único disparo.

A poesia é o poderoso 
Instrumento de confronto,
Uma tecnologia 
De libertação

A serviço dos escorraçados,
Explorados e oprimidos. 

13/08/26





Ace

Caminhou até mim,
A portadora da frustração, 
Um homúnculo vil pisando firme.

É óbvio, que eu gostaria
De perder mais uma hora da minha
Vida preciosa, realizando 
Outra tarefa inútil.

Revisá-lo-ia, aquele documento 
Desnecessário, sem serventia,
Que ninguém em sã consciência
Leria, ou sequer iria conferir.

Saí da sala, capturado por um
Ruído longínquo, que flutuava
Pelos corredores.

Era o som da humanidade acontecendo,
Sendo e existindo da maneira
Mais humana que poderia, em qualquer 
Período ser e existir.

Entrei no meio do jogo, a quadra fervia 
A uns trezentos graus celsius
E o próximo saque, era meu (...)

14/08/26






Outra incursão à Terra-do-Foda-se

A arte 
Não serve 
Para nada.

Este é justamente 
Seu propósito 
Sagrado.

Fazer frente 
Ao utilitarismo 
E substituí-lo 
Por algo muito mais
Elementar,

Que antecede 
As ferramentas,
Anterior às próprias 
Necessidades, 

Sem uma definição 
Apropriada
E que não pode 
Ser nomeado.

A poesia 
É uma feitura
Destituída 
De qualquer utilidade,

Sem a qual 
Jamais, em nenhuma
Circunstância, pude viver.

15/08/26







De volta ao fundo do poço dos desejos 

Experiências tão extraordinárias,
Que se perdem tão facilmente 
Em meio às rotinas saturadas.

Conviver lado a lado,
Com as criaturas mais repulsivas 
Que a literatura fantástica 
Jamais concebeu,
Não nos faz menos
Monstruosos.

Ainda que tenhamos 
A oportunidade de sermos
Vilões dignos dos quadrinhos,
Nunca nos enquadramos
Com folga e naturalidade,
Em moldes pré-concebidos
De asneiras.

Somos bons mesmo
Em criar nossas próprias
Atmosferas sufocantes,
Terraformando realidades 
Horrorosas, enquanto 
Improvisamos roteiros 
Vulgares, com falas carregadas
De termos autodepreciativos.

O que seria do karma,
Se eu recusasse 
Pela septuagésima sétima vez
Meu destino.

15/08/26






Codinome: Michel F.M. 
(ou os diferentes rótulos 
de um âmago indefinível) 

apanhador de versos
no mangue das rimas,
inventeiro vertiginoso 
de lugarejos acantonados.

contorcionista entediado,
um trapezista hilário,
teu tristonho palhaço.

sujeito insubordinado,
perito em contradições,
o próprio pacífico em brasas,
mestre dos pretextos.

acumulador de feitos invisíveis,
guardião das flores do pântano,
arquiteto da expectativa. 

o colecionador de vácuos,
contestador por formação, 
comunicador por opção 
e rimante por acidente.

15/08/26






Café com Kafka sem adoçante 

nós existimos 
em tempos distintos, 
vivemos em séculos 
diferentes,

mas paira aquela sensação,
como se nos tivéssemos 
conhecido intimamente, 
como se fôssemos 
confidentes. 

num certo ponto, Kafka disse,
que há muita esperança 
no mundo, só não para nós.

mas ainda 
que os dias pesem
mil toneladas

e no cair
da noite, pareçam 
desesperançosos,

de um vigor despedaçado,
parece que tenho o costume 
irritante, de esperar por algo,

toda manhã, 
como a boneca 
de Kafka,

que viajou o mundo,
só para confortar uma lágrima.

viajamos buscando por algo,
que ousamos denominar
esperança 

e esperamos que a busca
nos baste, no alcance de
todo amanhã.

16/08/26







Manguito Rotador 

Aquele ombro zuado,
Fodido e cansado,
Carregou tanto peso,
Suportou tamanha 
Sobrecarga de angústias,
Que nenhum exercício 
Resistido foi suficiente 
Para impedir a lesão,
No levantamento 
Das frustrações.
Para o rompimento 
Total da alma, não existe 
Reabilitação.

16/08/26






Desabafo de um Protetor Auricular 

Na profusão de perguntas 
Destituídas de resposta,
Mesmo com grande esforço,

Ele nunca compreendeu,
Porque algumas pessoas 
Odeiam tanto o silêncio.

Para alguns indivíduos,
A vida só se estabelece 
Através do ruído contínuo.

No excesso de estímulos 
Sonoros e visuais,
Asfixiando toda clareza.

Na violência de um ambiente 
Sobrecarregado, retirando
De nós a possibilidade, 

De estabelecermos uma relação 
De mínima afinidade, com nossos
Próprios pensamentos.

16/08/26





Fracasso de um Limerique 

Estruturado em uma quintilha, 
Cada qual um espaço na pilha,
Ele não pôde prever
E nem pararia pra ler,
Aquele ousado quinto verso sem rimar.

17/08/26






Emudescência: Capítulo 2

sou um grande entusiasta 
do silêncio,
admiro profundamente 
pessoas que tendo
a oportunidade para
falar merda,
silenciam.

18/08/26






Astrolábio

apesar de nosso vasto repertório, 
ser composto por sugestões 
das mais adversas procedências,

numa passageira certeza,
podemos despretensiosamente 
nos ancorar.

não somos sugestionáveis,
jamais nos deixamos levar.
assumimos o timão desde

o princípio e para a alvorada
navegaremos, até que a aurora 
se torne crepúsculo.

19/08/26






Do que se trata?!

Imagine um orador
Que não discurse,
Ou um poema que não fale
De amor,

Nem de esperança ou desilusão.
Imagine a poesia 
Servindo pra alguma coisa,
Só pra variar.

Um trabalhador braçal 
Que se recuse a trabalhar,
Ou um burguês safado que ganhe
Seu sustento com o suor
Da própria face [talvez este verso
Tenha ido longe demais].

O cheiro que rescendia do ralo
Retirava a concentração,
Como um soco na porção 
Antro pilórica do estômago.

Após uma caneca transbordante 
De café puro e meia dúzia 
De bolachas murchas,

Ela podia se sentar calmamente 
E pela primeira vez no dia,
Dedicar-se à sua própria 
Respiração.

Imagine um inventor 
Que não crie nada,
Ou um criador que não invente
Coisa alguma.

20/08/26







Curva extremamente 
acentuada à esquerda 

a forma 
mais efetiva 
de luta corporal 
contra a 
auto-destruição 

ou 
desmantelamento 
da própria existência.

20/08/26





Quando tudo era outono para nós 

O pôr do sol 
Não me interessa, 
Nem o primeiro raio da manhã,
Agora, já é tarde.

Não quero ouvir os
Pássaros cantando
[detesto teu empenho],
Ou sentir o aroma perfumado
Das roseiras.

Perfumem, longe de mim.
Tudo o que sinto 
São espinhos, dilacerando 
Minha carne por dentro.

Apesar do inverno crescente,
É no outono que as flores
Morrem. 

Apodrecidas,
Todas as folhas 
Já secaram em nós.

Não há poesia aqui,
Só há cortisol.
Um fluxo caudaloso 
Desta ira incontida...

E a certeza de que o ódio 
Nos move tão violentamente,
Quanto o amor.

28/08/26







Diástole 

Alguns desejam viajar 
Pelo mundo,
Outros desejam casa e carro

Próprios e a quitação 
De todas as parcelas dos
Empréstimos.

Há aqueles 
Que querem outro
Importado, 

Em sua coleção 
Tão importante. 

Ou milhões de seguidores 
Para vê-los fazer, seja lá 
O que fazem.

Entre os que desejam 
Colonizar a galáxia e aqueles
Que só querem algo pra comer,

Estamos nós, 
Desejando ser gentis
Uma última vez,

Uns com os outros,
Se é que ainda podemos.

29/08/26






Sístole 

Sendo ela uma velocista nata,
Uma atleta de alta
Performance,
Obviamente que
A felicidade é veloz demais 
Para mim.

Mesmo com o treinamento 
Aeróbio adequado,
Ela sempre correu mais rápido, 
Do que minha capacidade 
Cardiorrespiratória,
Para alcançá-la.

29/08/26






Caso precise, não me procure

quem convive 
muito tempo com os cactos, 

pode acabar se 
apaixonando pelos espinhos.

ou na melhor 
das hipóteses, 
sair perfurando tudo que toca.

29/08/26





Estética do Estilhaço 

quem convive 
muito tempo com os cacos,
acaba fazendo da própria vida 
um mosaico.

29/08/28






{pseudo-poema-comprimido}

placebo da arte,
fruto da desmotivação,
{não serve} para inspirar,
nem serve de
inspiração.

daqui pra frente não rima,
e todo avanço {é um} passo atrás.

desmetrificado 
e desrespeitoso com o
academicismo.

nossos erros são grifados
de propósito, os sublinhamos
e destacamos em negrito,
exigimos nossa TOSQUICE 
em caixa alta.

erramos também na pretenÇão.
desprezador dos críticos e
juízes de valor {emplumados charlatões},
ode brilhosa ao incômodo, 
encenando despretensiosos. 

apesar de {não} querer nada
com isso, leva ainda muito a sério,
teu intuito de querer transmitir 
mensagem nenhuma,
seja ela qual {quando e onde} for.

29/08/26





(Poema entre Parênteses)

Quis, é verdade 
(por muito tempo),
Dizer algo que fosse relevante.

Mesmo que não dito
(explicitamente),
Escrito em palavras simplistas,

Para que (numa vã intenção)
Chegasse ao maior número 
De leitores, ouvintes, viventes,

Ou mesmo algum tordoado,
Que tropeçando ao acaso
(em dizeres inesperados como este),

Se achasse diante de uma
Revelação, que mostrasse
Algo nas entrelinhas,

(fosse implícito ou subliminar)
Trazendo uma consideração 
Qualquer, impossível em sã 
Consciência, passar despercebida 
(ou se recusar).

29/08/26




Cloroquina Lover 

Bolsa de bosta,
Cabide de emprego,
Flexão de pescoço.

Cargo fantasma,
Aposentado aos trinta 
E três por terrorismo,
Com todas as honras.

Golpista de estimação,
Doente mental apto e inelegível,
Colecionador de crimes 
Contra a humanidade.

Mentiroso compulsivo,
Idiota nojento e convicto,
Bastião da disfunção erétil 
Com histórico fake de atleta.

Vira-lata sarnento do tio sam,
Vinte e sete anos e meio 
De reclusão.

29/08/26







A Casinha Colorida 

Ela me entregou um cartão,
Com o contorno de uma
Pequena casa,

Me pediu para pintá-la,
Abrindo uma caixa
Cheia de canetinhas.

Quando terminei,
Perguntou-me porquê 
Cores tão vívidas.

Eu não tinha uma
Resposta concreta,
Uma justificativa convincente.

Diante de minha tendência 
Habitual a olhar tudo
Com pessimismo 

E desespero, meu jeito 
Tão deprimente de observar 
Os acontecimentos.

Pelo menos aquela pequena 
Casa, contornada num cartão,
Poderia ser colorida 

E vibrante, alegre e chamativa,
Como a vida, em tua opulência 
Dolorida, jamais havia sido.

29/08/26



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